Com pré-pago, Oi TV visa potencial para dobrar base de TV



A estratégia da Oi para a oferta de TV por assinatura pré-paga tem um horizonte bem definido, com um potencial de mais do que dobrar a base atual. Isso porque a companhia afirma ter uma base já instalada de 1,2 milhão de caixas do Oi Livre, o set-top comercializado para acessar canais abertos em HD e obrigatórios, sem cobrança de assinatura. Considerando que, segundo dados de abril da Anatel, a operadora contava com 1,186 milhão de acessos, há um espaço para crescimento imenso. "É muita coisa, e todo mês a gente vende caixa, o varejo vende, nossos parceiros, como a Elsys, vendem, e vai aumentando", declara o diretor de mobilidade e conteúdo da Oi, Roberto Guenzburguer.

O cliente do Oi Livre não conta com TV por assinatura contratada, mas a caixa está preparada para ser habilitada automaticamente, então a oferta pré-paga "é uma oportunidade de vender o conteúdo". É também vantajoso para a operadora, uma vez que o custo do set-top box e da instalação é bancado pelo próprio usuário. Além disso, há a possibilidade de fidelização do cliente, já que o pré-pago da TV possui, no caso do Oi Total, convergência com o plano do celular, permitindo ao usuário adicionar créditos de um serviço para o outro. "Quanto mais produtos o cliente agrega, o churn cai 50%", disse ele mais cedo, durante debate no segundo dia da ABTA 2016, nesta quinta-feira, 30.

Segundo Guenzburguer, o cliente do Oi TV pré-pago recebe normalmente os 43 canais da Globo HD como parte do acordo das empresas realizado em abril de 2014 para a utilização do satélite SES-6. "A vantagem que a gente tem em relação à Sky (que também conta com oferta pré-paga) é convergir as duas plataformas (TV e celular) e o conteúdo HD da Globo."

On-demand e OTT

Os testes com a plataforma pré-paga começaram ainda no ano passado, conforme antecipado por este noticiário na ABTA de 2015. E mesmo nesse tipo de pacote, o usuário poderá contratar canais pay-per-view e utilizar o vídeo on-demand da Biblioteca Oi, que utiliza a conexão à banda larga no set-top box híbrido para fazer o download do conteúdo. Guenzburguer explica que não se trata de streaming, mas uma espécie de buffer, que a empresa chama de "progressive download". Por conta disso, é necessário que o assinante tenha também o recurso de DVR ou PenVR (por meio de pendrive) para baixar o vídeo. O serviço, atualmente em piloto, será lançado em outubro. Filmes poderão ser adquiridos por R$ 10 cada.

Para mais além, o diretor da operadora espera oferecer o Oi Play, versão do aplicativo para smartphones, também dentro da caixinha, agregando todo o conteúdo e oferecendo por meio de uma interface única o acesso a diferentes VODs. "Hoje ele funciona como uma casca, mas a ideia é que no futuro tenha tudo lá dentro. A gente está avaliando plataformas para fazer isso e nas próximas semanas vamos ter novidade", declara. O diretor de novos projetos digitais da Oi, Ariel Dascal, que até recentemente era o responsável pelo projeto de TV, está ajudando no desenvolvimento.

Além disso, há uma possibilidade de incorporação de conteúdo over-the-top (OTT). Roberto Guenzburguer diz não haver nenhum plano por enquanto, mas confirma que o set-top box híbrido comporta aplicativos. Durante o debate, ele resumiu a estratégia: "A visão da Oi é muito pragmática tanto na mobilidade quanto na residência, não adianta a gente pensar que as OTTs vão sumir, então, na prática, precisamos entregar as experiências as mais adequadas possíveis, pensando com a cabeça do cliente". Mirando ainda mais no futuro, o diretor acredita que visualiza um mercado de conteúdo linear totalmente over-the-top, embora ainda contando com a operadora como hub. "Não existe modelo claro no mercado, mas a oportunidade está aberta; obviamente precisamos pensar na monetização e sustentabilidade para todos os players."

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