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| Logomarca da AT&T. Reprodução |
A AT&T fechou acordo para comprar a DirecTV, operadora de TV por satélite dos EUA por US$ 48,5 bilhões, anunciou a empresa em comunicado neste domingo (18).
A empresa pagará US$ 95 por ação da DirecTV em uma combinação de ações e dinheiro, que virá da venda de ativos, financiamentos já alinhados e outras "operações oportunas no mercado de dívida". Serão US$ 28,50 por ação em dinheiro e US$ 66,50 em ações da AT&T. O valor pago pelas ações equivale a um prêmio de cerca de 10% em relação ao preço de fechamento de sexta-feira e é cerca de 30% acima do nível em que estava sendo negociada antes de começarem os rumores sobre o negócios.
No total, a transação alcançará US$ 67,1 bilhões, incluindo a dívida líquida da DirecTV. A empresa criada será "líder na distribuição de conteúdo por meios móveis, vídeo e banda larga".
"A transação combina esforços complementares para criar um novo competidor único com capacidades sem precedentes em serviços móveis, de vídeo e banda larga", diz o comunicado.
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| Logomarca de DirecTV USA. reprodução |
A empresa vai se juntar a uma lista crescente de gigantes das telecomunicações que procuram consolidar o setor, criando maiores gigantes nacionais à medida que se adaptam às mudanças na banda larga e acesso de vídeo, segundo análise do jornal "New York Times".
Com a expansão proporcionada pelo negócio, a AT&T diz que irá expandir a banda larga de alta velocidade para 70 milhões de clientes. A distribuição de conteúdo poderá ser feita pela tradicional TV por assinatura, vídeos por demanda em serviços como Netflix ou Hulu ou uma combinação de formas de assitir o conteúdo.
"DirecTV é a melhor opção porque ela tem uma marca reconhecida na TV paga, a melhor relação com conteúdo e um negócio em crescimento na América Latina. Juntas, ela e a AT&T poderão reforçar a inovação e proporcionar novas escolhas aos clientes", disse no comunicado o presidente da AT&T, Randall Stephenson.
Para facilitar a aprovação do negócio na América Latina, a AT&T pretende vender sua participação na América Móvil.
A administração das empresas aprovaram por unanimidade a transação, disse a AT&T.
América Latina no foco
Um aspecto muito importante da operação é a ênfase que está sendo dada à América Latina na transação. Havia a especulação de que a AT&T optasse por repartir os assinantes que a DirecTV tem na América Latina com algum outro investidor, e especulava-se sobre um acordo combinado com a Dish. Mas no anúncio da compra da DirecTV a AT&T deixou claro que está comprando tudo e enfatizou a importância que a América Latina tem para os planos de expansão da operadora, citando especialmente o México, e anunciou que vai se desfazer de sua posição minoritária na América Móvil, como forma de facilitar as aprovações regulatórias no México e, possivelmente, também no Brasil, onde o grupo mexicano é o principal concorrente da operadora Sky.
Para o Brasil, o significado exato da transação ainda não está claro, mas algumas hipóteses podem ser colocadas. A AT&T atua no Brasil de maneira discreta, apenas em serviços corporativos, mas pode ter seu apetite ampliado, seja na forma de novas aquisições de empresas já existentes (TIM, GVT e Oi seriam os alvos mais óbvios), seja na disputa pelo leilão de 4G, já que o governo está apostando algumas fichas na possibilidade de trazer um novo player para o mercado de banda larga móvel.
Vale lembrar ainda que a Sky já tem no país licença para operar 4G na faixa de 2,5 GHz em mais de 600 cidades, e tem ampliado a sua rede TD-LTE gradativamente.
Para o mercado de TV paga, a despeito da concentração que ocorrerá no mercado norte-americano, a compra da DirecTV pela AT&T é considerada importante, por estabelecer um competidor à altura da Comcast, que está se fundindo com a Time Warner Cable até o final do ano e que com isso se tornará uma gigante de 30 milhões de clientes de vídeo.
Na América Latina, seria mais um player de telecomunicações a rivalizar com América Móvil e Telefônica, que são os grupos que atuam regionalmente. No Brasil, a chegada da AT&T via Sky é positiva para a competição no mercado porque, inclusive, ainda deixa o caminho aberto para uma eventual entrada da Dish no mercado brasileiro.

