Ana Hikari fala sobre os desafios de interpretar luta contra alcoolismo na temporada final de 'As Five': ''Humanizar quem passa por isso é essencial''

Foto: Globo / Daniela Toviansky

Tina, personagem interpretada por Ana Hikari desde 2017 em 'Malhação - Viva a Diferença', é uma jovem apaixonada por tecnologia, música e, claro, suas amigas. Descolada, sociável e assertiva, ela é uma das mais festeiras do seu ciclo, e sempre se orgulhou disso. Mas, na terceira e última temporada do Original Globoplay 'As Five', com estreia de todos os oito episódios marcada para o dia 1º de março, a jovem vai começar a perceber que precisa de ajuda para lidar com um problema que já vem enfrentando há algum tempo: a dependência química.   

O início de namoro com Glauber (Elzio Vieira), ex-funcionário do restaurante de seu pai que passa, também, a trabalhar em seu empreendimento com Keyla (Gabriela Medvedovsky), a casa de shows Ladeira das Mina, faz com que ela se sinta acolhida e compreendida, já que ele também enfrentou, recentemente, problemas com o alcoolismo. Por causa do rapaz, Tina decide frequentar reuniões de Alcoólicos Anônimos, mesmo sem levar muito a sério, de início, os princípios daqueles encontros. Em meio a conflitos internos, ela acaba não conseguindo se dedicar aos negócios com Keyla como gostaria. Tina também demora a reconhecer sua compulsão, até passar por um episódio de alto risco para sua própria vida.

Graduada em artes cênicas pela Universidade de São Paulo, Ana Hikari traz a personagem Tina como uma das mais marcantes em sua carreira. A atriz conta como se preparou para a última temporada de ‘As Five’, incluindo estudos cuidadosos sobre dependência química.

Confira a entrevista com Ana Hikari:
 
1. Para você, o que os fãs podem esperar da terceira temporada de ‘As Five’?
Eles podem esperar muitas novas questões bem desafiadoras e cada vez mais conflitos pessoais. Mas sempre, também, o encontro entre elas cinco, se apoiando para superar essas questões.
   
2. Nesta temporada, Tina parece mais consciente sobre sua condição enquanto dependente química. Mas, no início, parece relutar em admitir. É isso mesmo? Como Tina se sente diante dessa possibilidade?
O processo dela é bem semelhante ao de muitas pessoas que passam pela questão da dependência química. Primeiro, há uma negação dessa condição. Só depois de muita reflexão, e às vezes até de algo mais grave, é que desperta a necessidade de um tratamento. Ela vai passar por vários sentimentos em relação a esse processo e nós vamos acompanhar tudo. 

3. Qual é o papel de Glauber (Elzio Vieira) para essa identificação?
O Glauber é um personagem essencial nessa temporada para Tina. Tanto no início, quando ela constrói uma relação de apoio e identificação com ele (por ele já ter passado pelos estágios que a Tina está passando), indo para a quase dependência dele (quando ela começa a abdicar de compromissos importantes de trabalho para ter relações com ele ou esquecendo de si para estar presente na relação). Mas é ele quem vai apresentar o universo de cura para os processos químicos dela, porque ele mesmo já passou por isso e está há mais de um ano em abstinência. Ele é quem a leva para os grupos de reabilitação coletiva.
 
4. Como descreve a relação com Glauber nessa temporada?
É uma relação gostosa para eles, eles se apoiam, ele se identifica com o processo dela e por isso sabe cuidar tão bem dela. E por muito tempo desde a morte da mãe, a Tina foi quem cuidou da família e de todos, então tem sido bom ela ser cuidada por outra pessoa nesse momento difícil. Ela acaba se entregando demais por conta disso e deixando em cima do Glauber um fardo pesado também para ele, pois ele também está em processo constante de recuperação. 

5. Algumas cenas relacionadas à dependência química são bem fortes nesta temporada. Como foi, para você, fazer essas cenas? Teve alguma dificuldade? Quais sentimentos te despertaram?
Foi muito emocionante e empolgante de gravar. Eu gosto muito de trabalhar essas cenas, porque cada uma é uma descoberta de processo para me colocar na emoção que a personagem e a cena pedem. Eu uso muita música para me ajudar. Tenho uma playlist da Tina com músicas que me colocam em sensações específicas para estar em cena. E com o Elzio Vieira foi uma parceria incrível! A gente se aquecia juntos, correndo, cantando, pulando, passando o texto em voz alta, até entrar no estado de jogo e conexão para gravar. Foi um presente para mim estar em cena com ele. 

6. Houve alguma preparação específica para viver Tina nesta temporada?
Sim, eu estudei muito sobre a questão da dependência química em geral. Conversei com um diretor de um CAPS AD pra entender as especificidades dessa questão, como é o processo de quem passa por isso e como são os tratamentos. Frequentei também encontros de Narcóticos Anônimos para entender os fundamentos dos grupos, entender o sentimento das pessoas ali, a abordagem e a sensação de estar lá com outras pessoas. Foi um processo muito enriquecedor e bonito, porque humanizar as pessoas que passam por isso é essencial diante de uma sociedade que desumaniza tanto dependentes químicos. E foi isso que eu vivi enquanto estudava a Tina. Tive a oportunidade de olhar de maneira humana para essa questão. 

7. De forma geral, como você descreveria Tina nesta temporada?
A Tina está passando por um longo e profundo processo de fundo do poço para chegar em outro longo processo de autoconhecimento. Isso vai esbarrar em todo mundo, tanto nas amigas, quanto nas relações amorosas (a atual e a antiga!), na família e nela mesma. 

8. Você acredita que por meio da personagem é possível passar uma mensagem importante sobre dependência química?
Acredito que todo mundo que já teve alguém na família que passa por isso ou alguém que já passou por isso vai assistir com atenção e se sensibilizar. Meu objetivo principal foi humanizar essa personagem para trazer um ponto de vista que às vezes não é contado sobre dependência química. É um lugar muito complexo e difícil tanto pra quem passa quanto para quem está em volta, tentando auxiliar. Eu espero que isso faça as pessoas refletirem.

9. Você também vai dar vida, agora, à uma vilã na novela ‘Família é Tudo’. Conte sobre sua personagem, quem é Mila?
A Mila é uma vilã bem complexa, uma mulher decidida, obstinada, sensual, com muito objetivo na vida. Ela trabalha na Mancini Music como braço direito do Hans (Raphael Logam) e tem uma relação com ele. Hans não assume o namoro com a Mila, algo que ela deseja muito. Mila sabe o que quer e o que precisa fazer pra alcançar seus objetivos e não tem medo de fazer escolhas eticamente incorretas pra isso. Não tem medo do Hans e é das poucas que sabe falar as verdades na cara dele. Sabe de todos os planos desse vilão. E isso com certeza faz dela muito poderosa.

Criada por Cao Hamburger e escrita por Cao Hamburger, Luna Grimberg, Maiara de Paula e Maíra Motta, com Cleissa Regina Martins, a terceira temporada de ‘As Five’, Original Globoplay, tem direção artística de Fabrício Mamberti e direção geral de Rafael Miranda. A produção executiva é de Isabela Bellenzani (Estúdios Globo), e a produção é de Caio Gullane e Fabiano Gullane (Gullane). A direção de gênero é de José Luiz Villamarim.

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