José Félix fala sobre perda dos assinantes da Claro TV, e como pretendem reverter a situação


Grupo América Móvil reposiciona Claro TV, espera estancar perda de assinantes.  (Divulgação)
O grupo América Móvil está, aos poucos, reposicionando seu produto de TV por assinatura via satélite (Claro TV) e pretende deixá-lo mais alinhado com o serviço de TV a cabo, focando-o nos segmentos econômicos que hoje têm condições efetivas de pagar pelo serviço, e não necessariamente nos segmentos de menor renda, que foram os principais compradores do DTH nos últimos anos. A chave para isso foi a entrada em operação do novo satélite StarOne C4, com capacidade para uma quantidade bem maior de canais HD (hoje a Claro HD é a operadora com mais canais pagos em HD) e, agora, uma oferta combinada com produtos oferecidos pela rede móvel da Claro móvel, incluindo banda larga 4G, telefonia móvel e eventualmente até telefone fixo pela rede celular.

Segundo José Félix, presidente do grupo América Móvil, o DTH do grupo perdeu assinantes por dois motivos: um impacto mais forte da crise econômica sobre o segmento de menor renda, que era o foco principal da unidade de negócios, e um reposicionamento que está sendo feito desde a fusão das diferentes empresas do grupo. "Por ser o segmento de renda D, E e C mais suscetível à crise, estamos sofrendo mais no DTH, mas esperamos que em logo a gente consiga retomar a estabilidade e retomar o crescimento. E estamos reposicionando a Claro TV para um segmento de população que demande um outro tipo de serviço", diz Felix.

Ele lembra que a Claro HD é hoje a empresa que tem o maior número de canais em alta definição. "Temos hoje a melhor TV por assinatura no satélite também, além do cabo, e nossa ambição para essa unidade de negócio é bem grande. Estamos trabalhando em conjunto com a Claro para ampliar os canais de venda dessa unidade de serviço", explica.

"Rezamos para que essa crise acabe logo. Ela existe e nos pegou, mesmo estando à frente dos nossos competidores em serviços como banda larga móvel e fixa", destacou Félix. Segundo ele, a crise econômica abala, especialmente, um negócio do grupo: a TV paga.


"E exatamente por isso estamos num momento de revisão de estratégia. As classes C, D e E sofrem mais com a crise e eram o nosso alvo no DTH. Agora estamos mudando para um público consumidor de maior poder aquisitivo. A Claro TV, por exemplo, é a que maior número de canais HD disponíveis e vamos valorizar esse modelo e, agora, estamos aumentando nossos pontos de venda", sustentou. 

Queda

Uma eventual retomada do crescimento da Claro TV tem potencial de ajudar inclusive a estancar a queda da TV paga como um todo. Depois de liderar, ao lado da Sky, a forte expansão da TV por assinatura no final da década passada e começo da década atual, a Claro TV inverteu a mão. Desde o final de 2014, a operadora foi a que mais puxou para baixo o crescimento da TV por assinatura. A queda entre novembro de 2014, quando chegou ao ápice de 3,78 milhões de clientes, e o último número de abril deste ano (2,58 milhões), foi de nada menos do que 1,2 milhão de clientes. No mesmo período, o mercado como um todo perdeu 908 mil assinantes, pois outras operadoras (inclusive a Net) cresceram no período. A Claro TV vem perdendo em 2016 entre 30 mil e 40 mil clientes por mês desde o começo do ano, um ritmo menor do que perdia em 2015, quando via sua base erodir cerca de 70 mil clientes ao mês, sobretudo nos últimos nove meses do ano. Mas segundo fontes do mercado, a operadora começa a dar sinais de estabilização nesse final do semestre, o que pode trazer uma boa notícia para toda a indústria, caso a situação de outras operadoras não se deteriore.

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