Caminhos da Reportagem aborda a Síndrome de Burnout neste domingo

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A edição inédita do programa Caminhos da Reportagem investiga um distúrbio específico do ambiente corporativo que é resultado de níveis devastadores de estresse. É a Síndrome de Burnout. O termo, traduzido do inglês, significa queimar completamente. A matéria "Burnout: a síndrome do excesso de trabalho" é apresentada neste domingo (24), às 20h, na TV Brasil.

A atração jornalística da emissora pública revela como a exaustão laboral pode levar ao burnout. A reportagem explica os sintomas, destaca os tratamentos e traz exemplos de quem passou por isso e mudou de vida.

A produção consulta profissionais das áreas de psicanálise e psicologia que oferecem uma análise especializada. O programa ainda entrevista pessoas que sofreram a doença e compartilham depoimentos marcantes. A pianista Duly Mittelstedt e a jornalista Izabella Camargo contam suas experiências.

Efeitos do esgotamento profissional

A palavra Burnout surgiu, pela primeira vez, em 1974 e, desde então, a síndrome afeta cada vez mais indivíduos. Só no Brasil, cerca de um terço da população já enfrentou a mazela. O país só perde para o Japão, onde 70% das pessoas lidam com as consequências do excesso de trabalho.

O psicanalista e professor da USP, Christian Dunker, explica que o Burnout não acontece porque você passou um fim de semana sem dormir para entregar um projeto. "A hora que você passa meses, a hora que você entra em anos fazendo isso, você começa a se arriscar a fazer uma espécie de pane geral", diz.

Foi o que aconteceu com Duly Mittelstedt. Trabalhando sem parar como pianista e professora de piano, ela afirma que um dia o cérebro dela cansou de decodificar sons. Duly não conseguia ouvir nada. Precisou parar, fez musicoterapia e mudou o ritmo de vida para se recuperar.

A jornalista Izabella Camargo corria contra o tempo para dar conta de todas as funções. Descobriu que estava com burnout depois de passar por cinco especialistas para tratar de 25 sintomas. Quando voltou da licença médica, a profissional foi demitida. Hoje, ela dá palestras de prevenção ao estresse no trabalho e tem uma vida mais equilibrada.

Burnout integra CID a partir do próximo ano

Em 2022, por determinação da Organização Mundial da Saúde, o Burnout passa a fazer parte da nova Classificação Internacional de Doenças, conhecida como CID. De acordo com Ana Maria Rossi, psicóloga e presidente do ISMA Brasil, a novidade trará muitos benefícios.

"Em primeiro lugar, para o empregado, para o trabalhador, que poderá subsidiar essa queixa de burnout, que hoje em dia ainda é muito superficial, ela não tem um embasamento legal", explica Ana Maria em entrevista à equipe da TV Brasil.

A pandemia aumentou o número de pessoas no limite do estresse. Um levantamento do portal de saúde Pebmed mostrou que 83% dos médicos da linha de frente sofreram burnout. O teletrabalho também piorou a situação de outros trabalhadores. As vidas particulares e profissionais acabaram se fundindo, o que levou muita gente a fazer jornadas mais extensas.

Segundo a coordenadora nacional de Igualdade, do Ministério Público do Trabalho, Adriane Reis, essa nova realidade prejudicou ainda mais as mulheres. "Como no Brasil nós temos uma sociedade patriarcal em que a mulher ainda é vista como a responsável pelos cuidados familiares e, nesse momento pandêmico, houve fechamento de escolas, ficou muito mais complicado para as mulheres conseguirem compatibilizar a jornada profissional e a jornada familiar", ressalta.

Desafios para a identificação do distúrbio

O diagnóstico da síndrome ainda é um desafio, já que muitos sintomas são similares aos da ansiedade e da depressão. Medicamentos para as duas doenças são, inclusive, usados no tratamento. Mas pesquisadores avaliam o efeito do canabidiol para os casos de burnout.

Quem já passou por isso diz que medicamentos e terapias não são suficientes sozinhos. "Não adianta você tomar remédio, fazer terapia e continuar no ambiente estressor. Ou não adianta o ambiente mudar e você continuar com comportamentos nocivos para a sua saúde", resume Izabella Camargo.

A jornalista completa o raciocínio. "Não tem problema nenhum você vestir a camisa da sua empresa, desde que você também vista o seu pijama, desde que você também vista uma roupa para fazer uma atividade física, desde que você também vista para uma atividade de lazer", completa.

As pessoas que participam desta edição do Caminhos da Reportagem abrem o coração para falar como outras atividades podem contribuir no tratamento e melhorar a rotina como resultados de ações simples. Para eles, a mudança de hábitos, com o desenvolvimento de atividades como ioga e meditação, ajuda nesse processo.
Anderson Ramos

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