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Glória Pires e Gilberto Braga relembram o sucesso de 'Vale Tudo', que chega neste domingo no Globoplay

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Divulgação Globo
Retratando as mazelas humanas e sociais do Brasil como poucas novelas o fizeram até aquele ano de 1988, quando foi exibida originalmente, ‘Vale Tudo’ foi revolucionária ao mostrar deliberadamente a corrupção arraigada na memória coletiva brasileira, a falta de ética e os mais altos níveis de indignidade que uma pessoa é capaz de atingir pela ganância. Notoriamente uma das novelas mais importantes da história da televisão, dona do mistério que fez o Brasil parar se perguntando  “quem matou Odete Roitman?”, personagem inesquecível de Beatriz Segall,  a obra escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e dirigida por Dennis Carvalho, Ricardo Waddington e Paulo Ubiratan, chega ao Globoplay na noite deste domingo, dia 19, para assinantes.

Em ‘Vale Tudo’, as nuances entre honestidade e desonestidade são exploradas em diferentes medidas e com diferentes abordagens através de vários personagens, como a própria Odete Roitman, uma rica e manipuladora empresária disposta a tudo por seus interesses, ou de Marco Aurélio (Reginaldo Faria), vice-presidente de sua empresa que, sem o menor escrúpulo, é capaz de qualquer coisa para se dar bem. Mas a relação em que essa ambivalência se destaca mais é entre Raquel Accioli (Regina Duarte) e a filha Maria de Fátima (Glória Pires). “Achei que esse antagonismo ia conquistar o espectador”, diz  o autor Gilberto Braga ao relembrar a época em que escreveu a novela.

Ao contrário da mãe, que sempre batalhou para sobreviver honestamente, Maria de Fátima, movida por seu desejo quase doentio de subir na vida e com aversão à sua origem e à pobreza, é capaz de passar por cima de tudo e todos para atingir seus objetivos. A começar por vender a única propriedade da família, no Paraná, e fugir com o dinheiro para o Rio de Janeiro para tentar a carreira de modelo. Desesperada e preocupada, Raquel vai atrás de Maria de Fátima e  passa a vender sanduíches na praia. enquanto a filha se alia a César (Carlos Alberto Riccelli), um aproveitador do mais baixo calão que a estimula a seduzir o milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes) e se casar por interesse.

Responsável por unir em uma mesma novela duas das maiores vilãs da teledramaturgia, Gilberto Braga fala sobre a característica que marca a maior diferença entre Odete Roitman e Maria de Fátima, tornando-as personagens inesquecíveis.  “A diferença maior entre as duas é que Odete Roitman tinha o poder e Maria de Fátima queria chegar lá. O desempenho das duas atrizes ajudou muito a que alcançássemos o sucesso”, diz.

Glória Pires tinha apenas 25 anos quando deu vida a essa personagem, uma das mais importantes de sua carreira. A atriz relembra os momentos mais importantes deste trabalho.

Entrevista com Glória Pires

Você tinha apenas 25 anos quando interpretou Maria de Fátima. Qual foi o seu maior desafio na construção dessa personagem tão intensa?
Antes de qualquer coisa, preciso dizer o quanto adoro essa novela. O melhor do estilo Gilberto Braga está lá, com todas aquelas  tintas  do folhetim tradicional. O meu entendimento era que Maria de Fátima era uma personagem cerebral, eu busquei fazê-la desprovida de empatia, como os psicopatas são, em vez de acentuar os atos condenáveis que cometeu contra a própria mãe.

E como era fora das telas? Após fazer tanta maldade na ficção, você conseguia desligar da personagem quando não estava atuando?
Não são as ações más ou boas, que pesam na rotina da novela- são os sentimentos que levam àquilo, e nisso é que mora toda a questão do stress.

E o público, confundia muito a ficção com a realidade? Como era a repercussão nas ruas?
Acho que Vale Tudo inaugurou uma questão que eu não havia reparado antes, nas novelas, a empatia do público com a vilania. Isso é muito interessante porque a crítica social que a novela traz é muito próxima.

Como você classifica a Maria de Fátima?
Uma jovem mulher ambiciosa e sem empatia. Creio que se encaixa no perfil psicopata.

De todas as coisas que a Maria de Fátima aprontou, qual delas você considera a pior?
Sem dúvida, deixar a mãe desamparada.

Teve alguma cena que te marcou mais?
Houve uma cena que fiquei bloqueada. Era com o pai, Rubinho.  Ela o desclassificava, como “fracassado” que era, o humilhava.

Qual a importância da Maria de Fátima para sua carreira?
Foi um divisor de águas, na vida e na carreira. Foi com ela que passei à idade adulta e também para um outro patamar profissionalmente.


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