Só uma fase? Conheça Ângela, personagem do especial 'Falas de Orgulho'

Divulgação Globo

Não foi só uma fase. Hoje, aos 69 anos, Ângela faz planos de se casar com Willman, sua companheira há 26 anos, assim que a pandemia acabar. Enfermeira e aposentada, Ângela conheceu o amor de sua vida entre um plantão e outro, em um hospital onde trabalhou em São Paulo. "Eu a achava muito competente como profissional, muito comprometida, e ficava admirando", relembra, apaixonada, os momentos que antecederam uma história de parceria e companheirismo. A descoberta de sua sexualidade não foi algo simples. Ela relata que desde a adolescência sabia que não corresponderia às expectativas de sua família. “Quando tinha uns 16 ou 17 anos cheguei a ter uns namoradinhos, mas eu nunca gostava. O tempo foi passando e percebi que eu tinha uma atração maior pelas minhas amigas”. Ângela é uma das personagens de 'Falas de Orgulho', especial que a Globo exibe em 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT, logo após 'Império'.
 
A admiração por Willman não passou disso em um primeiro momento. Logo após esses primeiros encontros, Ângela foi trabalhar em outro hospital e as duas perderam contato. E foi só depois de 10 anos que o reencontro aconteceu. "Uma amiga minha que trabalhava em um pronto socorro me disse que estava trabalhando com a Willman. Pedi o contato dela e nos encontramos. No dia seguinte, fomos almoçar. No outro, busquei ela no serviço e ela fez um jantar para mim. E desde esse jantar, nunca mais nos separamos", revela.
 
Apesar do amor inseparável, Ângela precisou passar boa parte de sua vida mantendo esse relacionamento às escondidas. Com medo da reação dos pais, que sempre diziam que a filha deveria sair de casa somente ao se casar - com um homem -, a enfermeira apresentou a namorada para a família como "amiga" e logo passaram a morar juntas. Mas foi somente em 2015, após uma entrevista para o Portal G1 sobre o casal formado por Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro na novela 'Babilônia, que os parentes de Ângela souberam de sua sexualidade. 
 
Confira mais sobre a história de Ângela na entrevista abaixo
 
Como você e Willman se conheceram?
Eu conheci a Willman há 35 anos. Eu fui trabalhar no mesmo hospital em que ela trabalhava como auxiliar de enfermagem. Enquanto fomos nos conhecendo, eu a achava muito competente, muito comprometida. E eu ficava admirando. Quando eu fui trabalhar em outro hospital, ficamos quase 10 anos sem nos vermos. Até que um dia uma amiga minha que trabalhava em um pronto socorro me falou que estava trabalhando com a Willman. Pedi o contato dela e nos encontramos, fomos tomar uma cerveja. No dia seguinte, fomos almoçar. No outro, busquei ela no serviço e ela fez um jantar para mim. E desde esse jantar, nunca mais nos separamos.
 
Como foi a descoberta da sua sexualidade?
Não foi fácil. Quando tinha uns 16 ou 17 anos cheguei a ter uns namoradinhos, mas eu nunca gostava. Mas não me atinava que talvez a minha sexualidade fosse outra. O tempo foi passando e percebi que eu tinha uma atração maior pelas minhas amigas, mas eu não imaginava que seria isso. A minha família sempre foi muito religiosa e eu acreditava que estaria em pecado se ficasse com uma menina, que aquilo não estaria certo. Mas a atração pela outra pessoa acaba falando muito mais alto. Você não consegue tirar isso da sua cabeça e, com o passar do tempo, vai aceitando que você é diferente.
 
Sua família sabia do seu relacionamento? Como foi a recepção deles?
A minha mãe não sabia do meu relacionamento com a Willman. Ela chegou a morar com a gente pouco antes de falecer, aos 96 anos, e, apesar de lúcida, ela nunca deu a entender que desconfiava de nada. Sair de casa foi um processo muito difícil pra mim. Meus pais achavam que eu tinha que sair só quando casasse com um homem, foi difícil dizer a eles que eu ia morar com uma amiga. Eles gostavam da Willman e da família dela, mas eles não iam entender o relacionamento. Na época da novela 'Babilônia', duas amigas indicaram eu e Willman para dar uma entrevista para o G1 aqui da cidade. A gente achou que não ia dar em nada, mas esse pessoal mais jovem acha tudo! O sobrinho da Willman entrou no G1 e postou a nossa entrevista. Graças a Deus, não tive ninguém que fosse contra. Todo mundo me deu apoio. Eu tirei um grande peso das minhas costas.
 
Você atualmente é muito envolvida na comunidade LGBTQIA+. O que ainda falta ser conquistado?
Conquistamos muita coisa até agora, mas acho que os casais homossexuais deveriam ter os mesmos direitos que qualquer outro casal. A Parada LGBT geralmente ajuda muito a dar essa visibilidade às causas. Não estamos ali só bebendo e brincando, estamos lutando por direitos, por coisas que estamos precisando. Por exemplo, eu e Willman estávamos planejando nos casar pouco antes da pandemia. Quero oficializar logo a nossa união, não só pelo afeto, mas também porque já estamos com uma certa idade e a questão da divisão de bens pode dar muito trabalho para casais LGBTs sem a oficialização de união estável.
 
O projeto
 
'Falas de Orgulho' mostrará a jornada de oito personagens de diferentes idades, regiões, trajetórias de vida e religiões – e por trás delas, histórias de superação, preconceito e auto aceitação, passando por temas transversais às letras que formam a sigla LGBTQIA+ – que culminam na celebração de poder ser quem se é e na exaltação dessas vozes. O especial tem direção artística de Antonia Prado, direção de Washington Calegari e roteiro assinado por Carlyle Junior, com produção de Beatriz Besser. Rafael Dragaud é o diretor executivo e Mariano Boni, diretor de gênero. O especial vai ao ar no dia 28 de junho, logo após 'Império'.
Anderson Ramos

Um site sobre TV paga com as principais noticias envolvendo o setor, e suas principais operadoras. Além das novidades dos canais e streamings! facebook twitter instagram

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do O Universo da TV. OBS: Comentários Ofensivos ou Irrelevantes e os que conter publicidades serão todos excluídos.

Postagem Anterior Próxima Postagem