Edu Lyra fala sobre desigualdade e defende responsabilidade dos mais ricos no programa No Lucro, da CNN Brasil

Foto: CNN Brasil

O empreendedor social Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, é o convidado do novo episódio do No Lucro, programa da CNN Brasil. Durante a entrevista, ele fala sobre sua trajetória pessoal, a atuação da organização e os principais desafios do país no enfrentamento da pobreza. 

''Eu sou um empreendedor social que lidera uma missão e entrega a vida a isso, que basicamente é transformar a pobreza da favela em dignidade antes de Marte ser colonizado'', afirma Lyra. Segundo ele, a Gerando Falcões é uma ''empresa social'' que busca unir propósito e sustentabilidade financeira. ''Inclusive, tem que dar lucro. Só que eu pego esse lucro e reinvisto integralmente na expansão da missão.''
 
Lyra relembra a infância e o contexto que o levou a atuar no campo social. ''Meus pais não tinham grana para me comprar um berço, me colocaram para dormir dentro de uma banheira azul. E meu pai acabou entrando no mundo crime e foi preso, indiciado por roubar um banco. A piada verdadeira é que todos os bancos que meu pai tentou roubar, hoje são meus patrocinadores na Gerando Falcões.''
 
Ele critica o que considera uma falta de responsabilidade entre os mais ricos. “O Brasil tem muito rico e pouca elite. Esse é um problema, porque são pessoas que têm muito dinheiro e pouca responsabilidade.'' Para Lyra, o combate à pobreza passa pela valorização da dignidade e pela mudança de mentalidade. “A gente acredita que o contrário da pobreza não é riqueza. Não dá para todo mundo ser rico nesse Brasil. Para a gente, o contrário de pobreza é dignidade. Que todo mundo deveria ter uma vida digna.''
 
A organização também tem apostado no uso de tecnologia. ''Estamos mapeando os processos que são repetitivos dentro da Gerando Falcões e colocando agentes de IA. Não é para acabar com o emprego das pessoas, é fundamentalmente para o meu time ter mais tempo para fazer o que mais importa.''
 
Lyra diz que a superação da pobreza envolve transformação cultural. ''O desafio da pobreza é, sobretudo, um desafio interno. É um desafio de crença.'' Segundo ele, a mudança precisa começar pela forma como o país enxerga as próprias comunidades. ''O Brasil, em boa medida, ensinou as pessoas a serem pobres. E a gente precisa ensinar as pessoas a prosperar para o patamar de dignidade.''
 
O empreendedor também chama atenção para o potencial econômico das favelas, frequentemente ignorado pelo mercado. ''O mercado de consumo das favelas é de quase 200 bilhões de reais por ano. Quem não está vendendo na favela está perdendo.''

Apesar dos avanços, Lyra avalia que a filantropia brasileira ainda tem muito a evoluir. ''A filantropia ainda não é do tamanho dos nossos sonhos.'' Para ele, o país ainda carrega um legado histórico difícil de romper. ''A gente tem tanta gente nesse país com dificuldade de pobreza, que a maior herança do Brasil é a herança da pobreza, passando de geração pra geração.''

No Lucro
Quando: todas as terças, às 20h (web) e às 23h30 (TV)
Onde: no YouTube de CNN Pop (youtube.com/@cnnpop) e na CNN Brasil.

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