BBC Earth estreia série inédita sobre a origem africana dos brasileiros


Nova série do canal mostra as origens africanas. (Divulgação)
A partir desta sexta-feira, dia 11 de novembro, às 20h10, o BBC Earth leva os telespectadores para uma emocionante viagem pela origem do povo brasileiro. No ar em cinco episódios, todas às sextas-feiras, às 20h10, a série inédita Brasil: DNA África é uma produção da Cine Group, de 2016, que desvenda a origem genética de 150 afrodescendentes brasileiros.  Os personagens foram escolhidos nos estados que mais receberam escravos: Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro

No primeiro programa, o arquiteto e militante do movimento negro Zulu Araújo, da Bahia, viaja para a República dos Camarões, com o objetivo de conhecer o povo de origem de seus antepassados, a tribo Tikar. O segundo episódio mostra a viagem até a Nigéria da consultora de moda Juliana Luna, do Rio de Janeiro, que descende do povo Iorubá.

O jornalista e poeta maranhense Raimundo Garrone, que descende do povo Balanta, viaja para Guiné-Bissau no terceiro episódio. O músico Sérgio Pererê, de Minas Gerais, conhece Angola após descobrir que os seus ancestrais são do povo Mbundu no quarto programa. No último episódio, o mestre de maracatu Levi da Silva Lima, de Pernambuco, descobre que descende dos Makua e visita Moçambique.

A pesquisa também apresentou os dados sobre a origem dos artistas Zezé Motta, Antonio Pitanga, Luiz Melodia, Martinho da Vila, Ana de Holanda, Selminha Sorriso e José Carlos Capinam, da política Benedita da Silva e dos jornalistas Ancelmo Góis, Flávia Oliveira e Luciana Barreto.

A história contada pelo DNA

Segundo dados do Slave Voyages, site onde estão catalogadas 29 mil travessias transatlânticas de navios negreiros, barcos com bandeira de Portugal chegaram a transportar 5,8 milhões de escravos para o Brasil. Em mais de quatro séculos, eles se multiplicaram e contribuíram para a formação do povo, de sua cultura, culinária e religião. Hoje, 53% dos brasileiros se declararam pardos ou negros, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)- 2014, do IBGE.

O banco de dados genético do African Ancestry, laboratório americano localizado em Washington (Estados Unidos), que mapeou 220 etnias africanas, ajuda a preencher algumas lacunas desta história. Como os escravizados perdiam seus nomes e referências, os negros não sabem de quais povos africanos descendem. Os resultados dos testes de DNA foram surpreendentes e comprovaram que, para o Brasil, vieram muito mais etnias do que se acreditava até então.

As marcas da escravidão

 “Meu sobrenome é português, mas nunca fui português. Este sobrenome que carrego é da família que escravizou minha família”, afirma Zulu Araújo. Este mesmo sentimento é expresso por Juliana Luna que lamentou ter o sobrenome do dono de seus antepassados. Na Nigéria, ela se emocionou especialmente ao visitar o Barracão Brasileiro, no porto de Bagadry, local de partida de milhares de africanos escravizados e que hoje é um museu, com os artefatos usados para subjugar os negros. No encontro com o músico Femi Kuti, filho do pioneiro do Afrobeat Fela Kuti, ela conversou sobre a luta que ainda existe pelos direitos civis.

Episódio 1 – Bahia – Zulu Araújo- No ar dia 11 de novembro

Zulu foi um dos 30 baianos que fizeram o exame de DNA. O resultado surpreendeu o arquiteto, que sempre pensou ser descendente dos Iorubás, da Nigéria. Na verdade, seus antepassados são da tribo Tikar, na República dos Camarões. “Eu desconhecia totalmente a existência desse povo”, confessou.

Durante a viagem, o arquiteto se surpreendeu com as semelhanças estéticas entre Iaundê, a capital camaronesa, e Salvador, inclusive na arquitetura. Depois foi recebido pelos representantes da realeza Tikar e ganhou de presente uma roupa confeccionada pela rainha mãe especialmente para ele. Já o rei Tikar fez um curioso pedido de desculpas a Zulu, por conta da participação dos antepassados da realeza no comércio de pessoas escravizadas.

De volta à Bahia, Zulu disse se sentir reconciliado com seu passado: “A impressão que eu tive é que eu já havia estado naquele lugar, porque é muito parecido com o lugar que eu nasci. Saber de onde venho, mesmo ainda mantendo o sobrenome ocidental, me dá outra dimensão de vida. Até mesmo na dimensão espiritual”.

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