Caminhos da Reportagem mostra retomada e desafios da Terra Indígena Apyterewa pelo povo Parakanã

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O programa Caminhos da Reportagem apresenta, nesta segunda (2), o episódio 'Apyterewa, tempo de reocupar'. A edição mostra como o povo Parakanã está reocupando território após a retirada de invasores e os esforços para manter a terra protegida. A atração jornalística vai ao ar às 23h, na TV Brasil

Dois anos depois da retirada de invasores da Terra Indígena (TI) Apyterewa, no sudeste do Pará, os cerca de 1.400 indígenas do povo Parakanã se organizam para manter o controle do território e fazem planos para o futuro. Mas ainda enfrentam ameaças e ataques de pistoleiros. 

Chamada de desintrusão, a retirada dos invasores de terras indígenas foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na TI Apyterewa, o processo começou em outubro de 2023. Em março de 2024 o território foi devolvido simbolicamente aos indígenas. ''Agora vai ficar a terra só para os Parakanã, para viver em paz, sem invasor, sem garimpeiro, sem madeireiro'', afirma Tye Parakanã, liderança da aldeia Capanema.      

A maior ameaça ao território é a pecuária. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por conta da criação de gado ilegal nas últimas décadas, a TI Apyterewa é a terra indígena mais desmatada da Amazônia. Embora a maior parte das 50 mil cabeças de gado tenha sido retirada pelos próprios produtores rurais durante a desintrusão, ainda restam cerca de 1.300 animais espalhados em 43 pontos do território, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).  

Em dezembro, a equipe do Caminhos da Reportagem foi ao território para acompanhar uma operação de retirada do gado remanescente com a participação do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ibama, Agência de Vigilância Sanitária do Pará, Polícia Civil e Militar.  

Enquanto ajudava a tocar a boiada, Marcos Antônio Pereira da Cruz, de 38 anos, um dos vaqueiros contratados pelo Ibama, foi morto a tiros numa emboscada. ''Justiça é o que a gente espera na verdade. Por quê? Ele não vai voltar'', lamenta a irmã de Marcos, Luciane Pereira. 

A polícia federal prendeu um suspeito que também é investigado por atentados contra os indígenas. O cacique-geral da TI Apyterewa, Mamá Parakanã, disse que as aldeias já sofreram oito ataques após a desintrusão. ''Mas estamos firmes aqui porque a terra é nossa'', reforça. 

O secretário nacional de direitos territoriais indígenas, Marcos Kaingang, afirma que o MPI vai dar continuidade às ações de proteção ao território e faz interlocuções para reforçar a segurança. ''Manter esses territórios protegidos e evitar que esses ilícitos retornem, que esses invasores retornem para as terras indígenas, sem dúvida, é um desafio estrutural no Brasil'', lembra. 

Os indígenas constroem um plano de segurança territorial em conjunto com os órgãos governamentais e ao mesmo tempo buscam parceiros para fazer o reflorestamento. ''Agora a gente vai tentar recuperar tudo o que a gente perdeu, castanheira, cumaru'', afirma a presidente da associação Tato'a, Wenatoa Parakanã. 

*A equipe do Caminhos da Reportagem e o fotógrafo Bruno Peres, da Agência Brasil, viajaram a convite do Ministério dos Povos indígenas. 

Anderson Ramos

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