Entrevista com o eliminado do BBB 21: João Luiz

Divulgação Globo/João Cotta

João Luiz teve uma trajetória tranquila no ‘Big Brother Brasil’, mas nem por isso menos marcante que qualquer outra. No caminho, uma amizade de muita cumplicidade com Camilla de Lucas, desentendimentos com Pocah e Projota e um momento de embate direto com Rodolffo que exigiu coragem. Para lidar com as diferentes situações do game, apresentou-se como um jogador firme, mas, ao mesmo tempo, muito acolhedor com os companheiros de confinamento. O professor foi o décimo segundo eliminado do BBB 21, com 58,86% dos votos do paredão em que enfrentou um de seus desafetos, Pocah, e também Arthur. Olhando para trás, João trata seu percurso no reality com carinho, o mesmo que vem recebendo desde que deixou a casa. “Essa experiência, para mim, talvez tenha sido não só um divisor de águas, mas a própria água. Tudo mudou. Eu tinha uma vida que estava imersa nas dificuldades das aulas remotas, como professor. Ver o João que entrou em um reality como ele mesmo e agora saiu desse programa e tem pessoas que estão com ele e demonstram carinho por ele é o mais válido”, analisa. No papo a seguir, o mineiro recorda os momentos que viveu na casa, fala sobre a surpresa dos grandes encontros e amigos que pretende levar consigo e revela os planos para a nova vida pós-BBB.
 
O que foi para você a experiência de participar do ‘Big Brother Brasil’?
Tudo que eu já ouvi das pessoas desde que eu saí da casa foi um carinho que eu recebi. Eu consigo perceber que essa experiência, para mim, talvez tenha sido não só um divisor de águas, mas a própria água. Tudo mudou, muda e vai mudar. Uma pessoa hoje me reconheceu na rua, isso nunca aconteceu na minha vida. É muito doido ver que essa experiência é capaz de mudar tudo que eu tinha de vivência antes dela. Eu tinha uma vida que estava imersa nas dificuldades das aulas remotas, como professor. Ver o João que entrou em um reality como ele mesmo e agora saiu desse programa e tem pessoas que estão com ele e demonstram carinho por ele é o mais válido dessa trajetória. 
 
O que mais te surpreendeu no reality?
Eu não imaginava que eu me apegaria a pessoas de uma forma tão natural e tão forte. Muito disso é parte da minha amizade com a Camilla, que nem eu nem ela sabemos onde começou, em que momento começou, mas sabemos que começou. Eu pensei que entraria no BBB, conheceria e conviveria com outras pessoas durante três meses, mas uma hora daria beijos e tchau. Mas eu saí e já falei com a Thaís, já quero esperar a Camilla sair, daqui a 12 dias – porque quero que ela ganhe o programa, quero ter uma amiga milionária... As outras coisas você imagina, são situações em que você é colocado e é capaz de se ver nelas. Mas essa foi mesmo surpreendente para mim.
 
E o momento mais marcante da sua trajetória, qual foi?
Inegavelmente eu consigo pontuar a situação com o Rodolffo no jogo da discórdia. Foi um momento onde eu vi uma coragem em mim mesmo. Aquele momento foi muito importante para mim, assim como o que o Tiago falou depois, utilizando esse programa também como uma plataforma que leva conhecimento para muitas pessoas. É algo que acredito ter marcado a minha trajetória no programa, mas também me marca muito na minha trajetória individual. Fiquei muito contente comigo por conseguir fazer aquilo.
 
Por que você acredita ter sido eliminado nesse paredão – o seu primeiro, sem contar o paredão falso?
No BBB tem muita gente que não cai no paredão. É possível chegar ao terceiro lugar sem nunca ter enfrentado o voto popular. Só que a dinâmica é tão louca, e a gente fica pirando tanto com ela, que às vezes ela te força a ir ao paredão, como a esta altura do jogo. Talvez se eu tivesse identificado algumas coisas antes, pensado no que poderia me levar ao paredão, eu não fosse. E essas coisas podem ter acarretado na minha eliminação. Eu sozinho não consigo mudar isso, tem outras pessoas ao redor vivendo junto, jogando. Talvez se eu não tivesse caído no paredão agora eu não saísse, ou se tivessem sido outras pessoas junto comigo, poderia ter mudado minha trajetória no programa.
 
A sua percepção dentro da casa era muito diferente da percepção do público?
Eu sempre me considerei uma pessoa muito sociável, sempre disse que eu era muito comunicativo. E talvez isso possa ter sido interpretado como quem faz muita “média”. Eu não me arrependo da forma como lidei com as pessoas no confinamento, sempre foi com muito carinho, tentando ouvir quando necessário, ser firme quando necessário, me colocando nas situações. O que eu consigo perceber agora, vendo de fora, são as conversas que chegavam até mim de uma forma, mas na realidade eram completamente diferentes. Isso me assombra um pouco. Lá dentro a gente tende a acreditar nas coisas; eram as informações que eu tinha.
 
Essa sua relação mais amigável com as pessoas te beneficiou ou te prejudicou?
Eu acho que me beneficiou em muitos momentos, nas semanas quando fui alvo e nas que não fui. Mas também é uma faca de dois gumes. Se gente tende a acreditar e ser assim com as pessoas e elas não devolvem isso para a gente, aí tem um problema. Por isso acredito que, de algum modo, também tenha me atrapalhado.
 
O que faltou para ser um finalista do jogo?
Talvez eu pudesse ter sido mais firme. Consigo reconhecer, mas não fico com isso na cabeça, me martirizando por nada. Mas acredito que essa exigência da firmeza possa ter pesado.
 
Nas primeiras semanas você viu algumas pessoas próximas a você serem eliminadas, como a Karol Conká e a Lumena. Isso te assustou?
Karol, Lumena e Nego Di centralizaram as questões que foram geradas nas primeiras semanas do programa. Eu consigo identificar os pontos onde eu via que eles pesavam um pouco na mão, outros em que não pesavam. Na relação da Lumena com a Carla, por exemplo. Eu era muito próximo da Carla, mas também tinha um carinho especial pela Lu, por isso eu sempre apontava para elas mesmas onde uma ou outra não tinha mandado bem. Foram situações em que eu fui colocado, mas que com a saída delas não me desesperaram porque eu também vejo sempre a minha aliança com a Camilla. Eu não precisava ficar mal por essas pessoas que estavam saindo porque a gente tinha um ao outro. Ao longo do tempo nós dois fomos nos aproximando de outras pessoas, mas eu sempre percebi que era muito eu e ela mesmo.
 
O que gerou essa identificação entre você e a Camilla que fez com que ficassem juntos até a sua saída?
Antes de eu ser eliminado, ontem, ela me deu um abraço e disse: “Meu primeiro abraço”. Eu estava no gramado quando ela chegou ao BBB e fui a primeira pessoa a abraçá-la, junto com o Gilberto. A primeira prova de resistência ela fez com a Carla e eu com a Thaís, e querendo ou não ficamos ali horas grudados com pessoas desconhecidas, e isso vai aproximando a gente. Mas é estranho porque isso foi em uma segunda-feira, mas logo na quinta-feira, na prova do líder da primeira semana, a gente já estava de mãozinhas dadas, se olhando e falando: “Vamos fazer a prova juntos?”. Eu realmente não sei o momento que marca a minha aliança com ela, mas eu consigo saber e sentir que foi algo muito natural. Tem amizades que eu construí durante anos com algumas pessoas em que eu não tive a conexão que tive com ela, com isso de apenas no olhar saber identificar algo, saber quando o outro está bem e quando está mal. Amigo é isso, não é no momento mais feliz, é em todos os momentos. E ela esteve comigo nos meus momentos, tantos nos melhores quanto nos piores. 
 
Que outras pessoas você deseja levar com você na vida aqui fora?
A Thaís, que é um amor de pessoa, Carla, Juliette e até a própria Lumena – acho que temos muito o que conversar. Fora o Gil do Vigor, com quem senti algo parecido à Camilla. Durante o programa tivemos caminhos diferentes, mas sempre conseguimos manter um vínculo. São pessoas que quero levar para minha vida.
 
O que provocou o seu desentendimento com a Pocah?
Esse desentendimento aconteceu por um histórico. Eu cheguei a puxar ela para um paredão (na semana do paredão falso) e votei nela. E eu não me chateio pelo voto, não; acho que se você dá um voto, tende a receber um futuramente, é uma das essências do programa. Quando puxei a Pocah para o paredão foi porque eu tinha dúvidas sobre ela. Todos os amigos próximos dela tinham saído e eu não sabia qual caminho ela seguiria no jogo. E lidar com incógnitas no BBB é um problema. Depois disso, ficamos numa “bandeira branca”. Mas eu também não posso me isentar das relações que construí ao longo do programa. Na reta final, quando votei novamente nela, não foi na justificativa da dúvida, foi por perceber outras coisas se desenhando ao longo do confinamento, como o fato de nós dois nos afetarmos muito com as coisas. Quando eu ganhei o anjo e dei o monstro para ela, tivemos uma outra virada na nossa relação. O que mais me chateou foi uma conversa que a gente teve em que ela disse que preferia se afastar de mim. Se alguém me diz que eu não estou o deixando bem, eu entendo que estou fazendo mal, e isso conflita um pouco com a minha sociabilização. Eu fico pensando: “Poxa, mas eu sou uma pessoa legal, por que tem que ser assim?”. Mas, se tem que ser assim, vamos nessa. Eu acho que consegui respeitar o espaço dela. Tenho certeza que aqui fora vamos nos dar super bem, mas lá dentro tivemos pequenas faíscas.
 
E com o Projota, o que acontecia?
Eu votei nele na terceira semana, votei na quarta e, quando ganhei a liderança, na quinta semana, indiquei ele ao paredão, com a mesma justificativa. Ou seja, tinha três semanas em que eu estava pensando sobre o que estava acontecendo. A cartada, para mim, foi o jogo da discórdia das plaquinhas na cabeça. Ele me marcou muito porque eu consegui ver um lado do Projota que eu não tinha visto ainda, de falar coisas sobre mim, me apontar. E uma coisa que me incomoda muito é ser interrompido enquanto eu estou falando porque eu já fui muito interrompido na minha vida, nunca consegui falar muito. Quando ele fazia isso, conseguia me tirar um pouquinho do sério. Por isso, naquele jogo da discórdia, eu falei: “Espera aí que eu estou falando”. Acho que a minha situação com ele foi um lance que não bateu mesmo, não concordava com a forma como ele levava as coisas no jogo.
 
Você se arrepende de alguma coisa ou teria feito diferente, se pudesse?
Não. Eu acho que eu seria super forçado, se tentasse fazer diferente. Tudo que fiz, falei e precisei fazer foi muito do meu jeitinho mesmo.
 
Qual foi seu maior aprendizado nessa participação?
Saber que nem todas as pessoas por quem a gente cria carinho têm semelhanças com a gente. No BBB eram 20 pessoas com características, trajetórias de vida e histórias completamente diferentes. Eu me via em situações que estava conversando com pessoas que eram muito diferentes de mim, e aqui do lado de fora eu pensaria: “Nossa, a gente não tem nada em comum”. Mas na verdade a gente tinha, eu só precisava saber disso. Acessar as pessoas, conversar e buscar saber sobre sua história é um grande aprendizado que eu vou trazer aqui para fora.
 
Quem integra o seu pódio a partir de agora? E quem ganha R$ 1,5 milhão?
Camilla, Juliette e Gil são meu top 3. E eu vou acreditar na minha amiga levando o prêmio, sim, que eu não sou bobo nem nada! Vou fazer mutirão, quero que ela vire milionária (risos)!
 
O que pretende fazer daqui por diante? Quer voltar às salas de aula?
Vamos trabalhar, fazer dinheiro (risos). Mas, brincadeiras à parte, o BBB me proporcionou muita coisa e tenho certeza que vai proporcionar ainda mais daqui para frente. Eu vou avaliar tudo que vou fazer e quero utilizar as plataformas sociais para falar sobre coisas que realmente me movem e me motivam a estar aqui. Acho que a gente precisa muito de figuras falando sobre educação, e isso é muito importante. Quero falar sobre livro, série, filme... Acho que temos que falar sobre as coisas que a gente gosta e podem ser usadas como aprendizado.
 
O 'BBB 21' tem direção geral de Rodrigo Dourado e apresentação de Tiago Leifert. O programa vai ao ar segundas, terças, quintas, sextas e sábados, após ‘Império’, quartas, após o ‘Futebol’, e domingos, após o 'Fantástico'.
Anderson Ramos

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