Globo Repórter investiga os impactos da dopamina no comportamento e na saúde

Foto: Globo/Divulgação

Vícios, dependência, ansiedade. Conhecida como a ''molécula do desejo'' ou o ''hormônio do bem-estar'', a dopamina é responsável pela motivação e pela busca pelo prazer, o que inclui jogos, redes sociais, comida, cigarro e até mesmo o trabalho. Trata-se de uma procura por satisfação que nem sempre é alcançada. O 'Globo Repórter' desta sexta-feira, dia 22, conta as histórias de quem conseguiu equilibrar os efeitos da dopamina e transformar a rotina com novos hábitos. O programa traz reportagens de Jean Raupp e Philipe Guedes.

O país vive hoje uma dependência crescente da tecnologia. Por questões culturais, os jovens estão mais expostos devido à presença constante das telas dos celulares, mas muitos adultos e idosos também estão se tornando viciados, é o que afirma o doutor em Saúde Luciano Henrique Pinto, orientador de pesquisas de mestrado na Universidade de Joinville, em Santa Catarina, sobre comportamento e tecnologia. ''Usar o celular por mais de três horas compromete meus estudos e minha capacidade para algumas coisas. Eu uso o celular para ver redes sociais, vídeos, jogar, assistir futebol. Preciso ter consciência de que, se eu usar demais, vou me prejudicar'', afirma o jovem Samuel Henrique Morais, de 17 anos.

A dopamina é uma substância liberada pelo cérebro que está relacionada à motivação, tanto para hábitos saudáveis quanto para comportamentos viciantes, o que Luciano chama de dopamina ''barata''. ''A dopamina saudável contribui para o bem-estar e pode combater a ansiedade e a depressão. Por outro lado, a dopamina 'barata' leva ao estímulo exagerado, à busca constante pela sensação de prazer, o que pode gerar ansiedade e depressão. A grande questão da dopamina 'barata' é que ela dá uma resposta rápida, uma sensação de euforia, mas seu efeito também é passageiro'', explica.

O repórter Jean Raupp acompanha uma atividade promovida pelo professor Luciano e pela equipe de pesquisadores do curso de Medicina, que alerta alunos do último ano do Ensino Médio de uma escola em Santa Catarina sobre os riscos do cigarro e das redes sociais. O projeto já envolveu mais de 500 estudantes.

A dependência tecnológica foi tema do doutorado de Sheila Niskier, da Universidade de São Paulo. Questionada sobre o motivo de se falar tanto em dopamina atualmente, ela destaca a relação do brasileiro com o tempo de tela. ''O Brasil é o segundo país do mundo que mais passa horas na internet. Só nas redes sociais, são 9 horas e 13 minutos por dia. É muito tempo, praticamente um dia inteiro, se você considerar as pausas para banho, refeições e sono, sem usar o celular. O número de horas pode não ser um indicador absoluto de uso problemático, mas só se você realizar outras atividades também'', afirma.

Na reportagem de Philipe Guedes, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte investiga o comportamento humano por meio da relação entre jogos eletrônicos, sonhos e dopamina. O repórter entrevista o neurocientista, biólogo e escritor Sidarta Ribeiro, que explica a liberação de dopamina durante o sono dos sonhos e sua ausência como uma das principais características da doença de Parkinson, que afeta os movimentos do corpo. ''Quando há problemas no sistema dopaminérgico, como na doença de Parkinson, ocorrem alterações no sono dos sonhos. A dopamina é usada para motivação, para que a pessoa tenha o desejo de se mover em determinada direção, realizar uma ação ou evitar um estímulo aversivo'', explica Sidarta, que também é chefe do Laboratório de Sonhos, Sono e Memória do Instituto do Cérebro. Seus estudos também relacionam a falta de dopamina à depressão.

''Falar sobre dopamina e conhecer melhor essa substância presente em nosso corpo nos permite entender o próprio comportamento. Vamos mostrar que atividades muito comuns geram uma descarga de dopamina menor, mas mais duradoura, como uma caminhada, contemplar o pôr do sol ou praticar exercícios físicos. A mensagem que queremos deixar é a de valorizar as coisas simples e estimular as pessoas a se libertarem de comportamentos repetitivos que, na verdade, causam mal-estar'', afirma o repórter Philipe Guedes.

O programa destaca que a busca incessante por recompensas e gratificações pode estar presente em diversas situações corriqueiras, como o ato de comer ou trabalhar. Mas alerta: a dopamina não é uma vilã. Em doses saudáveis, estimulada por atividades físicas, pequenas conquistas e momentos de lazer consciente, ela atua como uma aliada do bem-estar, e não como algo a ser evitado.

''Mergulhar nesse assunto, junto com uma equipe afinada, é mais uma oportunidade gratificante. Este programa poderá ajudar muita gente a se conhecer melhor, entender certos comportamentos e mudar hábitos'', conclui o repórter Jean Raupp.

O 'Globo Repórter' desta sexta-feira, dia 22, vai ao ar logo após 'Vale Tudo'.

Anderson Ramos

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