"Provoca" entrevista Sonia Guimarães, primeira mulher negra doutora em física no Brasil

Foto Beatriz Oliveira  

Na próxima terça-feira (2/7), no Provoca, Marcelo Tas conversa com a cientista e inventora Sonia Guimarães, primeira mulher negra a obter um doutorado em física no Brasil e ser professora do prestigiado ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Há 40 anos ela estuda tecnologias que hoje transformam a vida das pessoas. A entrevista inédita vai ao ar na TV Cultura, a partir das 22h.
 
"Você chega no ITA quando nem existiam alunas. Que ambiente é esse?", pergunta Tas. “O pior ambiente, do instituto que eu conheço muito bem, possível. Eles não conseguiram aceitar uma pessoa assim. Não conseguem até hoje. Ontem eu fui chamada na sala do reitor para assuntos de alunos (...) meu coração parou na boca porque eu falei o que será que eu fiz, o que aconteceu (...) os meus alunos continuam me avaliando pessimamente e usando palavras muito feias, violentas (...) o pró-reitor da graduação queria dizer que não é nada pessoal, eles foram obrigados a colocar porque os alunos estavam exigindo (...) não é uma opinião que eles tem contra mim, é o caso dos alunos que ainda acham (...) em 1996 fui expulsa do ITA por causa dessas avaliações”, revela a cientista.
 
"Isso tem a ver com o fato de você ser mulher? Negra? Uma pessoa que se afirma?", continua Tas. “Justificativa deles na primeira vez, em 1996, eu não sei física - formada na Federal de São Carlos, Mestrado na USP de São Carlos, PhD na Universidade de Manchester -, sou a pior professora do mundo, sabe, eles conhecem todos os professores do mundo, e a minha roupa chama muita atenção para o meu corpo'', diz.

Em outro momento do bate-papo, Sonia conta como virou inventora. “Eu trabalhei no Instituto Aeronáutica Espaço e lá eu inventei uma técnica para produzir sensores de radiação infravermelha (...) o meu sensor se torna detector de radiação infravermelha (...) invisível a olho nu, mas ele enxerga ondas de calor (...) uma vez encapsulado, ele vê temperatura de 600 Kelvin, que é exatamente a temperatura de um avião ligado (...) ele vai na cabeça do míssil e é dessa forma que o míssil vê o avião que ele vai atacar. Eu pedi uma patente e agora, além de cientista, eu sou inventora. Eu tenho uma única patente, mas grito para todo mundo que sou inventora”, brinca.
 
"Tem como explicar de um jeito fácil o que é um semicondutor?", pergunta Tas. “É um material que fica entre os condutores, aqueles que conduzem energia elétrica e os que não conduzem. Só que ele é fabricado como você quer e pelo tempo que você quer”, responde Sonia. "Como isso funciona?, indaga Tas. “Você está lá no seu celular caríssimo, cheio de semicondutores e você está lá falando. Todos os semicondutores da fala e transmissão estão conduzindo nesse momento (...) aí a pessoa do outro lado vai responder, ele fecha tudo, para de conduzir, e o celular da outra pessoa começa a conduzir e a te mandar as informações por eles ainda (...) conseguem fazer isso porque são muito pequenos e tem uma resposta liga e desliga muito rápida (...) o próximo passo é o quântico, estávamos falando de uma dimensão e agora a dimensão é muito, muito maior, e a rapidez a gente nem sabe ainda, está em teste, o tempo vai ser uma coisa que a gente nem imagina (...) o objetivo é eficiência, rapidez da informação”, explica a professora.

Anderson Ramos

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