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| José Celso Martinez Corrêa, fundador do Teatro Oficina, morreu durante gravações da série em 2023 Foto: Divulgação/Arte1 |
O canal Arte1 estreia nesta quarta-feira (28), às 20h30, a série documental "Abre a Coxia", produção que lança um olhar aprofundado sobre a força, a diversidade e a resistência do teatro brasileiro. Em oito episódios, a obra percorre grupos teatrais de diferentes regiões e estéticas, revelando processos criativos, trajetórias, linguagens e a centralidade do palco como espaço de expressão artística, política e cultural.
Com produção da Lep Filmes e direção de Liz Reis, "Abre a Coxia" propõe uma imersão no teatro como arte viva e contato direto entre artista e público, exaltando sua potência criativa em contextos urbanos, periféricos e tradicionais.
A série valoriza o teatro como berço de atores, espaço de improviso ensaiado e linguagem que resiste ao apagamento cultural, reunindo coletivos que atravessam gerações e reinventam a cena brasileira.
Teatro Oficina na estreia
O episódio de estreia é dedicado ao Teatro Oficina, em um mergulho na energia visceral do grupo, sua arquitetura singular, seus ritos e sua criação permanente. O capítulo revisita a trajetória do teatro, com depoimentos de atores, diretores, técnicos e parceiros históricos, destacando o impacto artístico, político e espiritual de uma das companhias mais transgressoras do país.
A diretora Liz Reis comenta o impacto da morte de José Celso Martinez Corrêa (1937-2023), fundador do Teatro Oficina, durante as gravações do episódio de estreia. "O Zé Celso faleceu no meio do processo. A gente tinha uma entrevista marcada para quatro dias depois. Isso gerou uma dor de estar vivendo aquilo junto com eles. Mas, dentro desse triste cenário, a gente conseguiu fazer uma bela homenagem", adianta.
O segundo episódio acompanha o Teatro do Incêndio, coletivo marcado pela experimentação radical e pela ocupação urbana no bairro do Bixiga, na capital paulista. O terceiro capítulo é dedicado ao Grupo TAPA, referência no teatro de repertório e na pesquisa rigorosa do ator desde 1974.
Panorama completo
Segundo a diretora, a produção atravessou desafios significativos por ter sido realizada durante a pandemia da Covid-19, com pausas nas filmagens e mudanças visíveis ao longo dos episódios. Liz também destaca sua relação pessoal com o teatro e a decisão de manter o foco nos bastidores e nos coletivos retratados.
"Eu sou atriz e já tinha participado de alguns desses espetáculos. Eu sei muito sobre essa coxia de cada teatro, da luta de cada teatro. Tentei ressaltar o momento que cada um estava vivendo, financeiro, de experimentação ou de criação", explica.
A diretora ressalta ainda a diversidade de grupos escolhidos para a primeira temporada e a ambição de dar continuidade ao projeto com uma nova leva de episódios. Outro ponto enfatizado por Liz é a valorização da equipe técnica por trás dos espetáculos.
"A máquina não é só o ator em cena. Tem toda uma produção, uma construção de mapa de luz, uma equipe técnica que faz tudo acontecer. Isso é muito importante de estar ali", completa a diretora.
Os episódios seguintes ampliam o panorama com a Armazém Cia de Teatro, que desenvolve um teatro sensorial e imersivo; o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, pioneiro na fusão entre hip-hop, rap e teatro épico; além de coletivos cariocas como o Complexo Negra Palavra e o Teatro Íntimo, que investigam, cada um à sua maneira, a palavra, a memória e a presença em cena.
A série se encerra com episódios dedicados ao Grupo Redimunho de Investigação Teatral e ao encontro entre duas companhias emblemáticas: o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, e o Teatro da Vertigem, de São Paulo, conhecido por suas criações em espaços não convencionais. Por isso, "Abre a Coxia" se consolida como um retrato abrangente do teatro contemporâneo brasileiro e de seus principais agentes criativos.
Abre a Coxia
Estreia: Quarta-feira, 28 de janeiro, às 20h30
*Um episódio inédito por semana
Horários alternativos: 29/1 – 18h: 30/1 – 19h30; 1º/2 – 13h30
Tags:
Programação
