"O Aldir era tão genial, que quando a censura censurava uma letra, ele vinha com uma melhor", afirma João Bosco no Persona

Créditos: Mariana Carvalho

O Persona deste domingo (24/10) recebe o artesão de emoções, que exalta como ninguém as lutas inglórias que através da nossa história não esquecemos jamais. Compositor da "esperança equilibrista", "dança na corda bamba de sombrinha" e "sabe que o show de todo artista tem que continuar", João Bosco é entrevistado por Atilio Bari e Chris Maksud, às 21h, na TV Cultura.

Sobre sua infância, vivida na zona da mata de Minas Gerais, em Ponte Nova, João Bosco conta sobre a influência musical de sua avó, que gostava de tocar bandolim, e de sua irmã mais velha, que tocava piano. E também relembra a primeira vez que ouviu o som da radiola: "Eu achava que só a radiola é que continha o contrabaixo, eu não achava que contrabaixo era instrumento." O compositor ainda fala sobre o período em que cursou engenharia civil e foi estudar em Ouro Preto, e diz: "(Cursei) mas sempre sabendo que a minha engenharia mesmo tinha seis cordas. Era a música."

"Ah, isso foi mágico na minha vida", afirma ao comentar do dia em que conheceu Vinicius de Moraes, tocou um samba a ele, e juntos deram origem ao Samba de Pouso, letrado por Moraes. "Essa geração do Vinicius de Moraes, do Antonio Carlos Jobim, do Dorival Caymmi, essa é a geração da generosidade. Essas pessoas abriam suas portas pra todos, sem distinção, sempre foi assim", completa.

Na edição, o compositor também lembra de Gilberto Gil, Clementina de Jesus, Elis Regina e Aldir Blanc. "O Aldir era tão genial, que quando a censura censurava uma letra, ele vinha com uma melhor. Só o Aldir conseguia fazer isso (...) Então a censura com ele não se dava bem", afirma sobre as músicas feitas na época da ditadura.

Quanto à composição O Bêbado e a Equilibrista, eternizada na voz de Elis Regina, João Bosco relembra: "Essa canção é a voz da Elis. (...) E essa canção, então, toma conta do Brasil e o brasileiro se identifica com essa canção como sendo aquela que chama de volta pra casa aqueles que tinham sido exilados e eles, então, podem voltar pra casa."

O Persona ainda apresenta depoimentos de Nelson Angelo, Rildo Hora, Hermínio Bello de Carvalho, João Donato e Hamilton de Holanda. E no quadro Mestre da Persona, um passeio pela história de Vinicius de Moraes.
Anderson Ramos

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