No Samba na Gamboa, Teresa Cristina recebe Sombrinha em homenagem aos 50 anos de trajetória

Foto: TV Brasil/Divulgação

Para festejar os 50 anos de trajetória do sambista Sombrinha, referência histórica no gênero, a apresentadora Teresa Cristina recebe o cantor e compositor para um papo repleto de boas histórias e músicas autorais na edição inédita do programa Samba na Gamboa deste domingo (24), às 13h, na TV Brasil.
 
Anfitriã e convidado cantam sucessos compostos por Sombrinha com Jorge Aragão como as músicas "Raiz e Flor", "Ponta de Dor", "Novo Endereço" e "Mutirão de Amor", que também contou com Zeca Pagodinho na parceria.
 
Durante o programa, Sombrinha e Teresa Cristina ainda interpretam clássicos feitos pelo artista com o saudoso Arlindo Cruz, como "Seja Sambista Também". Eles ainda fazem um duelo para terminar a roda de samba da emissora pública com o hino "O Show tem que Continuar".
 
Formado na geração que marcou época no Cacique de Ramos, o artista começou a trajetória no Fundo de Quintal, fez uma lendária dupla com Arlindo Cruz e ganhou o mundo em carreira solo com hits da música brasileira que estão na boca do povo.
 
No dia 8 de setembro, Sombrinha se apresenta no Vivo Rio, na Cidade Maravilhosa, para comemorar a data com um show que vai resgatar grandes composições de sua vida musical e trazer participações especiais. Com direção artística de Diogo Nogueira, a performance do célebre veterano reúne Jorge Aragão, Xande de Pilares, Nina Wirti e Bebe Kramer, além do próprio filho de João Nogueira.
 
Produção original da TV Brasil, o programa Samba na Gamboa fica disponível no YouTube do canal e está no app TV Brasil Play. Com janela alternativa na telinha aos sábados, às 23h, a roda de samba ainda é transmitida na Rádio Nacional, também aos sábados, mais cedo, ao meio-dia, para toda a rede.
 
Inovação com o Fundo de Quintal
 
Sombrinha é um dos fundadores do Fundo de Quintal. Ele integrou a primeira formação do grupo ao lado de Bira Presidente, Ubirany, Sereno, Neoci, Almir Guineto e Jorge Aragão. O artista fala da magia que o traz de Santos para o Cacique de Ramos. "Chego ao Rio na hora em que o samba carioca vai ganhando novo sotaque, poesia, filosofia e rítmica", comenta na entrevista para Teresa Cristina.
 
A sintonia musical com Arlindo Cruz, grande parceiro da trajetória de Sombrinha, é lembrada na produção da TV Brasil. "A gente era unha e carne. No olhar a gente fazia uma letra. Fiz um samba com Arlindo em 15 minutos em Fortaleza. A letra dizia 'Onde está / Me diga onde está'. Foi rápido e 'pum'. Como se fosse palavras cruzadas mesmo. Era muita sintonia. Virginianos. Ele batizou meus três filhos. 45 anos de amizade. A gente já era uma dupla no Fundo de Quintal. Ensinei muito a ele e ele me ensinou muito", afirma.
 
O bamba recorda o encontro com os futuros companheiros da banda e destaca a importância da madrinha do samba, a diva Beth Carvalho, naquela geração formada nos anos 1970. O Fundo de Quintal inovou ao incorporar ao samba de raiz instrumentos como tantã, repique de mão e banjo. Essa combinação criou uma nova sonoridade que revolucionou o gênero.
 
"Você cantava qualquer coisa ali e funcionava. Aí veio o banjo do Almir pra dar mais volume, eu meti a mão no sete cordas, o Jorge Aragão tinha um violão enorme, Neoci no tantã. Ficou bonito demais. Isso perdurou muitas semanas no Cacique, meses até a gente ir pro disco. As lembranças que tenho da roda de samba, do futebol antes, da comida... Quando você via já era de manhã", relata o homenageado.
 
O sambista ainda lembra da sua obra de estreia. "'Marcas no leito' é minha primeira composição. Jorge Aragão foi meu grande incentivador. A gente já no Fundo de Quintal, ele dizia: 'Você toca tão bem esse violão, conhece harmonia. Você tem que compor. Fazer umas melodias'. Fui arriscar. Comecei a escrever. Fiz a primeira melodia e letra. Ele na hora topou e fez a segunda com o Jotabê e por minha sorte Alcione se apaixonou e gravou o samba", comemora.
 
Vocação para os primeiros acordes
 
Durante a descontraída conversa com Teresa Cristina na TV Brasil, Sombrinha conta para a apresentadora como descobriu o talento para a música ainda na juventude. Ele recorda a influência familiar desde a infância.
 
"Sou de uma família de músicos. Minha mãe cantava. Meu pai era músico. Ele ensinou todos nós a tocar violão. A partir dos 9, 10 anos, já arranhava no instrumento. Tinha vários violões em casa. Era um vício", lembra.
 
Autodidata, o consagrado artista aprimorou a técnica sempre com interesse em sempre mais. "Eu comecei a tocar na noite com 14 anos na casa noturna Chão de Estrelas. Do violão migrei para o cavaquinho, depois fui para o bandolim e não parei mais", destaca o astro durante o programa Samba na Gamboa.
  
No final do papo, Sombrinha ainda reverencia um dos ícones do samba, o saudoso portelense Monarco. Ao ser questionado pela apresentadora Teresa Cristina sobre suas referências, o convidado é direto. "O sambista perfeito para mim junta simplicidade, razão e emoção, como mestre Monarco", define.

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