TV Brasil entra no clima do Carnaval com edições especiais do Samba na Gamboa estreladas por Milton Cunha e Neguinho da Beija-Flor

Foto: TV Brasil

Em clima de carnaval, a TV Brasil reapresenta edições temáticas do programa Samba na Gamboa com convidados ilustres que fazem história no samba e na cultura popular brasileira. Neste domingo (8), às 13 horas, Teresa Cristina recebe o carnavalesco e comentarista Milton Cunha. No mesmo horário do domingo seguinte (15), é a vez Neguinho da Beija-Flor, cantor, compositor e o maior intérprete da Marquês de Sapucaí.

Produção original da TV Brasil, o Samba na Gamboa pode ser acompanhado no app TV Brasil Play e no YouTube do canal.

Milton Cunha analisa desfiles inesquecíveis

Renomado especialista no tema, Milton Cunha aborda desfiles de escolas de samba que marcaram época no carnaval carioca. O cenógrafo explica os enredos das composições, destaca seus autores e fala sobre grandes personalidades do carnaval durante o bate-papo. Ele revela bastidores e a repercussão desses sambas-enredo que fizeram história e ainda são lembrados como referência hoje.

O convidado também recorda carnavalescos que inovaram e deixaram importante legado, como Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta. Milton Cunha ainda lembra de intérpretes que deram vida a performances inesquecíveis das agremiações com vozes únicas como Dominguinhos do Estácio e Neguinho da Beija-Flor.

Na edição, Teresa Cristina solta a voz para entoar músicas que atravessam gerações como "Bum Bum Paticumbum Prugurundum", samba campeão do Império Serrano em 1982; "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia", canção do vice-campeonato da Beija-Flor em 1989; "O Ti Ti Ti do Sapoti", obra da Estácio de Sá em 1987; e "Histórias Para Ninar Gente Grande", samba que deu o título à Mangueira em 2019, entre outras.

Milton Cunha reflete sobre o canto do público na Marquês de Sapucaí. "O samba-enredo é aquela mágica. Ninguém ganha no barracão, no CD ou nas plataformas digitais. É na hora. É o quesito mistério. Aquele que ninguém vê, mas todo mundo sente", diz.

Ainda sobre os sambas e seus intérpretes, o convidado é categórico. "Colocar samba no lugar da empolgação é muito bom. Quando a voz resolve tudo. Ela traz a multidão com ela", avalia sobre a importância dos cantores que embalam os foliões na Passarela do Samba.

Neguinho da Beija-Flor recorda trajetória artística

No Samba da Gamboa com Neguinho da Beija-Flor, o veterano canta obras de seu repertório próprio. O astro interpreta sucessos autorais como "Deusa da Passarela", "Malandro é malandro, mané é mané", "Gamação Danada", "Malandro Também Chora" e "O Campeão (meu time)". Ainda interpreta músicas célebres como "Ângela", hit sempre lembrado na sua voz, e a canção "Sorriso Negro", entre outras.

Com quase 50 anos na folia carioca, o bamba recorda sua trajetória artística e fala do amor pela sua escola de samba. Nota dez na Avenida e nos corações de todos foliões, Neguinho da Beija-Flor conta episódios marcantes da carreira como intérprete da agremiação de Nilópolis.

No papo com a apresentadora Teresa Cristina, Neguinho da Beija-Flor destaca a história de suas obras. "'Ângela' é meu hino, como 'Travessia' para Milton Nascimento e 'Conceição' para Cauby Peixoto. Nós quase não temos contato, mas Serginho Meriti faz parte da minha história. Ele e o parceiro Alexandre Rodrigues me proporcionaram essa felicidade", comenta.

O convidado fala sobre a origem de outro clássico do seu repertório que mexe com a paixão de todo brasileiro, o futebol. "O Campeão (meu time)" tem seus versos entoados nos estádios por torcidas de norte a sul do país.

"Eu tinha um amigo vascaíno chamado Paulo Ramos, cantor da noite. Ele pediu para eu fazer uma música para a torcida dele. O Eurico (Miranda) não aceitou e ele me devolveu a música. Cantei a letra numa roda de samba no River. Repeti três vezes. Ao sair de lá fui para o Salgueiro e cantei de novo. Essa música virou sucesso em um dia. Na semana seguinte eu gravei. A música aconteceu de fora para dentro. Veio da rua para a rádio. As emissoras passaram a tocar quando a torcida começou a cantar no Maracanã", conta.

Durante a entrevista exclusiva para o programa original da TV Brasil, o artista ainda fala sobre negritude, preconceito racial e grandes ídolos do samba. Ele ressalta personalidades que são suas referências. Para ele, Laíla, é um mestre do samba e Dona Ivone Lara uma rainha do gênero. Inclusive, o carnavalesco Laíla foi o homenageado pela Beija-Flor em 2025, ano em que a agremiação se tornou campeã e que também marcou o último desfile de Neguinho como intérprete da escola. Ainda se comove ao recordar performances marcantes na Marquês de Sapucaí.

Anderson Ramos

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