O serviço Sob demanda não canibaliza o linear, apontam programadores e operadores



O consumo de vídeo sob demanda não está colocando em risco os canais lineares de TV. Pelo contrário, as novas plataformas estão levando ao aumento do consumo total de vídeo e, em muitos casos, ao aumento da audiência nos canais lineares. Essa é a conclusão tirada a partir de dados apresentados por operadores e programadores nesta sexta, 1º, na ABTA 2016. De acordo com Renata Policicio, da área de pesquisas da ESPN, "a TV não morreu, ela está mudando de endereço". Segundo ela, nos Estados Unidos, o tempo gasto consumindo mídia cresceu 10% em cinco anos, com uma redução na TV ao vivo, mas com aumento em outras plataformas que suportam vídeo digital. No Brasil, no entanto, a programadora não percebeu a redução na audiência da TV linear. "O linear não está caindo, mas o WatchESPN (plataforma online da programadora) tem batido recordes a cada mês. Quanto mais opções a gente dá, mais tempo o assinante passa consumindo conteúdo", conta. Segundo ela, 70% da audiência do WatchESPN é de live streaming, uma tendência entre esportes.

Para Fernando Magalhães diretor de programação da América Móvil Brasil, não é opcional a oferta de conteúdo não linear e everywhere, mas uma ferramenta de preservação do serviço de TV. Segundo ele, muitas programadoras apontam o receio de canibalização quanto a operadora demanda também os conteúdos disponibilizados de forma não linear. "Não sei se vai canibalizar, mas sei que não canibalizou ainda. Se não, a audiência dos canais não teria aumentado no último ano", disse. "Precisamos nos preocupar em não ser comidos pelos outros", disse.

Bônus

"Não sei se vai canibalizar, mas sei que não canibalizou ainda. Se não, a audiência dos canais não teria aumentado no último ano", disse Fernando Magalhães diretor de programação da América Móvil Brasil

Para Magalhães, o on demand serve também como ferramenta de venda do linear. Segundo ele, muitos assinantes dos pacotes de canais de filmes premium assinam pelo não linear. O canal linear é que se tornou o "bônus". "Boa parte da venda dos pacotes a la carte do Telecine ou da HBO é feita pelo controle remoto, quando o assinante tenta ver um conteúdo ao qual não tem direito através do Now", explica.

Guilherme Saraiva, diretor de tecnologia do Telecine, concorda que muitos assinantes buscam mais o não linear. Na quinta feira, o CEO do Telecine, João Mesquita, afirmou no evento que 15% da audiência da rede de canais de filmes é através do Telecine Play. Nesta sexta, Saraiva apresentou um dado mais detalhado, analisando apenas os assinantes que têm acesso ao conteúdo do Telecine através dos canais lineares, do Telecine Play online e do Telecine Play através do set-top box das operadoras. Trata-se da base de assinantes da Net que conta com o Now.

Segundo ele, 35% da audiência nesse universo é através do VOD pelo set-top box, 4% pelo VOD online e 61% no canal linear. Ou seja, quando o assinante tem também a possibilidade de acesso pelo set-top box, 40% da audiência é não linear. Saraiva conta que o investimento da programadora para levar o Telecine Play às smart TVs se deve a isso. Recentemente o aplicativo chegou a equipamentos da Samsung e Sony, e chegará em breve à LG, Panasonic e Philips.

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