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Podcast original Globoplay 'Mulheres na Independência' traz personagens icônicas da história do Brasil

Divulgação

Há 200 anos o Brasil proclamava a sua independência em relação a Portugal, inscrevendo na história o protagonismo dos homens neste marco para o país - e deixando uma lacuna nos livros de história e documentos oficiais da época, que foi o papel importantíssimo das mulheres no movimento libertário. E é justamente este outro lado que a roteirista Antonia Pellegrino e a historiadora Heloísa Starling iluminam no podcast 'Mulheres na Independência', um original Globoplay, disponível na plataforma a partir desta quarta-feira (03). A série narrativa é desdobrada em seis episódios, cada um deles narra a trajetória de uma das seis brasileiras que protagonizaram lutas espalhadas pelo país, exercendo variados papéis que influenciaram diretamente o movimento político e social brasileiro.   

O ponto em comum entre estas heroínas é, segundo Antonia: "Todas as seis personagens são mulheres que se insurgiram contra as regras do seu tempo e não aceitaram o lugar subalterno que a sociedade daquela época as colocava. Elas estavam decididas a governar as próprias vidas e levaram a sério um projeto de independência para o Brasil. Fizeram esta disputa a partir de lugares distintos, mas com o mesmo objetivo: ter voz pública". 

Narrada por Pellegrino e com o contexto histórico apresentado, a cada episódio, por Heloísa Starling, a história de cada personagem é acompanhada pela presença de convidadas especiais. Como, por exemplo, a cantora e compositora Teresa Cristina, responsável pela leitura de versos de uma poetisa contundentes escritos por uma poetisa de 13 anos. “A série apresenta um formato que permite estas surpresas”, destaca Antonia. O desenho proposto para o podcast é o de ‘multiplots’ – micro séries dramáticas que se alinham em um mesmo sentido de construção das histórias, por meio dos seus pontos de convergência. "À medida em que acompanhamos a narrativa do podcast, que segue uma ordem cronológica, é como se uma mulher passasse o bastão para a outra, de modo a criar unidade e tensão", diz Pellegrino.   

A ideia surgiu a partir do Sete de Setembro de 2021 e começou a ganhar corpo em janeiro de 2022. Durante o desenvolvimento do podcast, o projeto foi se expandindo e se transformando em um amplo movimento colaborativo. Bom exemplo disso é a criação do livro ‘Independência do Brasil: As mulheres que estavam lá’, que aprofunda e expande a histórias destas mulheres. O livro é organizado por Pellegrino e Starling, que assinam dois dos sete perfis, e será editado pela Bazar do Tempo. 

Outro exemplo é o #FestivalAgora, evento de mulheres, com curadoria da dupla Pellegrino Starling, e que, no dia 13 de agosto, no MAM, terá três mesas dedicadas ao tema das mulheres na independência e sediará o lançamento do livro, ‘Independência do Brasil: As mulheres que estavam lá’. A medida em que o projeto avança e sai do papel, gera o engajamento espontâneo de diferentes personalidades. Além de Teresa Cristina, a cantora Zélia Duncan também se encantou pelo projeto e participa ativamente compondo canções alinhadas com a temática e em homenagem às grandes heroínas retratadas pelas obras. Ela irá apresentar algumas destas canções no lançamento do livro, dia 13.   

Sobre os episódios   
O ‘Mulheres na Independência’ conta as histórias, pouco reconhecidas neste contexto histórico, de personagens como: Hipólita Jacinta, Bárbara de Alencar e Maria Quitéria de Jesus. Além de apresentar mulheres ainda bastante – ou totalmente – desconhecidas que desempenharam um papel importante nesse processo, como Maria Felipa de Oliveira, que liderou um batalhão feminino nas lutas pela independência na Ilha de Itaparica, na Bahia. Outra linda história é a de uma personagem que ficou 200 anos esquecida: Urânia Vanério. Ainda menina, com 13 anos, ela escreveu – em forma de versos - um panfleto denunciando a violência da Coroa Portuguesa. Há ainda um novo olhar sobre a Imperatriz Leopoldina, indo muito além da visão romanceada retratada na literatura, se aprofundando em seu engajamento político e social.   

“É preciso que, nestes 200 anos, a gente consiga fazer a distinção entre silêncio e silenciamento da nossa história. Muitas mulheres se fizeram presentes no ciclo de lutas da independência do Brasil. Mas suas presenças foram apagadas, esquecidas estrategicamente ou narradas de modo enviesado. O que o podcast pretende fazer é romper com a ideia de que houve um silêncio por parte das mulheres e que elas não fizeram parte deste ciclo. Estamos afirmando que sim, as mulheres estavam lá. E pretendemos restituir a grandeza de suas presenças à história oficial da independência”, completa Antonia.   

Um original Globoplay, o podcast é uma produção da Pipoca Sound, especializada na produção de podcasts e mídias audiovisuais, e também está disponível nas principais plataformas de áudio. Para ouvir o primeiro episódio, que traz a história de Hipólita Jacinta, clique aqui.

Entrevista com Antonia Pellegrino, criadora de ‘Mulheres na Independência’, e Heloísa Starling, historiadora e colaboradora do projeto.     

Como foi o processo de apuração e seleção de informações para a construção dos episódios?   
Antonia Pellegrino: O Projeto República é uma instituição de pesquisa acadêmica liderada pela Heloísa Starling, e me entregou uma pesquisa muito robusta e profunda. O podcast é um veículo mainstream. Portanto, tive um longo trabalho de seleção das informações essenciais para compor episódios envolventes e informativos, sem eventualmente soarem maçantes para um grande público. 

Você acredita que o projeto tem o potencial de promover uma retratação histórica, além de dar voz e protagonismo às lutas diárias das mulheres?   
Heloísa Starling: Comemorar significa recordar. E recordar, quer dizer chamar de volta ao coração. Portanto, nestes 200 anos de independência, precisamos chamar nossas heroínas de volta ao coração. Convocar a força dessas mulheres e conferir permanência à ação política que elas realizaram, mostra onde estão fincadas as raízes das ideias de liberdade, soberania e república entre nós, e pode nos dizer muita coisa sobre o brasileiro – e a brasileira – que um dia já fomos – ou poderíamos ser.

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