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#BBB22 Entrevista com o eliminado: Gustavo

Divulgação Globo/João Cotta

Gustavo não chegou ao ‘Big Brother Brasil’ da maneira mais convencional. Quase um mês depois da entrada dos primeiros participantes, apareceu de surpresa, ao lado de Larissa, na casa de vidro instalada na academia da residência. Por decisão do público, teve a chance de viver a experiência completa de um confinado. Ao entrar no BBB, “chamou seu vulgo malvadão” e foi logo dizendo o que pretendia: movimentar o jogo. E assim fez. Com sua estratégia de mandar à berlinda quem vinha fugindo de sucessivos paredões, conseguiu deixar nas mãos do público o poder de decidir pela saída de algumas pessoas, especialmente os “lollipopers”. A casca de durão, no entanto, se desmanchou em poucos dias, depois que engatou um romance com Laís e deixou claros seus sentimentos pela médica. Mostrou um lado carinhoso não só com a goiana, mas também por meio de sua sensibilidade e empatia com os colegas de confinamento, apesar do posicionamento arriscado. Contudo, a passagem pelo reality findou no ‘Top 6’. Na última terça-feira, dia 19, o paranaense foi eliminado com 81,53% dos votos ao enfrentar Eliezer e Paulo André no paredão. Agora fora da casa, o bacharel em Direito avalia que conseguiu  cumprir seu objetivo na competição: “Eu sempre falei que meu maior medo era participar do programa e não marcar a edição de alguma forma, de ser aquele participante esquecido na temporada, entre os 22 nomes. Eu acho que isso não vai acontecer. Sempre quando lembrarem desta edição, vão se recordar do ‘caçador de lollipoper’, do cara que entrou depois e começou a ‘mirar’ as pessoas que estavam escondidas no jogo”, declara.
 
No papo a seguir, Gustavo conta mais sobre sua estratégia na competição, comenta o critério de votação que utilizou no BBB, avalia o jogo de outros confinados e revela planos para a vida pós-reality, que incluem a tentativa de manter o relacionamento com a ex-participante Laís.
 
Quando entrou na casa de vidro, você falou que seu objetivo era movimentar o jogo dos confinados. Acredita ter usado a melhor estratégia para isso?
Eu acredito que sim, porque eu consegui movimentar o jogo sem ferir meus princípios e meu caráter. E acho que se eu não tivesse entrado no jogo com essa estratégia, não teria tido tanto tempo de programa. Acredito que o público realmente abraçou a minha ideia, a minha estratégia, que era algo que eu, como espectador nas duas primeiras semanas, sentia falta no BBB. Tanto é que a outra pessoa que entrou comigo teve esse discurso, mas não teve os atos que eu tive, e acabou saindo no seu primeiro paredão. Então, eu acho que foi a estratégia correta para o momento do jogo, sim.
 
Você ficou conhecido como o “caçador de Lollipopers”, mas enfrentou um deles no paredão e acabou saindo. Por que acha que foi eliminado nessa berlinda?
Eu falei que meus alvos, na verdade, eram as pessoas que estavam na sombra, mas, coincidentemente, todo mundo que estava na sombra era ‘lollipoper’. Então, tudo bem, eu aceito a expressão numa boa. Falando do paredão em que eu saí, eu não acho que quem me tirou tenha sido a torcida do Eli. Foi outra coisa: a torcida do Arthur.
 
Como você avalia seu desempenho na competição?
Eu estou muito feliz. Sem falta de humildade, eu acho que fui muito importante para o jogo, consegui cumprir o objetivo de quando eu entrei na casa, que era movimentar o jogo. Depois, mais de uma pessoa veio falar comigo: ‘Eu despertei no jogo quando você entrou’. Eu sempre falei que meu maior medo era participar do programa e não marcar a edição de alguma forma, de ser aquele participante esquecido na temporada, entre os 22 nomes. Eu acho que isso não vai acontecer. Sempre quando lembrarem desta edição, vão se recordar do ‘caçador de lollipoper’, do cara que entrou depois e começou a ‘mirar’ as pessoas que estavam escondidas no jogo.
 
Apesar de estar focado em competir, você viveu um romance com a Laís na casa. Como essa relação mexeu com o seu jogo? 
Eu já via a Laís e a achava atraente na TV, mas eu não esperava viver um romance, um sentimento tão grande. Tanto que quando eu entrei, falei que sabia diferenciar muito bem o sentimento do game e que isso não iria abalar meu jogo. Mas em um primeiro momento que marcou o programa, que foi quando eu sabia que ia ao paredão e precisava de um voto para desempatar com o Eli, que a Naty promete que não vai votar em mim e vota para salvar o Eli e a Laís não faz o mesmo comigo, eu percebi que eu não sabia diferenciar tão bem o sentimento do jogo. Eu entendi os motivos dela por não ter votado no Eli e respeito; ela já tinha um mês de convivência com ele, eram aliados e amigos. Teve também aquele jogo do Bate e Volta insano, contra o Arthur e a Jade, que eu consegui escapar. Só que ela também entendeu o meu lado de ficar chateado, tanto que depois eu conversei com ela, no outro dia, e achei melhor a gente se separar para eu poder realmente só pensar no jogo. Mas passou um dia e eu não consegui ficar olhando para ela sem poder beija-la. Aí eu falei: ‘Olha, quer saber? É melhor sofrer só no domingo do que de segunda a sábado. E já que a gente não é aliado no jogo, eu vou continuar o meu’. Portanto, eu acho que isso não abalou o meu jogo, tanto é que depois eu continuo com a mesma proposta, indo nas pessoas que eram aliadas dela. Não mexeu comigo, não vejo que isso tenha atrapalhado a minha estratégia e o meu discurso. Pelo contrário, eu acho que só quem está lá que passa. A nossa cabeça fica muito pilhada lá dentro. Então, a Laís era muito importante para mim, para ter um momento de sair, de esvaziar a cabeça, pensar em coisas boas e não ficar só naquela neurose de jogo, jogo, jogo; e ter também momentos de paz lá dentro, até para poder desenvolver o jogo melhor. É importante ter esses momentos com alguém que você possa vivenciar outras coisas além da competição. No final, acredito que o meu relacionamento com ela foi um ponto positivo para o meu jogo.
 
Foi uma estratégia sua ou uma paixão? De ambas as partes?
Da minha parte foi paixão (risos). Ontem, no ‘Bate-papo’ com a Rafa Kalimann, eu vi um vídeo dela falando com a Jade, antes de a gente se beijar ainda...mas eu já conversei com ela ontem e não fiquei bolado, não. Acredito que aquilo ali tenha sido antes de ela me conhecer. E depois que ela me conheceu, não foi só estratégia, não. Realmente rolou uma química bem legal entre nós. Então, se em um primeiro momento, para ela foi estratégia, eu acredito que depois tenha virado um sentimento genuíno.
 
Como enxerga esse relacionamento aqui fora? 
A gente conversou bem pouco: no programa da Rafa e depois a gente fez uma videochamada rápida, em que ela e minha mãe já estavam best friends. Eu ainda nem liguei meu celular, falei com ela pelo da minha mãe. Vou ficar no Rio até a próxima semana e ela já está vindo para cá também. A gente vai sentar e conversar. Eu quero que dê certo, a gente vai tentar. É óbvio que as nossas vidas são totalmente diferentes: ela mora a quase 2 mil quilômetros de distância de mim. Mas eu quero tentar viver um amor aqui fora com ela.
 
Logo que chegou na casa, você mencionou que seu jogo era arriscado. Depois de um tempo, acabou formando um grupo com Douglas, Pedro Scooby, Paulo André e Arthur. Imaginava fazer amigos no BBB? 
No meu primeiro jogo da discórdia, o Tiago fez um discurso segundo o qual o jogo se constrói com base nas relações. Mas eu sabia que eu estava entrando em um jogo no qual relações já estavam formadas, então eu não poderia ter esse mesmo discurso. Eu não tive o privilégio de ser prioridade para alguém porque as prioridades já estavam estabelecidas. Quando eu comecei a me aproximar do D.G., do Scooby e do P.A., eu sabia que eles eram um trio e que eu seria o quarto ou o quinto – já que o Arthur tinha uma relação muito forte com o P.A. Mas isso nunca me doeu ou gerou ciúmes porque eu sabia que havia chegado depois no bonde. Um dia lá vale como dez. Eu entrei [na casa de vidro] 25 dias depois, que equivale a quase um ano de relacionamento que as pessoas já tinham formado. Eu sabia que estava para trás. Mas a gente foi construindo essa relação e, graças a Deus, eu tive a oportunidade de ficar até o final e fortalecer esses laços. O Arthur nem tanto, mas com certeza o D.G., o P.A. e o Scooby eu vou levar para a minha vida inteira.
 
O fato de ter entrado algumas semanas depois no jogo te beneficiou de alguma forma ou atrapalhou a construção das relações com os demais participantes?
A respeito das relações com outros participantes, eu acho que não beneficiou. Mas em relação a estratégia de jogo, sim, porque ali eu era um espectador que sabia que faltava no programa alguém que não ficasse no comodismo. Como eu já fui com essa mentalidade, acho que ficou muito mais fácil a minha percepção de escolher com qual estratégia eu deveria seguir no jogo. As relações eu digo que a casa de vidro prejudicou no sentido de que eu não era pódio nem prioridade de ninguém, a não ser da Laís – depois que as amigas dela já tinham saído. Mas para a minha estratégia e para o jogo que eu gostaria de fazer foi bom ter entrado depois.
 
Apesar de fazer parte de um grupo, você teve algumas discordâncias com o Arthur. Como avalia o jogo dele?
O Arthur é um gênio porque é um cara que sabe jogar com o público. Eu só acho que havia algumas divergências na fala dele que talvez o público aqui fora não conseguisse perceber. Ele falava que jogava sozinho, mas não jogava. Ele dizia que era perseguido, mas não tinha sido indicado pela casa até a semana passada, em que nós mesmos tivemos que votar nele depois de um critério que estabelecemos como o mais justo. E, mesmo assim, ele não conseguia entender. O critério – e me arrependo da forma como falei – era ‘o último a ir ao paredão’, só que teve o paredão falso, que de falso não tem nada; é um paredão-dinâmica. Mas eu falei: ‘Cara, você não teve risco de sair. Teu último risco de sair da casa foi lá no paredão 7 com a Jade’. E ele não entendia, dizia que nós tínhamos nos juntado para combinar voto nele. Ele estava sempre se colocando naquele lugar de excluído, de sozinho. E quem acompanhou edições anteriores sabe que isso gera muita empatia do público com quem tem esse discurso de exclusão. Eu não consigo fazer esse discurso de vítima, de solidão, ainda mais quando não existia isso que ele plantava. Era ele quem se isolava. Depois quando foi conveniente, ele se juntou com os meninos e ainda assim continuou com o discurso de que era sozinho, que ninguém jogava com ele – quando não era verdade. Então, ele é um gênio por saber jogar dessa forma, é um ator nato e muito bom, por sinal. Mas a gente tem muitas diferenças, acho que a gente não vai ter uma relação aqui fora porque temos personalidades muito distintas. Eu sei que ele tem um bom coração, é uma pessoa boa, mas no quesito jogo ele plantou um discurso que o público comprou como verdade. Mas, quem estava ali dentro enxergava outras coisas, que talvez aqui fora não fossem tão óbvias.
 
O critério de escolha de voto entre o seu grupo nessa última semana foi por quem tinha mais tempo sem ir ao paredão. Na sua visão, essa foi uma estratégia confortável?
De confortável não tem nada porque com essa estratégia a gente sabia que era paredão, sim, paredão, não. Você ia acabar estando no paredão. Mas, olhando de fora, é confortável porque não gera incômodo. Quando você tem um critério pré-estabelecido, você acaba ficando fora dos conflitos, que são o que realmente movimenta o jogo. Então, agora olhando de fora com uma visão mais de espectador do que de participante, entendo que esse critério pode ter gerado conformismo nesse sentido de gerar incômodo. Mas não gera comodismo porque a gente sabia que estaria na berlinda de qualquer forma, já que não seria sempre o último da lista. Haveria sempre dois ou três na sua frente para intercalar. 
 
Teria feito alguma coisa diferente em sua participação no reality? 
Teria ficado amigão do Arthur. Eu iria grudar nele, bajular, dar pão para ele todo dia (risos).
 
Quais foram os pontos altos do seu confinamento?
Os pontos altos eu digo sempre que foram as voltas do paredão. Mesmo antes de ir ao paredão eu sabia que, para viver a melhor experiência, você tem que passar pela pior. E não existe sentimento melhor do que chegar na terça-feira ou no dia de eliminação e o Tadeu não falar seu nome. É muito bom! A prova Bate e Volta que eu ganhei contra o Arthur e a Jade também foi um negócio de outro mundo, acho que foi a maior virada num jogo já registrada. A Laís também foi um ponto alto da minha trajetória. E a minha amizade com os meninos – o D.G., o Scooby e o P.A.
 
Você pretende manter essas amizades aqui fora?
Com certeza. Eles e a Laís são quatro pessoas que eu vou levar para a vida. Sei que não vou ter contato com muitos participantes. Esses quatro são os que eu acho que vou ter mais relacionamento, mas existem pessoas que eu quero muito encontrar. A Lina é uma pessoa com quem eu adorava conversar; quero tomar uma cervejinha com a Jessi; quero ver a Naty desfilar no sambódromo. 
 
Na sua visão, quem está jogando melhor no programa e por quê?
A resposta é óbvia: o Arthur. Ele joga com o público com maestria. Ele consegue pintar um cenário de solidão, de perseguição que não existe. E agora, no final, eu acho que o Eli também está jogando bem porque ele percebeu que a torcida do Arthur está forte e grudou no ‘bichinho’. Vai garantir a final com isso.
 
Quem acha merece vencer o ‘BBB 22’?
Hoje a minha torcida vai para o P.A. Falei várias vezes que o D.G. foi o primeiro que eu tive contato, o cara que me abriu as portas, o primeiro que me acolheu. O Scooby tem aquele jeito ‘maluco beleza’ dele. Só que o P.A. é hoje a pessoa que eu mais torço para ganhar o prêmio, pelo jeito dele, pela família, pelo filho, por tudo... ele é a pessoa que tem minha torcida.
 
Que rumos profissionais e pessoais pretende seguir nesta fase pós-BBB? 
Eu tenho que ver como está esse mundo pós-BBB, mas eu nunca escondi que eu tenho um projeto de abrir uma empresa ramo gastronômico. Eu quero aproveitar também essa visibilidade para criar um canal de culinária, de receitas. Também vou estar aberto a novas propostas que podem surgir nesse cenário, mas esse meu projeto vai sair, sim, sem dúvidas. Só não vou dar detalhes senão alguém rouba minha ideia e vai dar ruim pra mim (risos). Mas eu boto muita fé no meu negócio e, em breve, vocês saberão o que é.
 
O 'BBB 22’ tem direção artística de Rodrigo Dourado, direção de gênero de Boninho e apresentação de Tadeu Schmidt. O programa vai ao ar de segunda a sábado, após ‘Pantanal’, e domingos, após o 'Fantástico'.

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