Conheça a história de 'A Nobreza do Amor', nova novela das seis da Globo que estreia em 16 de março

Rei Cayman II (Welket Bungué) e Rainha Niara (Erika Januza). Foto: Globo/Estevam Avellar

Uma superprodução que conecta um reino africano a uma pacata cidade do interior do Nordeste do Brasil e propõe uma união intercontinental através do amor, do desejo de justiça e do encontro com a ancestralidade. Em 'A Nobreza do Amor', uma fábula afro-brasileira dos anos de 1920 que chega ao horário das seis da Globo no dia 16 de março, a distância de um oceano não é empecilho para um encontro de almas: Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto), uma princesa da África e um trabalhador do Brasil, protagonistas dessa história que reúne aventura, romance, humor e grandes emoções.
 
Criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., com direção artística de Gustavo Fernández e produção de Andrea Kelly, a novela se passa em dois universos fictícios, distantes geograficamente, mas com fortes entrelaçamentos que ajudam a revelar a face de um país que tem na África a fonte de uma das suas mais nobres raízes ancestrais. De um lado do oceano, Batanga, ex-colônia portuguesa, reino da costa ocidental da África, marcada por uma disputa de poder central na trama. Do outro, Barro Preto, interior do Rio Grande do Norte, cidade onde litoral e sertão se cruzam, produzindo paisagens singulares de um microcosmo de Brasil, em seus conflitos e diversidade.
 
Um golpe de estado em Batanga dá início a essa trama envolvente, que reúne grande elenco e conta com cenas de tirar o fôlego. O ambicioso Jendal, vilão interpretado por Lázaro Ramos, é o responsável por trair e derrubar o rei Cayman II (Welket Bungué), usurpando seu trono, quando vê desmoronar seus planos de ascensão ao poder, que incluíam o casamento arranjado com a princesa Alika (Duda Santos) e o acordo com os ingleses para a exploração do tungstênio no país.
 
Na tentativa de escapar da tirania de Jendal, a família real foge, mas rei Cayman acaba se ferindo e, antes de morrer, revela à princesa e à rainha Niara (Erika Januza) o lugar para onde elas deveriam ir: o Brasil. É lá onde vive Zambi/José (Bukassa Kabengele), o irmão do rei deposto, que, anos antes, renunciou à coroa para se casar com a brasileira Teresa (Ana Cecília Costa). Além do encontro familiar, Barro Preto, o refúgio do outro lado do oceano, reserva a Alika o despertar do amor, algo inédito também na vida do jovem Tonho (Ronald Sotto). 
 
Para os autores, 'A Nobreza do Amor' é um convite a revisitar a conexão entre Brasil e África através de personagens que entendem a potência de suas próprias identidades. ''Essa história vai revisitar essa ligação histórica entre a África e o Nordeste do Brasil, explorando essa intersecção de culturas e realidades que nos constituíram como nação'', afirma Duca Rachid. Elisio Lopes Jr. destaca a importância dessa abordagem: ''O ponto de partida da novela é a reconexão histórica entre África e Brasil, através de caminhos que, mesmo marcados por um início traumático para o povo preto, deram origem à formação do país. A trama revisita essas rotas de ida e volta, refletindo sobre identidades e nobrezas arrancadas durante o sistema de escravização e que, muitas vezes, não puderam retornar às suas origens mesmo após a abolição. No meu coração, a novela carrega justamente essa ideia: a possibilidade de reconstruir esse 'caminho de volta' e de destacar a realeza que existe em nós, e que nasce de nossa ancestralidade africana. A partir dessa perspectiva, construímos uma fábula que se desenrola tanto no Nordeste quanto na África. São arenas fictícias, uma cidade inventada e um reino criado especialmente para a narrativa, mas ambos profundamente inspirados no caldeirão cultural produzido por séculos de intercâmbio entre esses universos''. Júlio Fischer complementa: ''É uma história que se passa em dois continentes, mas o que acontece numa arena reverbera diretamente na outra, e vice-versa. Essa é uma fábula sobre as identificações entre Brasil e África. Sobre nossa herança africana, que diz respeito a nós, brasileiros, como um todo. Independe da cor, da raça e do credo de cada um.''
 
O diretor artístico Gustavo Fernández fala sobre o caráter fabular da obra e seus universos: “Batanga foi concebida com referências reais da estética africana, fruto de pesquisa intensa. Já Barro Preto, situada em uma falésia, tem paisagens únicas que ajudam a construir o universo dessa trama”. As gravações, realizadas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte, contaram com locações em diversos cenários naturais, incluindo dunas, parques naturais e fortalezas históricas. A produtora Andrea Kelly destaca a passagem da equipe pelo estado potiguar: ''Buscamos locações que refletissem as semelhanças entre os dois continentes, e encontramos, no Rio Grande do Norte muitos locais com visual parecido com alguns locais da África, o que foi determinante para a escolha da região onde começamos as filmagens''. Entre os cenários escolhidos para a novela estão o Parque Nacional da Furna Feia, Dunas do Rosado, Maracajaú e Barreira do Inferno, com passagens pelas cidades de Areia Branca, Porto do Mangue, Guamaré, Macau, Maxaranguape, Mossoró, Parnamirim e Tibau do Sul, além da capital Natal.
 
Produzida nos Estúdios Globo, 'A Nobreza do Amor' é uma novela criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Júnior, com colaboração de Dora Castellar, Alessandro Marson, Duba Elia e Dione Carlos, pesquisa de Leandro Esteves e assistência de roteiro de Dimas Novais. A obra tem direção artística de Gustavo Fernandez, direção geral de Pedro Peregrino e direção de Ricardo França, Igor Verde e Mariana Betti. A produção é de Andrea Kelly, a produção executiva, de Lucas Zardo, e a direção de gênero, de José Luiz Villamarim.
 
A HISTÓRIA DE BATANGA
 
Tempo passado: Batanga livre!
 
Embora 'A Nobreza do Amor' seja ambientada na década de 1920, o enredo no universo africano se inicia aproximadamente duas décadas antes, quando Batanga estava sob domínio colonial português. A dominação europeia sobre Batanga, contudo, não conseguiu apagar a identidade do povo batangui, liderado por Lumumba (Welket Bungué), filho do rei Cayman I, cujo reinado foi interrompido após a invasão dos portugueses. A resistência batangui culminou na Guerra da Independência, na qual os guerreiros africanos conseguiram capturar a fortaleza dos colonizadores e derrotaram as forças militares de Portugal.
 
Herói da libertação, Lumumba foi coroado rei Cayman II, em cerimônia conduzida pelo conselheiro Chinua (Hilton Cobra), restaurando a dinastia de sua família. Sua esposa Niara (Erika Januza) tornou-se rainha, e Jendal (Lázaro Ramos), principal aliado do novo governante, ascendeu ao posto de primeiro-ministro.
 
A recém-conquistada liberdade reinaugurou tempos de paz e esperança em Batanga. A nova era no reino foi acompanhada de prosperidade, graças à concessão de exploração das minas de tungstênio à Inglaterra, em negociações mediadas por Jendal e mediante o pagamento, para a coroa, de royalties a serem revertidos para o bem-estar dos súditos. Nesse ambiente de otimismo e desenvolvimento, cresceu a filha do casal e única herdeira do trono, a princesa Alika (Duda Santos), treinada para ser uma rainha justa e compromissada com seu povo.
 
Tempo presente: a face do tirano
 
Em meio à tranquilidade, uma mensagem abala os alicerces de Batanga. Durante uma visita ao guardião do oráculo do reino, o respeitado ancião Oruka (Vado), a família real é surpreendida com uma previsão: o rei será traído, com consequências drásticas para a vida da rainha e da princesa, que só poderá ser salva por um homem de ascendência nobre e caráter irretocável.
 
Ambicioso e sedento por poder, Jendal pede a mão de Alika a Cayman, jurando protegê-la dos perigos anunciados. O rei, impactado pela premonição e crente na lealdade de seu primeiro-ministro, promete a filha, ainda bebê, ao vilão, como sua futura esposa. Mas o acordo não vinga: anos depois, a jovem princesa, que não enxerga os interesses de Batanga entre as prioridades do aliado de seu pai, rejeita se casar com ele. Preocupado com a felicidade da filha, Cayman volta atrás e comunica o trato desfeito a Jendal, que se toma de fúria e desejo de vingança.
 
Sua ira se intensifica com a chegada de Paxá Soliman (Marco Ricca) a Batanga. O turco, homem de negócios, está acompanhado pelo filho Omar (Rodrigo Simas), que se apaixona à primeira vista por Alika. Soliman firma um acordo de exploração de tungstênio com Cayman, ameaçando a aliança de Jendal com os ingleses, de quem o vilão recebia generosas propinas regulares. Sentindo-se humilhado, o primeiro-ministro renuncia ao cargo e deixa Batanga. 
 
Porém, Jendal não demora a reaparecer diante dos portões do palácio, trazendo com ele a realização do que o oráculo previu. Apoiado pelos ingleses, o vilão derrota as tropas comandadas pelo chefe da guarda real, Dumi (Licínio Januário), derruba seu antigo aliado do trono e se autoproclama rei de Batanga. A primeira ordem é impiedosa: prender e matar Cayman, Niara e Alika.
 
Jendal, que será a personificação do mal ao longo da história, é o primeiro vilão na carreira de Lázaro Ramos na televisão. O ator conta como a potência da história o estimulou a participar do projeto: ''O que me atraiu nesse projeto, primeiro, foi a possibilidade de fazer um vilão, que é uma coisa que eu não transitei ainda na carreira, principalmente em televisão. E uma coisa importante de contar: eu sou primo de Elísio, um dos autores. Li o texto e falei: 'Que novela bonita, importante. Eu queria fazer'. Ele perguntou se eu não tinha outra coisa prevista, respondi que até tinha, mas que gostaria de participar desse momento, dessa história que vai ser contada. Foi um personagem desejado''. 
 
Casamento e fuga
 
No dia da execução da família real deposta, o novo rei impõe um ultimato: caso Alika volte atrás e se case com ele, poupará as vidas dos prisioneiros. Para proteger seus pais, a princesa aceita a oferta do tirano. Com apoio de sua filha, Kênia (Nikolly Fernandes), uma jovem fútil e ambiciosa, Jendal organiza uma suntuosa cerimônia para celebrar a união, com a presença de convidados ilustres e nobres famílias da região e de outros reinos, incluindo os reis de Seráfia, Augusto (Carmo Dalla Vecchia) e Maria Cesária (Lucy Ramos), protagonistas da novela 'Cordel Encantado' (2011).
 
Os planos do vilão, no entanto, são frustrados por uma ação de Dumi (Licínio Januário) e Chinua (Hilton Cobra), que ajudam Omar (Rodrigo Simas) a fugir com Alika, Niara e Cayman em direção ao porto, onde o navio de Omar os aguarda. Durante a fuga, Cayman acaba morrendo, mas, antes de partir, suplica que a esposa e a filha busquem abrigo em terras brasileiras, onde vive seu irmão Zambi/José (Bukassa Kabengele). Com sua partida, a princesa e a rainha seguem para o Brasil, sob a promessa de limparem o nome do rei e voltarem a Batanga para reconquistar o trono.
 
Quando Jendal percebe a ação, ordena que suas tropas capturem os fugitivos. Na perseguição que se segue, Omar é ferido e preso pelos soldados, mas a princesa e a rainha conseguem embarcar no navio do jovem turco com ajuda de Dumi, que recebe de Alika a missão de liderar a resistência ao tirano Jendal. Conforme as areias de Batanga se distanciam no horizonte, a rainha e a princesa, com os corações pesados, navegam rumo ao Rio Grande do Norte, no Brasil. 
 
Durante o exílio de Alika, Dumi, que simula fidelidade ao novo rei para se manter em uma posição estratégica, e Chinua (Hilton Cobra), que também segue no cargo após o golpe a fim de obter informações privilegiadas, passam a articular a derrubada de Jendal. Fora do palácio, no meio do povo batangui, seus principais aliados na luta para permitir a volta de Alika e Niara ao reino são os guerreiros Akin (André Luiz Miranda) e Ladisa (Rita Batista). 
 
BARRO PRETO: UMA CIDADE FORA DO TEMPO
 
''O Brasil parece a África'': onde floresce o amor de Alika e Tonho
 
Quando o rei Cayman (Welket Bungué) indicou o Brasil como destino para a princesa Alika (Duda Santos) e a rainha Niara (Erika Januza), além de falar de seu irmão Zambi (Bukassa Kabengele), que poderia abrigá-las, pensou nas semelhanças do país com Batanga: do outro lado do oceano, elas iriam encontrar um lugar onde também se falava português e com grande presença de negros. Lá estariam protegidas de Jendal (Lázaro Ramos). A travessia vai impor grandes mudanças na vida de ambas. A chegada ao Rio Grande do Norte se dá pela capital, Natal, e mãe e filha precisam ainda rumar para o destino Barro Preto, uma pacata e peculiar cidade do interior, isolada em meio às falésias. No primeiro contato com o novo solo, a constatação é imediata: “O Brasil parece a África”, diz Alika.
 
O encontro entre Alika e Tonho (Ronald Sotto) se dá na chegada a Barro Preto. Nas imediações da estação de trem de Biri-Biri, uma cidade da região, Tonho carrega, em um carrinho, sacas de açúcar do engenho em que trabalha para abastecer a feira, enquanto Alika e Niara tentam entender como chegar aonde mora Zambi (Bukassa Kabengele). Sem perceber, o jovem esbarra na princesa, mas, rapidamente, a protege, impedindo que ela caia. Os olhares se encontram pela primeira vez, e o encanto é imediato, apesar da situação quase conflituosa. Na trama, o senso de responsabilidade com suas comunidades, tão forte em ambos, gera uma identificação entre Tonho e Alika, e o despertar do amor, sentimento inédito na vida deles, encarna ainda mais a conexão Brasil-África.
 
A trombada com Tonho se mostra providencial na vida de Alika e Niara. Apesar do desentendimento, logo elas descobrem que ele conhece José/Zambi (Bukassa Kabengele). O rapaz, que acabara de buscar o automóvel novo de seu patrão, o coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), na estação, oferece carona para levá-las até a casa do engenheiro e de Teresa (Ana Cecília Costa), que ficam surpresos com a chegada da sobrinha e da cunhada.
 
A sós, a família revisita o passado, e as notícias que vêm de Batanga deixam José e Teresa emocionados. A partir de então, o casal define que as duas vão viver com identidades falsas por segurança. Prometem também abrigo a elas e ajuda com os novos documentos. Barro Preto, então, ganha duas novas moradoras, Lúcia e Vera, os novos nomes escolhidos pela dupla. 
 
Intérpretes do par romântico de Barro Preto, os protagonistas Duda Santos e Ronald Sotto celebram o trabalho e a oportunidade de contracenarem pela primeira vez desde 'Malhação: Toda Forma de Amar’ (2019). ''Estou profundamente honrada e emocionada com a oportunidade de dar vida a essa personagem. Interpretar uma princesa africana em horário nobre, em uma novela que valoriza nossa ancestralidade e abre espaço para discutir questões essenciais, como identidade e representatividade, é uma responsabilidade imensa, um grande privilégio. Cresci sonhando com personagens que refletissem a força, a beleza e a complexidade da nossa cultura'', conta Duda.
 
''O Tonho é um cara muito sonhador. É um tipo de personagem que quer conquistar e valorizar cada pedaço de terra que sonha em ter. Acho que o que mais me impressiona nele é a sua força. A inteligência, a força de vontade, a determinação, a lealdade dele, enfim, são características que enchem meus olhos'', resume Ronald. “A Duda é uma irmã de vida, mesmo, parceira, que está arrasando, vindo de grandes trabalhos. Vibro com a evolução dela e com todo leque artístico que ela está apresentando”, completa. ''Ronald e eu somos amigos há muito tempo. Fiquei muito feliz quando soube que seria ele. É um artista muito talentoso, que admiro demais, que merece esse lugar'', declara a atriz.
 
As vilanias de Mirinho e Virgínia
 
Na trajetória do casal protagonista surgirão muitos obstáculos, personificados, especialmente, pelos namorados Mirinho (Nicolas Prattes) e Virgínia (Theresa Fonseca), dupla que representa a união das duas famílias mais importantes de Barro Preto: os Bonafé e os Almeida Borges. Os negócios dos Bonafé vêm da maior fazenda de cana-de-açúcar da região, o Engenho Santa Fé, de propriedade do coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes) e motivo de conflitos com o filho, Mirinho, um bon-vivant que deseja deixar Barro Preto e investir na criação de uma tecelagem no Recife. Já os Almeida Borges, chefiados pelo banqueiro Diógenes (Danton Mello), veem o dinheiro multiplicar com as dívidas que praticamente todos os moradores da cidade têm com o banco, o que faz de Virgínia, entre outros motivos, um dos partidos mais cobiçados da região.
 
Barro Preto nem imagina que se tornou refúgio da realeza de Batanga, e a presença de Lúcia (Duda Santos) e Vera (Erika Januza) promete movimentar bastante a sociedade local. Dirigindo o carro do patrão, Tonho (Ronald Sotto) traz mãe e filha, que chegam em um momento especial para a cidade: é o dia em que Virgínia (Theresa Fonseca) volta da capial ostentando o título de ''A Mais Formosa do Rio Grande do Norte'', e será recepcionada em grande estilo pela elite da cidade no Grêmio Recreativo Barropretense. Quando a princesa e a rainha depostas desembarcam, os comentários são imediatos. Impressionado com a beleza de Lúcia, Mirinho (Nicolas Prattes) dá um jeito de dizer que Tonho trabalha para sua família e que o carro pertence a eles, movimento que deixa Virgínia, a homenageada, bastante incomodada. A filha mais velha de Diógenes e Marta (Emanuele Araújo), sentindo-se ameaçada, elege Lúcia como rival.
 
Não demora para Mirinho perceber o interesse de Tonho, seu antigo amigo de infância, por Lúcia, o que tornará a convivência entre os dois ainda mais conturbada. Tomado por ciúmes da relação afetuosa entre seu pai e Tonho, o vilão passou a tratar o rapaz com desdém depois de retornar da cidade grande, onde se formou bacharel. Mirinho, cheio de vaidade e caprichos, não aceitará que Tonho, além de ter se tornado homem de confiança de seu pai – que o promoveu a administrador do engenho –, atravesse seus planos de conquistar Lúcia. E não vai medir esforços para tirá-lo de seu caminho.
 
''É um presente muito grande estar nesta novela tão revolucionária, cheia de drama, romance e reviravoltas'', destaca Prattes, celebrando também a oportunidade de experimentar algo inédito em sua trajetória profissional. ''Mirinho é a inauguração de um jeito de atuar para mim, porque é meu primeiro personagem em novelas que não é movido por um bom sentimento. Ele vai ser uma figura muito rica, cheio de camadas, em todos os aspectos''.
 
''O que mais me atraiu neste projeto foi a oportunidade de interpretar minha primeira vilã, uma personagem de uma novela das seis, onde posso explorar um lado divertido e autêntico. Isso tem me desafiado em um contexto inusitado, característico de um papel de vilã. E também a possibilidade de contracenar com o elenco envolvido e trabalhar de novo com o Gustavo Fernández (diretor artístico de 'Renascer', onde a atriz interpretou Mariana) tem sido maravilhoso. Em relação à personagem, o público pode esperar uma figura voluntariosa, determinada e ambiciosa. Ela demonstra grande obstinação, perseguindo seus objetivos e obtendo sucesso quase 100% das vezes. Sua determinação faz o querer e o poder muito próximo um do outro'', resume Theresa.
 
A vida barropretense
 
Barro Preto é uma cidade do interior que persegue ares cosmopolitas. Não à toa, vez por outra, os moradores se dedicam aos eventos que mobilizam a todos. Seja um baile no grêmio recreativo, a inauguração de um busto na praça central ou uma missa de padre Viriato (Marcelo Médici), os barropretenses não perdem a oportunidade de acompanhar as novidades da cidade. É nesse lugar que Alika (Duda Santos) e Niara (Erika Januza) precisam refazer suas vidas, tendo no horizonte um retorno a Batanga com a queda de Jendal (Lázaro Ramos). Mas isso pode levar mais tempo do que elas imaginam, afinal, a resistência ao tirano precisa ser costurada às escondidas e de forma bastante segura.
 
Na nova dinâmica da família de José (Bukassa Kabengele) e Teresa (Ana Cecília Costa), Lúcia/Alika (Duda Santos) descobre um talento para a costura ao ajudar a tia com a encomenda de um vestido complicado. Já Vera/Niara (Erika Januza), passa a responder pela cozinha da casa, marcando uma nova fase na família. A rainha, mais tarde, também reencontrará a sua vocação de ensinar, como fazia no reino, contribuindo com a escola da cidade. Essa adaptação, no entanto, não se resume a apenas assumirem novas ocupações, lidarem com as diferenças no idioma ou experimentarem os quitutes da culinária nordestina. A realeza refugiada logo conhece a outra face do país que, há menos de 40 anos, aboliu a escravidão.
 
Com uma postura crítica a questões estruturais da sociedade em que passa a viver, Lúcia/Alika começa a mostrar aos moradores do local, especialmente a Tonho, as mazelas que estão por trás de atitudes aparentemente banais. Mal sabe ele que, nessa visão de mundo dela, reside a grande mudança em sua vida. 
 
PRODUÇÃO: A MAGIA POR TRÁS DAS CÂMERAS
 
Figurino e caracterização
 
A partir de um mergulho profundo em referências históricas, culturais e estéticas de países da África, a equipe de 'A Nobreza do Amor' construiu a identidade artística que orientou todos os departamentos da produção, sob a consultoria de Maurício Camillo, pesquisador da Guiné Bissau dedicado, entre outros temas, ao estudo da história de grandes reinos africanos, e à direção de arte de Rafael Cabeça, pesquisador de cultura afro-brasileira.  ''O povo da África ficou reduzido aos estereótipos de pobreza e doença, de savana ou até de atrasado, perpetuado enquanto pobre e associado ao crime e à corrupção. É esse retrato que, em geral, aparece no audiovisual. 'A Nobreza do Amor' traça outro caminho, trazendo outras formas de viver existentes na África em suas múltiplas culturas, que também podem ser mostradas'', afirma Maurício.
 
Para a concepção de Batanga, a inspiração vem de um mosaico de referências dos povos iorubá, bantu e masai, por exemplo. ''Mesmo se tratando de uma fábula, existe uma grande responsabilidade em contar a história de um povo, especialmente quando isso envolve ancestralidade, cultura e simbolismos reais'', destaca a figurinista Marie Salles, que elege a novela como um dos projetos mais desafiadores e emocionantes de sua carreira.
 
Os protagonistas de 'A Nobreza do Amor' ganham destaque em suas apresentações, com estilos autênticos e detalhes que remetem às suas personalidades. No caso da família real de Batanga, as vestes são feitas com um padrão exclusivo, desenvolvido em tear, inspirada no Aso Oke, um tecido artesanal iorubá associado à nobreza. Tons de dourado e vermelho, cor do reino, predominam, simbolizando sua imponência.
 
No caso específico da princesa Alika, seus tecidos foram desenvolvidos com uma técnica de tingimento africana chamada ''shiburi''. Suas roupas têm estampas feitas com carimbos, foil e aplicações de pó de ouro. Quando assume a identidade de Lúcia, após a chegada a Barro Preto, a princesa adota um estilo alinhado ao cotidiano de sua nova casa, próxima ao litoral. ''Diferente de Alika, Lúcia tem uma pegada steampunk, com ferragens que remetem ao ouro, que ela usava como princesa, criando essa relação sutil entre as duas fases'', explica Marie. 
 
Se os vermelhos e dourados em tonalidades mais claras e vivas caracterizam os figurinos da família real, os trajes escuros, trabalhados em preto, cobre e marrom do vilão Jendal evidenciam seu distanciamento da realeza. Para Auri Mota, caracterizador titular da novela, o visual do personagem vivido por Lázaro Ramos é um dos destaques da obra. Sua caracterização inclui cabelos com estrutura inspirada em serpentes e escorpiões, além de pelos faciais, que contrastam com Cayman II (Welket Bungué), que não usa barba.
 
Kênia, filha do vilão, também é destaque. A personagem de Nikolly Fernandes é a que passa por mais mudanças estéticas ao longo da trama, tendo sete estruturas de cabelo exclusivas para isso. Esses modelos se transformam em quase vinte visuais diferentes, refletindo seu estilo contemporâneo e exibicionista. Assim, suas roupas e cabelos situam Kênia como uma figura à frente de seu tempo. 
 
A perucaria, aliás, é inédita para a faixa das seis. Apenas uma peça já usada em produções anteriores foi reaproveitada, com todo o restante construído ''do zero'' ou garimpado com artistas independentes em viagens pelo país. Em São Paulo, por exemplo, foram encontradas perucas nigerianas originais. No acervo da novela, entre peças adquiridas e produzidas nos Estúdios Globo, há quase 200 perucas, em sua maioria modulares, que permitem em torno de 300 combinações diferentes. Essa versatilidade possibilita criar penteados únicos para cada cena, com tranças, dreads e cabelos adornados com pedras preciosas.
 
Em Barro Preto, a estética se transforma, e o caráter fabular da trama permite às equipes de figurino e caracterização maior liberdade para definição dos estilos dos personagens. Inspirada nos balneários franceses dos anos 1920, a paleta mistura os tons terrosos das falésias com os azuis e verdes do mar, resultado da interseção entre sertão e litoral, onde a cidade fictícia se encontra. Por lá, cada personagem tem uma marca registrada. Tonho (Ronald Sotto), por exemplo, é o único personagem que veste jeans, e todo seu guarda-roupa é criado com esse tecido. Mirinho (Nicolas Prattes), vaidoso e moderno, usa roupas de alfaiate, feitas sob medida, e porta relógios de pulso na era dos relógios de bolso. Virgínia (Theresa Fonseca), interessada nas tendências de moda, com gosto sofisticado, tem roupas inspiradas nos trabalhos de Madeleine Vionnet, uma das estilistas mais influentes da alta-costura francesa.
 
As roupas dos personagens brasileiros refletem suas personalidades de maneira sutil. Marta (Emanuelle Araújo) e Graça (Fabiana Karla) expressam rivalidade através de seus estilos contrastantes – enquanto uma é comedida, com uma elegância art déco traduzida em listras e pantalonas, a outra tenta imitá-la com um cômico exagero al mare, com bolsas e chapéus em formato de caranguejos, conchas, peixes e águas-vivas. ''Graça mira na rival, mas vai parar no fundo do mar, tornando-se um completo oposto de Marta'', explica Marie.
 
Alheios à briga silenciosa de suas esposas, Diógenes e Casemiro também usam roupas muito diferentes – o personagem de Danton Mello veste as golas descartáveis da moda, enquanto Cássio Gabus Mendes ostenta um visual rústico, com coletes que remetem às cores da terra.
 
Outro diferencial de 'A Nobreza do Amor' é o trabalho com foscos e brilhos nas peles e cabelos dos personagens africanos, reforçando as cores avermelhadas do reino sob sol intenso e poeira no ar. Para Batanga e arredores, a caracterização vai incluir pinturas corporais, escarificações em forma de queloides e alargadores de orelhas. Esses elementos valorizam a diversidade e a ancestralidade do continente africano. ''Existe um universo muito maior do que aquele que estamos acostumados a ver. Nossa ideia é trazer essa riqueza visual de lá para cá, a fim de contar um pouco mais sobre uma história apagada por muito tempo'', afirma Auri Mota.
 
Cenografia
 
Em uma área de mais de 4.500 metros quadrados, foram construídos nos Estúdios Globo os dois universos de 'A Nobreza do Amor': Batanga, em projeto liderado pela cenógrafa Paula Salles, e Barro Preto, assinada por Fábio Rangel. Ao todo, 300 pessoas estiveram envolvidas na construção, que levaram mais de três meses para erguer o reino africano, com 974 metros quadrados, e a cidade fictícia do Brasil, com 3.532 metros quadrados.
 
A produção, entretanto, se estende para além desses muros. As gravações foram iniciadas no Rio Grande do Norte, em dezembro de 2025, com cenas em locações escolhidas por suas semelhanças geográficas com a África. Além disso, diversas locações externas no Rio de Janeiro apoiaram as filmagens. A batalha final da Guerra da Independência, liderada pelo Rei Cayman II, por exemplo, foi encenada na Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói, um sítio histórico que começou a ser construído em 1555. A locação foi ponto de partida para a cenografia de Batanga: segundo Paula Salles, o ambiente reproduzido nos Estúdios Globo funciona como uma extensão da fortaleza após a retomada do poder pelo povo africano. 
 
O conceito por trás do reino que orientou a equipe de cenografia encontra também inspiração na relação da terra com a natureza. ''Estamos muito conectados à ideia de terra sagrada'', comenta Paula. Nesse contexto, surge um dos elementos mais importantes da composição: o baobá. Presente antes mesmo da fase principal da novela, ele marca território como símbolo de resistência. ''Funciona quase como um ancião, um elemento de muito poder, que estabelece uma ligação importantíssima com a história'', define a cenógrafa. Estruturada como uma torre metálica revestida com placas de tela de galinheiro em poliuretano, a árvore cenográfica tem cerca de três metros de largura, seis metros e meio de altura e uma copa de aproximadamente doze metros de folhagem, impondo-se como marco sagrado do reino. 
 
Ao redor do baobá, a cenografia organiza elementos que reforçam a influência da cultura africana em Batanga. Entre eles estão os muxarabis, treliças vazadas de origem árabe usadas no norte da África, e os símbolos adinkra, ideogramas tradicionais do povo Akan, usados há séculos para expressar seus valores e filosofia ancestral. É possível observá-los no cenário em portas, janelas e paredes, além das roupas dos personagens da realeza batangui.
 
Na reprodução da fortaleza nos Estúdios Globo, estão ambientes importantes para a história. A sala do trono, um dos mais emblemáticos, conta com madeira entalhada, bandeiras e pinturas feitas à mão, que transformam o ambiente numa expressão da opulência africana. Dois tronos foram criados, cada um com tipologia própria, relacionados a dois orixás da cultura iorubá: Iansã, para o trono da rainha, e Xangô, para o trono do rei. Paula explica que a escolha estética valoriza sempre o que seria feito por muitas mãos, não por processos fabris.
 
O cuidado artesanal que marca a realeza de Batanga também prepara o olhar do público para o contraste com a potiguar Barro Preto, que, de alguma maneira, também se liga ao reino africano. A paleta de Batanga tem tons alaranjados e terrosos, que servem como base neutra para que os figurinos vibrantes, marcados por vermelhos e dourados, ganhem força. Em contraste, quando a narrativa cruza o oceano e chega a Barro Preto, a lógica se inverte: ali, as casas são mais coloridas, e por isso os figurinos assumem tons mais neutros, criando um equilíbrio visual entre personagens e cidade. A novela também estabelece uma ponte luminosa entre esses dois universos: enquanto Batanga já possui iluminação própria, Barro Preto ainda vive à base de lamparinas. 
 
Barro Preto é, então, para o cenógrafo Fábio Rangel, uma cidade ''parada no tempo''. Ficcional e ambientada no Rio Grande do Norte, sua construção visual partiu de uma ampla pesquisa em referências das regiões Norte e Nordeste, explorando casarios coloridos e fachadas históricas preservadas desde o século XIX, como as de Cachoeira (BA) e Olinda (PE). Em sua composição, nada remete à modernização: as casas carregam marcas de envelhecimento natural, sem interferências contemporâneas. A arquitetura é eclética, combinando elementos clássicos e góticos, entre outras influências.
 
A organização da cidade faz uma homenagem às novelas clássicas: Barro Preto se estrutura em torno de uma praça central, onde se dispõem igreja, armazém e casas principais – um formato que remete a produções como 'Roque Santeiro' (1985) e 'Tieta' (1989). Entre os elementos mais marcantes, está o busto da mãe do prefeito Bartô, que será animado por computação gráfica, reagindo aos principais acontecimentos da cidade. Para a constituição de Barro Preto houve também gravações em locações externas no Rio. A fazenda do núcleo de Tonho (Ronald Sotto), por exemplo, foi gravada na Fazenda da Taquara, onde a equipe instalou o Engenho Santa Fé. 
 
Fábio estruturou Barro Preto como um mosaico de pequenos mundos, onde cada núcleo ganha traços de suas identidades. Os personagens de origem libanesa, por exemplo, recebem referências específicas dessa cultura, enquanto o banqueiro Diógenes (Danton Mello) habita um ambiente com visual mais inglês, reforçando sua posição de poder. Como a cidade abriga o núcleo mais cômico da novela, Fábio explica que a cenografia é “mais leve, brinca com essa coisa da vilania e dos heróis de um jeito um pouco mais caricato”. 
 
Ao longo da novela, Barro Preto é palco de diversas tramas, entre elas, a chegada da realeza deposta de Batanga. Para esses momentos, a cenografia reforça a ligação profunda entre os dois universos. A presença africana continua atravessando Barro Preto de modo discreto, mas significativo: aparecem ali ecos de técnicas, saberes e simbologias trazidos da África, como referências à serralheria tradicional e aos adinkras, incluindo o Sankofa, símbolo que evoca a importância de revisitar o passado para seguir adiante. Esses elementos aparecem em detalhes arquitetônicos e grafismos em cenários como a casa de José/Zambi (Bukassa Kabengele), sob a ideia de que o território brasileiro apresentado na novela é atravessado por essa herança ancestral.
 
Produção de arte
 
A equipe de produção de arte, comandada por Flavia Cristofaro, também mergulhou em uma pesquisa extensa de referências, a partir dos mais variados objetos, desde armas, passando por automóveis e alimentos, para constituir os dois universos da novela. Também foram estudados materiais gráficos variados, além de hábitos e costumes dos africanos e nordestinos dos anos 1920.
 
''No caso de Batanga, escolhemos como base a costa ocidental da África, respeitando os signos de seus muitos povos e nações, mas lembrando que estamos criando uma fábula. Trabalhamos com uma mescla gigantesca de inspirações e, através de nossas próprias lentes, aplicamos nossa licença poética, construindo a estética da novela, tensionando a todo tempo o real e o ficcional'', afirma Flavia.
 
Em Batanga, parte das referências tem como eixo a estética iorubá, incluindo as armas usadas nas cenas de luta. Foram confeccionadas cerca de 50 peças, incluindo lanças, espadas e escudos, tanto em versões de polipropileno, com mais detalhismo e acabamento mais refinado, para gravações em primeiro plano, quanto em MDF, material derivado da madeira, para planos mais distantes. 
 
A gastronomia também demandou olhar especial da produção de arte. Em uma obra com muitos eventos, a comida é central. Para festas no reino africano, por exemplo, a equipe desenvolveu cada item individualmente. ''Foi um processo difícil, porque a comida africana é diferente dos padrões ocidentais. Aqui, quando pensamos em realeza, vem logo a imagem do champanhe, do glamour eurocentrado. Na África, é diferente, o 'glamouroso' é definido sob outro ponto de vista. Há um senso de coletividade e ritual, tudo tem um significado'', detalha Flavia. Na festa de casamento de Jendal (Lázaro Ramos) e Alika (Duda Santos), por exemplo, a mesa surge repleta de flores e frutas naturais e secas, como damascos e tâmaras, além do vinho de palma, que vem da fermentação da seiva de palmeiras.
 
No Brasil, para as dependências do Engenho Santa Fé, foram feitos sacos de açúcar, amarrados de cana, rapaduras e garrafas de aguardente cenográficos, seguindo evidências históricas de como eram essas fazendas na época da novela. Os itens fabricados e vendidos pela fazenda vão adotar também uma grafia antiga, como ''assúcar'', o que reforça a ideia de Barro Preto como uma cidade parada no tempo.
 
Como Batanga é também um reino de anciãos respeitados, a produção de arte constituiu um acervo de objetos sagrados, como o colar Opelê-Ifá, instrumento utilizado no culto de Ifá, e, na história, usado por Oruka (Vado). Chinua (Hilton Cobra), por sua vez, carrega um cetro, feito em colaboração com mais dois ferreiros, com um tronco em escultura e a incorporação de um símbolo adinkra, muito presente nos objetos africanos da novela. ''Temos um consultor babalorixá, Márcio de Jagun, professor de cultura iorubá, que nos orienta nas cenas que envolvem rituais religiosos, porque tudo, como, por exemplo, se o orixá é feminino ou masculino, faz diferença. Cada detalhe tem significado. Procuramos sempre fazer tudo com muito respeito'', conta Flavia.
 
Do outro lado do Atlântico, outra característica de Barro Preto é a relação com o tempo. De ritmo mais lento, são poucos os carros na cidade, apesar de, vez por outra, Mirinho (Nicolas Prattes) passear com seu Hupmobile, um automóvel alugado de um colecionador em São Paulo especialmente para as cenas da família Bonafé. Nas ruas da cidade fictícia, o fluxo é de bicicletas e, para levar as crianças às aulas, a prefeitura disponibiliza uma jardineira escolar pouco convencional, reforçando o caráter de fábula da história. Outra jardineira será usada como um meio de transporte público para a comunidade barropretense.
 
Outro destaque da cidade é o busto interativo de Dona Veneranda Lobo, mãe do prefeito Bartolomeu. Estruturada como um altar doméstico na praça de Barro Preto, com um espaço reservado às flores e velas, a estátua foi talhada com base no rosto do ator Fábio Lago, que interpreta Bartô. As expressões da falecida Veneranda através do monumento serão inseridas na pós-produção.
 
A novela rende ainda uma homenagem a Mestre Vitalino, um dos maiores artesãos e ceramistas do país. Na trama, Dona Menina, vivida por Zezé Motta, e seu neto, personagem de Levi Asaf que terá o mesmo nome do artista pernambucano, dominam a arte do barro e vão vender suas esculturas na feirinha da cidade. Parte desses objetos foi produzida por Emanuel Vitalino, neto de Mestre Vitalino, incorporando ao acervo da novela cerca de 20 peças que retratam a vida na região.
 
Produção musical e trilha sonora
 
A trilha sonora original de 'A Nobreza do Amor', assinada por Eduardo Queiroz, nasceu com a diretriz de utilização contínua de referências africanas para sua composição. A partir de um conceito de África transversal, foram previstos elementos inspirados em múltiplas tradições e ritmos do continente. Para imprimir essa atmosfera plural, a trilha instrumental conta com 92 composições originais, utilizando tambores de timbres específicos, variações de marimba, texturas vocais e estruturas baseadas em polirritmia.
 
Já para a ambientação sonora brasileira, foram incluídos também arranjos com influência do jazz de Nova Orleans, gênero que dialoga com a época retratada na novela. Em Barro Preto, optou-se pela criação de uma banda de três músicos, interpretados pelos atores Rafa Durand, Márcio Fonseca e Ivson Rainero. O trio será figurinha carimbada nas festas e eventos sociais da cidade potiguar.
 
Por sua vez, a seleção da trilha sonora comercial ficou a cargo da área de produção musical da Globo, em diálogo com o diretor artístico Gustavo Fernández. Algumas regravações foram encomendadas especialmente para a novela como ''Os Amantes'', de Luiz Ayrão, agora na voz de Chico César, e uma releitura de ''Coração'', forró de Dorgival Dantas, na voz de Zé Vaqueiro. Outras surpresas serão apresentadas ao público ao longo da novela.
 
A trilha ainda incorpora as canções ''Endoideceu Meu Coração'', na versão de João Gomes; ''Berê Berê'', de Josy.Anne; ''Problema Seu'', de Felipe Cordeiro; ''É Segredo'', de Mariana Volker; ''Povo de Légua'', do Morro da Crioula; e ''Filho de Rei'', de Mateus Aleluia e Pastoras do Rosário. Há também uma forte presença africana, com faixas como ''Kothbiro'', do queniano Ayub Ogada; ''Hoya Hoya'', da moçambicana Lenna Bahule; e ''Valha'', de Otis, também natural do Moçambique.
 
ENTREVISTA COM OS AUTORES DUCA RACHID, JÚLIO FISCHER E ELÍSIO LOPES JR.
 
Duca Rachid é paulista, nascida em Mogi das Cruzes, São Paulo. Estreou na TV Globo como colaboradora de Walcyr Carrasco, em 'O Cravo e a Rosa' (2000) e 'A Padroeira' (2001). Em 2005, assinou a temporada de 'Sítio do Picapau Amarelo', ao lado de Júlio Fischer e Alessandro Marson. Iniciou a bem-sucedida parceria com Thelma Guedes, em 2006, com a novela das seis, 'O Profeta'. As duas assinaram juntas, na sequência, as novelas 'Cama de Gato' (2008), 'Cordel Encantado' (2011), 'Joia Rara' (2013) e 'Órfãos da Terra' (2019), sendo as duas últimas vencedoras do Emmy Internacional de Melhor Telenovela. Em 2023, inaugurou a atual parceria com Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr. com a novela 'Amor Perfeito' (2023).
 
Júlio Fischer é dramaturgo e roteirista, nascido em Porto Alegre (RS). Na TV Globo, é autor-roteirista desde 1997, onde foi colaborador de autores como Walther Negrão, Elizabeth Jhin, Duca Rachid e Thelma Guedes, em mais de uma dezena de novelas, entre elas, 'Era uma Vez...' (1998), 'Desejo Proibido' (2007) e 'Cordel Encantado' (2011). Assinou, junto com Duca Rachid e Elisio Lopes Jr., a novela 'Amor Perfeito' (2023). Como autor titular, esteve à frente do 'Sítio do Picapau Amarelo' (2001), com Duca Rachid e Alessandro Marson, e 'Sol Nascente' (2016), com Walther Negrão e Suzana Pires. Pós-graduado em Teatro pela Universidade de São Paulo, orientado por Barbara Heliodora, foi assessor de Bibi Ferreira no espetáculo ''Brasileiro Profissão Esperança'', estrelado e dirigido pela atriz, e autor de peças como o musical ''A Canção de Assis'', ''Personalíssima – A vida e as canções de Isaura Garcia'', ''Emilinha e Marlene, as Rainhas do Rádio'', em parceria com Thereza Falcão, e ''As Brasas'', em parceria com Duca Rachid, baseado no romance homônimo de Sándor Marai.  Atua como mentor em oficinas de roteiro na TV Globo.
 
Elisio Lopes Jr é roteirista, dramaturgo e diretor artístico, nascido em Salvador (BA), com atuação em teatro, televisão e cinema. Fez sua estreia como autor de novelas em 'Amor Perfeito' (2023), dividindo a autoria com Duca Rachid e Júlio Fischer, e é coautor da série original Globoplay 'Reencarne' (2025). Tem em seu currículo mais de 30 textos teatrais montados no Brasil, entre eles, os musicais ''Torto Arado'' (2024) e ''Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro'' (2019) e as peças ''A Peleja da Santa Dulce dos Pobres'' (2023) e ''Liberté'' (2022). No cinema é um dos roteiristas de ''Ó paí ó 2'' (2023) e ''Medida Provisória'' (2022). Na TV Globo, assinou a redação final do programa 'Lazinho com você' (2017) e roteiros de programas como 'Esquenta' (2011). No Canal Brasil, assinou também roteiros do programa 'Espelho' (2005). Fez consultoria para os roteiros das séries 'Fim' (2023), de Fernanda Torres, e 'Filhos da Pátria' (2017), de Bruno Mazzeo. Assinou ainda o roteiro da série ficcional 'Papo de Moleque' (2013), na TV Brasil. Tem três livros publicados: ''Carne Fraca'' (1998), ''Trilogia da Noite'' (2017) e ''Monocontos - Histórias para ler e encenar'' (2021).  
 
Como vocês definem 'A Nobreza do Amor'?
Duca Rachid: A novela é uma fábula. Nesse sentido, tem uma mecânica muito parecida com ‘Cordel Encantado’ (2011), mas mergulha num universo que consideramos inédito na televisão brasileira: o de retratar a África. ‘A Nobreza do Amor’ fala sobre a cultura desse continente, tão próxima de nós e, ao mesmo tempo, tão distante, justamente porque quase nunca é abordada. É importante ressaltar, no entanto, que estamos falando de um reino fictício, embora inspirado em elementos reais. A África é enorme, com uma diversidade cultural imensa, e a África da novela reúne traços de muitas tradições presentes no continente.
 
Elisio Lopes Jr: O ponto de partida da novela é a reconexão histórica entre África e Brasil, através de caminhos que, mesmo marcados por um início traumático para o povo preto, deram origem à formação do país. A trama revisita essas rotas de ida e volta, refletindo sobre identidades e nobrezas arrancadas durante o sistema de escravização e que, muitas vezes, não puderam retornar às suas origens mesmo após a abolição. No meu coração, a novela carrega justamente essa ideia: a possibilidade de reconstruir esse “caminho de volta”. A partir dessa perspectiva, construímos uma fábula que se desenrola tanto no Nordeste quanto na África. São arenas fictícias, uma cidade inventada e um reino criado especialmente para a narrativa, mas ambos profundamente inspirados no caldeirão cultural produzido por séculos de intercâmbio entre esses universos. 
 
Júlio Fischer: Da alternância entre África e Nordeste nasce uma dinâmica que buscamos imprimir no texto. A intenção é que esse movimento contínuo se reflita diretamente na estrutura da novela. Um dos grandes desafios dramatúrgicos é fazer com que pareça uma única novela, mesmo trabalhando uma trama que se desenrola em dois universos paralelos, situados em continentes distintos. Para nós, autores, apesar de ser um desafio significativo, é também uma grande conquista para a obra. A proposta é que cada capítulo traga uma ampla variedade de cores, formatos e caminhos narrativos. 
 
Como foi a pesquisa que orientou a construção de Batanga?  
Júlio: Elisio fez um trabalho maravilhoso de levantamento de várias referências de diferentes regiões da África: história, personagens, estética. A gente foi bebendo de tudo isso, além de outras referências, como a nossa literatura regional, que foram sendo agregadas ao longo do processo. Misturamos esses materiais, fomos trabalhando e fazendo nossas escolhas. Não houve uma única linha ou fonte específica. O que fizemos foi selecionar, entre todas essas influências, aquilo que nos interessava para contar da melhor forma possível essa história. 
 
Elisio: Esse material foi compartilhado com todas as equipes – criação, figurino, arte e mais – porque, mesmo sendo uma história de ficção, queríamos que tivesse um ''pé'' na realidade. Isso criou para nós uma unidade, com elementos de histórias que realmente aconteceram. O levantamento é um conjunto de estudos, artigos, pesquisas e trechos que recortamos para encontrar o que nos interessava. 
 
Quais são os pontos de destaque e as principais mensagens que vocês procuram transmitir com a novela? 
Duca: Um dos pontos mais importantes é a consciência que Alika (Duda Santos) desperta nas pessoas ao seu redor. Por exemplo, Tonho (Ronald Sotto) trabalha em um engenho, um lugar que historicamente representa muito sofrimento para o povo preto, e ele não tem essa percepção. Ele é afilhado do dono do engenho, cresceu ali, faz parte daquele universo, mas sem consciência do que tudo aquilo significa. Alika traz essa reflexão e desperta a consciência dele, provocando uma mudança real no personagem. Aos poucos, ele começa a entender quem é e de onde veio. Outra personagem que ela transforma, por exemplo, é a Mundica (Samantha Jones), uma jovem negra que deseja ascender, ser respeitada, e acredita que só conseguirá isso através do casamento, através de um homem. Alika mostra, abre seus olhos para que enxergue sua capacidade de conquistar tudo isso por conta própria, com seus próprios recursos. A presença dela ilumina as melhores facetas dos demais personagens, despertando algo novo. Alika é uma protagonista que provoca transformação por onde passa, e essa é uma das mensagens mais fortes que a novela traz.
 
Júlio: Um ponto de semelhança muito interessante entre Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto), nosso par romântico principal, é que cada um carrega um forte senso de responsabilidade com seus coletivos, cada qual com suas particularidades. Alika se preocupa profundamente com Batanga e seu povo. O Tonho, por sua vez, tem uma ligação muito forte com sua gente, com a comunidade onde vive. Dramaturgicamente, isso enriquece muito os personagens e dá uma outra dimensão para essa história de amor. Eles não são apenas dois jovens apaixonados. Eles têm propósitos maiores, cada um do seu lado, e que depois vão unir essas forças. A existência desse ideal coletivo, que os move, é um dado fundamental para compreender as motivações dos nossos dois protagonistas.
 
Elisio: Essa novela é uma história sobre despertar a nossa nobreza. Cada personagem vive o despertar de uma nobreza, ou de várias nobrezas, se quisermos falar no plural. A Alika descobre o amor verdadeiro, e isso se junta a tudo que ela já tem de ideal e de força, impulsionando a jornada dela. O Tonho desperta para seu próprio valor, a autoestima e a confiança que sempre teve guardados, mas que, pelas circunstâncias do engenho, nunca conseguiu exercer. O Jendal (Lázaro Ramos) desperta para o próprio limite, porque ele parece alguém que não tem limites, como se pudesse ir a qualquer lugar, mas, em algum momento, vai encontrar esse limite. Em Barro Preto também vemos esses movimentos. A Virgínia (Theresa Fonseca) vai despertar para o fato de que não é tão maravilhosa quanto acredita ser. A Mundica (Samantha Jones) desperta para um entendimento de que a força dela não está em conseguir um marido rico, mas nela mesma. Cada personagem, cada trama da novela, traz um despertar. Um despertar das nossas nobrezas, do que temos de melhor para descobrir dentro de nós mesmos. Existe também um paralelo importante com a nobreza presente na nossa negritude, na cultura do nosso país. Tivemos um cuidado muito grande com o vocabulário e com tudo que envolve essa dimensão simbólica do termo ''nobreza'', porque ele dialoga diretamente com essa identidade que queremos valorizar.
 
Qual é o enredo central da novela? 
Elisio Lopes Jr: A novela conta a história de uma princesa de um reino africano que, depois de um golpe, no qual o primeiro-ministro derruba um rei popular com apoio dos ingleses, vê toda sua família condenada à morte. Para salvar a vida dos pais, ela aceita se casar com o vilão, mas a união não se consuma, porque ela foge antes. Refugiada no Brasil com a ajuda de um turco que se apaixonou por ela durante uma viagem de negócios ao reino, a princesa encontra acolhimento junto ao tio em Barro Preto. Ele era o primeiro na linha sucessória de Batanga, mas veio ao Rio Grande do Norte para pesquisar tungstênio, apaixonou-se por uma brasileira e abdicou do trono para viver ao lado dela. No Brasil, a princesa encontra esse porto seguro e acaba se apaixonando por um nordestino, um trabalhador rural de um engenho de cana-de-açúcar. A história principal vai partir desse cenário.
 
Júlio: A partir desse ponto mencionado pelo Elisio, acompanhamos a luta da princesa para voltar ao seu país, recuperar o trono que lhe foi tirado e assumir seu lugar como futura rainha. Esse é o arco da nossa Alika (Duda Santos). E, no meio dessa jornada, surge o amor pelo plebeu brasileiro. O grande conflito passa a ser: como essa princesa, que precisa retornar ao seu continente e reivindicar sua coroa para salvar o seu povo de uma tirania cruel, vai lidar com esse novo sentimento que descobriu aqui, por um homem tão enraizado na terra que o viu nascer e tão comprometido com a sua gente?
 
De que maneira vocês esperam que a novela impacte o público? 
Júlio: A sociedade está acostumada a não olhar para a África. Nossa esperança é que 'A Nobreza do Amor' possa levar as pessoas a direcionarem seus olhares para lá. A novela não vai trazer tudo do continente, mas pode acender um desejo de conhecer mais sobre esse lugar e essa cultura tão especiais. Há tantas histórias, tantos dramas que sequer chegam até aqui, que não aparecem nos telejornais, e acabamos sem ter acesso a essa dimensão da realidade africana. Então existe, sim, um desejo nosso de que a novela deixe uma sementinha nesse sentido. Que essa fábula possa, de alguma forma, despertar curiosidade, abrir portas, criar pontes, e incentive o público a buscar mais, a procurar entender melhor a África e toda a riqueza que ela representa.
 
Duca: Precisamos lembrar que a África nos diz respeito, e muito. 
 
De onde nasce a motivação de vocês para contar essa história? 
Elisio: A novela realmente nasce do nosso amor. Esse é um registro muito importante. Nós fizemos 'Amor Perfeito' (2023) juntos e acabamos criando um vínculo muito forte, que despertou em nós um desejo de continuar contando histórias que façam sentido. Esse é o nosso ponto de partida. Durante um ano e meio, pensamos em várias ideias, e nenhuma delas foi aleatória. Buscávamos algo que realmente importasse para nós três. O desejo de fazer uma novela protagonizada por uma princesa preta foi nosso start, porque nunca houve uma na televisão brasileira. Passamos muitos anos vendo personagens negros colocados em posições de subserviência ou sem família, sem história, sem passado. Neste momento, para nós, é fundamental apresentar uma protagonista negra, e, além disso, um vilão negro, reafirmando que podemos ocupar esses espaços e que essas narrativas são relevantes. Os sentimentos desses personagens, independentemente se são ''mocinhos'' ou ''vilões'', importam. Meu sonho, no fim das contas, é que as meninas pretas possam ter festas de aniversário com o tema princesa Alika, queiram ganhar bonecas da Alika de presente... Que isso alimente esse lugar de autoestima e de reconhecimento na vida das crianças negras. Esta é uma história sobre humanidade, sobre reconhecer e despertar as nossas próprias nobrezas.
 
Entrevista com o diretor artístico Gustavo Fernández
 
Natural de Porto Alegre (RS), Gustavo Fernández iniciou sua trajetória na Globo como assistente de direção, função na qual realizou seus dois primeiros trabalhos: a minissérie 'Os Maias' (2000) e a novela 'Esperança' (2002), ambas com direção de Luiz Fernando Carvalho. A partir de 2003, na minissérie 'Um Só Coração', passa a atuar como diretor, integrando, a seguir, as equipes de 'Começar de Novo' (2004), 'Belíssima' (2005), 'Pé na Jaca' (2006), 'Duas Caras' (2007), 'A Favorita' (2008), 'Cama de Gato' (2009), 'A Cura' (2010), 'Cordel Encantado' (2011), 'Avenida Brasil' (2012) e 'Velho Chico' (2016). No cargo de diretor geral, assinou a minissérie ‘O Brado Retumbante’ (2012), as novelas ‘Além do Horizonte’ (2013) e 'Boogie Oogie' (2014), além da série 'Os Dias Eram Assim’ (2017). Em 2019, realizou sua primeira direção artística com a novela ‘Órfãos da Terra’, que ganhou o Emmy Internacional na categoria Melhor Telenovela em 2020. Como cineasta, assinou a direção do filme 'Predestinado – Arigó e o espírito do Dr. Fritz', em 2022. No mesmo ano, dividiu com Rogério Gomes a direção artística de 'Pantanal'. Em 2023, assinou a direção artística da série 'Justiça 2' e, em 2024, da novela 'Renascer'.
 
Como você define artisticamente 'A Nobreza do Amor?' 
A novela é uma fábula. Isso aparece tanto na criação do reino africano fictício quanto na forma como retratamos o Brasil. Quando se fala em fábula, muita gente pensa apenas nesse reino inventado, mas, curiosamente, o nosso reino africano, apesar de fictício, tem uma representação estética muito realista. O reino não existe e nunca existiu nada exatamente daquele jeito, é uma fusão de várias influências. Ainda assim, tudo o que aparece, figurino, cenografia, conceitos, é baseado em pesquisa e em elementos reais. O resultado é tão bonito, tão mágico, tão impressionante, que acaba evocando a fábula. Por outro lado, no Brasil, um país real, a cidade de Barro Preto tem uma estética ainda mais fabular do que Batanga. Barro Preto não é sertão e nem litoral; é situada numa falésia, isolada, onde o mar não é visível. Criou-se ali um microcosmo próprio. Tanto figurinos quanto cenários têm um tom a mais, não são realistas no sentido estrito, não se veste nem se comporta exatamente como na realidade.
 
De que maneira essa representação da África foi pensada? 
É a primeira vez que a TV Globo aborda a África nesse nível. Já houve novelas que mostraram um pouco dessa cultura, mas contar uma história centrada na diversidade africana, com tantos personagens, ao longo de toda a novela, é algo inédito. Então, mesmo sendo uma fábula, temos muita responsabilidade nessa abordagem. Não dá para trabalhar de forma leviana. 
 
Quais foram as referências para o núcleo de Barro Preto? 
Quando começamos a novela, pedi ao cenógrafo que criasse a cidade com uma vibe parecida com 'Roque Santeiro' (1985). Para mim, essa novela tem muito do clima de ‘Roque Santeiro’, esse tom característico das novelas realistas-fantásticas do Aguinaldo Silva, com personagens marcantes, cores e exageros sutis. Não chega a ser uma farsa, vale ressaltar, mas tem um tom a mais, um colorido próprio, uma identidade muito particular. 
 
Quais aspectos da novela chamam mais atenção?
O figurino africano é totalmente original – não existe acervo para esse universo aqui. Cada peça está sendo criada dentro da própria costura da Globo. É um trabalho extremamente artesanal, feito manualmente, detalhe por detalhe, costurado e montado com muito cuidado. É bonito de ver acontecer. Isso valoriza não só a estética da novela, mas também o trabalho da empresa, porque estamos falando de um figurino de alta qualidade, quase inteiramente produzido por mão de obra interna. Além disso, temos uma produção “fora da curva” em todos os sentidos, diferente do tradicional da novela que vemos nessa faixa de horário. 
 
A paleta de cores tem um papel muito marcante na identidade visual da novela. Como vocês definiram esse uso das cores entre os dois universos? 
A novela é muito colorida. A África é vibrante, Barro Preto também é vibrante, mas cada um de um jeito muito particular. Trabalhamos com paletas diferentes para cada universo: no reino africano, predominam vermelhos, ocres e tons terrosos; em Barro Preto, os verdes ganham mais força no figurino e na ambientação. Não é uma divisão simples de ''quente e frio'', mas uma diferenciação de atmosferas. A fotografia acompanha essa intenção.
 
Quem já teve contato com a obra costuma citar referências como a novela 'Cordel Encantado' e o filme ''Pantera Negra''. O que você pode comentar sobre essas associações?
Sobre 'Cordel Encantado', a estrutura lembra um reino fictício e uma cidade brasileira do Nordeste, mas a história é totalmente diferente. Essa semelhança estrutural também não é escondida. Digamos que é uma admissão carinhosa, não uma coincidência disfarçada. Há, inclusive, a intenção de resgatar alguns personagens de 'Cordel' para participações em 'A Nobreza do Amor'. Em relação a Wakanda, o universo de ''Pantera Negra'', essa comparação aparece por ser uma referência pop recente de um reino africano fictício. Mas não há essa aproximação com a nossa novela, Wakanda é um reino mais atual, tecnológico, 'Nobreza' é de época, com outra estética e temática.
 
PERFIS DOS PERSONAGENS
 
BATANGA 
 
FAMÍLIA REAL
 
ALIKA/LÚCIA (Duda Santos) – Princesa e futura rainha de Batanga, é filha única do rei Cayman II (Welket Bungué) e da rainha Niara (Erika Januza). Após uma grande turbulência no reino, causada pelo golpe de estado do primeiro-ministro Jendal (Lázaro Ramos), a quem a mão de Alika havia sido prometida, ela foge para o Brasil e se dedica à missão de retomar Batanga e conduzi-la a tempos de paz e prosperidade. Refugia-se com a mãe na casa de seu tio José/Zambi (Bukassa Kabengele), na cidade de Barro Preto, no interior do Rio Grande do Norte, e assume a identidade de Lúcia dos Santos. Lá, conhece Tonho (Ronald Sotto), um jovem trabalhador de engenho com forte senso de justiça. O encanto entre os dois é imediato, embora não revelado inicialmente.
 
NIARA/VERA (Erika Januza) – Esposa de Cayman II (Welket Bungué) e rainha deposta de Batanga. Assim como a filha, Alika/Lúcia (Duda Santos), foge para o Brasil e se refugia em Barro Preto, na casa dos cunhados José/Zambi (Bukassa Kabengele) e Teresa (Ana Cecília Costa), de onde apoia a luta da filha pela retomada do reino. Professora, vai lecionar na escola da cidade, dando aulas sobre cultura e história africana, assim como fazia em Batanga. Em terras brasileiras, se apresenta como Vera dos Santos. Sua beleza e sabedoria vão chamar a atenção do médico e jornalista Onildo Monteiro (Paulo Lessa).
 
CAYMAN II/LUMUMBA (Welket Bungué) – Pai de Alika (Duda Santos) e marido de Niara (Erika Januza). Filho caçula de Cayman I, assume a coroa de Batanga após a vitória na Guerra de Independência do país. É deposto através de um golpe de estado do primeiro-ministro Jendal (Lázaro Ramos) e morre durante a fuga com a família real, ainda em terras africanas.
 
FAMÍLIA DE JENDAL
 
JENDAL (Lázaro Ramos) – Primeiro-ministro que se declara rei de Batanga após um golpe. Obcecado por Alika (Duda Santos), obriga a princesa a se casar com ele depois de ameaçar matar o casal real Cayman II (Welket Bungué) e Niara (Erika Januza). Quando a princesa foge de Batanga sem consumar o casamento, ajudada pelo turco Omar (Rodrigo Simas), Jendal oferece uma recompensa milionária por sua cabeça. É pai de Kênia (Nikolly Fernandes).
 
KÊNIA (Nikolly Fernandes) – Filha de Jendal (Lázaro Ramos). Fútil e ambiciosa, é uma jovem mulher ávida por experimentar todos os privilégios e luxos do poder.
 
ALIADOS ESTRANGEIROS DE JENDAL
 
MR. CAMPBELL (Michel Blois) – Um lorde inglês frio e calculista, é o principal executivo dos investidores estrangeiros no tungstênio de Batanga. Atua de forma predatória para honrar a confiança dos investidores europeus. Esconde seu mais profundo desprezo pelo povo batangui, inclusive por Jendal (Lázaro Ramos), de quem é aliado.
 
MR. JONES (João Pedro Zappa) – Homem inglês de origem simples, ascendeu como administrador através dos estudos. Teme Mr. Campbell (Michel Blois), seu companheiro de missão, e é capaz de tudo para manter-se empregado.
 
SÚDITOS DO REINO 
 
ORUKA (Vado) – Ancião, é o zelador do oráculo da corte de Batanga, a quem a realeza deve respeito, escuta e devoção.
 
CHINUA (Hilton Cobra) – Conselheiro do rei Cayman II (Welket Bungué), permanece no cargo após o golpe de Jendal (Lázaro Ramos), mas sempre fiel à memória de Cayman e a sua família. É um importante aliado de Dumi (Licínio Januário) na resistência ao tirano, numa articulação feita em segredo. 
 
DUMI (Licínio Januário) – Chefe da guarda de Cayman II (Welket Bungué), segue no cargo durante o reinado de Jendal de maneira estratégica. Recebe da princesa Alika (Duda Santos), antes da fuga para o Brasil, a missão de liderar a resistência ao governo de Jendal (Lázaro Ramos). É o principal aliado da princesa. Vai se aproximar de Kênia (Nikolly Fernandes) com o objetivo de conseguir informações privilegiadas.
 
AKIN (André Luiz Miranda) – Aliado de Dumi (Licínio Januário) e Chinua (Hilton Cobra) nas ações da resistência para derrubar Jendal (Lázaro Ramos) e permitir a volta de Alika (Duda Santos) a Batanga como rainha. 
 
LADISA (Rita Batista) – Entra para a resistência ao governo de Jendal (Lázaro Ramos) após a morte do marido Ngozi, mesmo desconfiando de Dumi (Licínio Januário). Aprende a lutar pela justiça, tornando-se uma guerreira hábil.
 
TURQUIA 
 
OMAR (Rodrigo Simas) – Turco, filho do Paxá Soliman (Marco Ricca), aliado de Alika/Lúcia (Duda Santos) e do rei Cayman II (Welket Bungué). Numa visita à Batanga com o pai apaixona-se pela princesa e ajuda Alika e Niara (Erika Januza) a fugirem para o Brasil depois do golpe de Jendal (Lázaro Ramos). Depois de fugir do cárcere em Batanga, vai ao Brasil buscá-la para, juntos, derrubarem Jendal. Apaixonado, sua intenção é se casar com a princesa.
 
PAXÁ SOLIMAN (Marco Ricca) – Pai de Omar (Rodrigo Simas), negocia a exploração das minas de tungstênio de Batanga com o rei Cayman II (Welket Bungué), despertando a ira de Jendal (Lázaro Ramos), que mantinha negócios com os ingleses. Quando Omar é ferido e preso pelos guardas de Jendal, Soliman tenta resgatar o filho em viagem a Batanga.
 
BARRO PRETO 
 
FAMÍLIA DE TONHO 
 
TONHO (Ronald Sotto) – É um rapaz simples, sensível e honesto, filho de Caetana (Cyria Coentro). Assim como os pais, trabalha na maior fazenda de cana-de-açúcar de Barro Preto, pertencente a seu padrinho, o coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), de quem se tornou homem de confiança após a morte do pai. Na infância, foi o melhor amigo de Mirinho (Nicolas Prattes), filho do patrão. Mas essa relação muda quando o herdeiro sai da cidade para estudar no Recife. A chegada de Lúcia/Alika (Duda Santos) a Barro Preto desperta nele sentimentos nunca vividos. Nutre o sonho de ter um pedaço de terra para ajudar seu povo.
 
CAETANA (Cyria Coentro) – Mãe de Tonho (Ronald Sotto) e cozinheira da casa do coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes). Mulher forte e justa, criou sozinha o filho Tonho, depois da morte do pai.
 
FAMÍLIA DE JOSÉ/ZAMBI 
 
JOSÉ DOS SANTOS/ZAMBI (Bukassa Kabengele) – Zambi de nascimento e irmão mais velho de Lumumba/Cayman (Welket Bungué), abdicou do trono em favor do irmão mais novo, depois de, em visita ao Brasil para pesquisar as jazidas de tungstênio no Nordeste, se apaixona por uma plebeia, a costureira Teresa (Ana Cecília Costa). Vive em Barro Preto e trabalha como o engenheiro civil José, empreendendo várias obras na região. Acolhe a sobrinha Alika (Duda Santos) e a cunhada Niara (Erika Januza) quando as duas se refugiam no Brasil.
 
TERESA (Ana Cecília Costa) – Costureira por quem Zambi/José (Bukassa Kabengele) se apaixonou quando jovem, ao vir ao Brasil em uma viagem de estudos sobre o tungstênio. Em nome desse amor, Zambi abdicou da posição de príncipe herdeiro de Batanga para se instalar definitivamente em Barro Preto, como plebeu e marido de Teresa.
 
COLONOS 
 
DONA MENINA (Zezé Motta) – Parteira e benzedeira que mora na vila dos colonos do coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes). Divide seu tempo entre seu roçado, a atividade como parteira e a fabricação de peças de cerâmica, que vende na feirinha de Barro Preto. Aprendeu a moldar o barro com seu falecido marido e está passando esse conhecimento para seu neto, Vitalino (Levi Asaf). É uma espécie de oráculo do lugar. 
 
JANUÁRIO (Ítalo Martins) - Filho de Dona Menina (Zezé Motta) e pai de Vitalino (Levi Asaf), a quem criou sozinho após a morte de sua esposa no parto. Morador da vila dos colonos e fiel parceiro de Tonho (Ronald Sotto). Exerce um papel de liderança na comunidade.
 
VITALINO (Levi Asaf) – Filho de Januário (Ítalo Martins) e neto de Dona Menina (Zezé Motta), é um talento em lapidação na arte da cerâmica, revelando-se um sucessor legítimo da avó. 
 
CIÇO DIAS (Lucas Queiroga) – Vive na vila de colonos do coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes) e trabalha na fazenda, é o sanfoneiro oficial das festas da cidade. É apaixonado por Mundica (Samantha Jones), com quem sonha em se casar.
 
ENGENHO SANTA FÉ 
 
CASEMIRO BONAFÉ (Cássio Gabus Mendes) – Dono de uma lavoura e do Santa Fé, engenho de cana-de-açúcar mais importante de Barro Preto, é padrinho de Tonho (Ronald Sotto), seu homem de confiança. É manipulado pela mulher, a ambiciosa Graça (Fabiana Karla), e explorado pelo filho, Mirinho (Nicolas Prattes). Vai apoiar José (Bukassa Kabengele) em sua empreitada para trazer luz elétrica à cidade, gerando uma rivalidade com o prefeito Bartolomeu Lobo (Fábio Lago), que explora a venda de querosene para iluminação pública na cidade.
 
MIRINHO (Nicolas Prattes) – Filho do coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), é um bon-vivant que só quer aproveitar o dinheiro do pai, a quem tenta convencer de investir em seus negócios. Vai disputar Lúcia/Alika (Duda Santos) com Tonho (Ronald Sotto), de quem foi amigo na infância e agora trata como um empregado. Mirinho tem ciúmes da amizade do pai com o “amigo”. Está prometido em casamento para Virgínia (Theresa Fonseca), filha do banqueiro Diógenes Almeida Borges (Danton Mello), mas se encanta com a beleza da recém-chegada Lúcia.
 
GRAÇA BONAFÉ (Fabiana Karla) – Mulher de Casemiro (Cássio Gabus Mendes) e mãe de Mirinho (Nicolas Prattes) e Ana Maria (Julia Lemos). Graça tem mania de grandeza e vive rivalizando com Marta Almeida Borges (Emanuelle Araujo), esposa do banqueiro Diógenes (Danton Mello). Invejosa, inferniza o marido para ter tudo o que os Almeida Borges têm. É ela quem faz questão que Mirinho, seu filho preferido, se case com Virgínia (Theresa Fonseca).
 
ANA MARIA BONAFÉ (Julia Lemos) – Filha do coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes) e de Graça (Fabiana Karla), é a irmã mais nova de Mirinho (Nicolas Prattes). É uma jovem tímida e insegura, preterida pela mãe em favor de Mirinho.
 
MUNDICA (Samantha Jones) – Arrumadeira no engenho Santa Fé, foi alfabetizada por Ana Maria (Julia Lemos). É uma moça ingênua, mas muito ambiciosa, que sonha em ficar rica. No início, vê em Mirinho (Nicolas Prattes) sua chance de sair da pobreza. Mas logo se desilude e tenta a sorte com outros rapazes, para tristeza de Ciço (Lucas Queiroga), apaixonado por ela.
 
FAMÍLIA ALMEIDA BORGES 
 
DIÓGENES ALMEIDA BORGES (Danton Mello) – Banqueiro, homem mais rico da cidade, com quem quase todos os moradores têm alguma dívida. Por isso, Diógenes (Danton Mello) é o homem mais bajulado de Barro Preto. É pai de Virgínia (Theresa Fonseca), a quem adora e mima, e Aurelinda (Antonella Benvenuti). Casado com Marta (Emanuelle Araújo).
 
VIRGÍNIA (Theresa Fonseca) – Filha do banqueiro Diógenes Almeida Borges (Danton Mello), o homem mais rico da cidade, de quem todos dependem. É uma moça mimada e voluntariosa. Obcecada por Mirinho (Nicolas Prattes) desde quando os dois eram crianças, não vai se conformar quando o “prometido” se interessar por Lúcia/Alika (Duda Santos). Para tirar a princesa de seu caminho, vai lançar mão de todas as estratégias possíveis.
 
MARTA ALMEIDA BORGES (Emanuelle Araújo) – Mulher do banqueiro Diógenes Almeida Borges (Danton Mello) e mãe de Virgínia (Theresa Fonseca) e Aurelinda (Antonella Benvenuti). De hábitos cosmopolitas, gosta de estar sempre em dia com as novidades culturais das grandes cidades brasileiras e europeias. É invejada pelas mulheres, e seus hábitos são “copiados” pelas barropretenses, em especial, por Graça (Fabiana Karla), casada com o coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes). 
 
AURELINDA ALMEIDA BORGES (Antonella Benvenuti) – Filha mais nova do banqueiro Almeida Borges (Danton Mello) e de Marta (Emanuelle Araújo), inferniza a irmã, Virgínia (Theresa Fonseca).
 
PREFEITURA 
 
BARTOLOMEU LOBO/BARTÔ (Fábio Lago) – Prefeito de Barro Preto. Casado com Dôra (Vitória Rodrigues). Conservador de visão curta, é devotado à mãe, a falecida Veneranda Lobo, para quem mandou erguer um busto na praça principal da cidade. Além disso, conseguiu aprovar uma emenda vitalícia que obriga o prefeito, seja quem for, a colocar flores e velas aos pés do monumento. Apesar dos apelos dos moradores, resiste a implantar o projeto de luz elétrica na cidade, proposto por José (Bukassa Kabengele) e apoiado pelo coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes), pois tem um entreposto em sociedade com o delegado Fortunato (César Ferrario), que fornece querosene a Barro Preto e outras cidades da região.
 
DÔRA LOBO/AUXILIADORA (Vitória Rodrigues) – Mulher do prefeito Bartolomeu Lôbo (Fábio Lago). Não tem consciência de sua negritude e mira-se nas senhoras brancas da cidade.
 
SEBASTIÃO SOBRINHO/BASTIÃO (João Fontenele) – Vereador e secretário do prefeito Bartô (Fábio Lago). Homem venal e adulador, é conhecido como o “Língua de Afofô”, o fofoqueiro oficial da cidade. É apaixonado por Virgínia (Theresa Fonseca) e torna-se cúmplice de suas artimanhas.
 
PENSÃO 
 
DONA GERALDA FERREIRINHA (Carol Badra) – Dona da pensão e da loja de doces da cidade. Mãe de Adônis (Gabriel Fuentes), a quem trata como um bebê. Possessiva e controladora, tenta mandar na vida do filho.
 
ADÔNIS FERREIRINHA (Gabriel Fuentes) – Cabo lotado na delegacia de Fortunato (César Ferrario). Halterofilista como seu melhor amigo Manoel (Daniel Rangel), é vaidoso, e narcisista e um tanto infantilizado.
 
ONILDO MONTEIRO (Paulo Lessa) – Médico e jornalista nas horas vagas. Com boa oratória, é o mestre de cerimônias oficial da cidade. Morador da pensão de Dona Geralda (Carol Badra). Acaba se apaixonando por Vera/Niara (Erika Januza).
 
PADRE VIRIATO SANTANA (Marcelo Médici) – Ranzinza e mal-humorado, tem pouca paciência para as beatas da cidade. Vive com a sobrinha Belmira (Raíssa Xavier) e com a órfã Rita (Julia Salarini) na pensão de Dona Geralda (Carol Badra), pois a igreja não tem casa paroquial. As duas o tiram do sério constantemente. 
 
BELMIRA SANTANA (Raíssa Xavier) – Sobrinha do padre Viriato (Marcelo Médici), muito moralista e carola, esconde um segredo sobre a paternidade de Rita (Julia Salarini).
 
RITA DE CÁSSIA SANTANA (Julia Salarini) – Tida como órfã, foi criada pelo padre Viriato (Marcelo Médici) e sua sobrinha Belmira (Raíssa Xavier). Menina muito sapeca, vive aprontando com o padre para vê-lo ficar vermelho de raiva. 
 
DELEGACIA 
 
FORTUNATO ARAGÃO (César Ferrario) – Delegado e vereador, está sempre a serviço dos poderosos de Barro Preto. É um homem rude e desagradável. É casado com Maria Helena (Quitéria Kelly). 
 
MANOEL ARAGÃO (Daniel Rangel) – Filho do delegado Fortunato (César Ferrario), é um rapaz fraco, oprimido pelo pai. Vai se apaixonar por Ana Maria (Julia Lemos), o que exigirá coragem para assumir esse sentimento. 
 
MARIA HELENA ARAGÃO (Quitéria Kelly) – É a infeliz esposa do delegado Fortunato Aragão (César Ferrario), com quem foi obrigada a se casar depois de “se perder” com um namorado de juventude. É mãe de Manoel (Daniel Rangel).
 
MERCEARIA 
 
MIGUEL CURI (Eduardo Mossri) – Dono do armazém e birosca da cidade, quer que a filha Salma (Rayssa Bratillieri) se case com Fuad (João Fernandes), filho de uma família de comerciantes de Biri-Biri, cidade vizinha de Barro Preto.
 
FÁTIMA CURI (Kika Kalache) – Mulher de Miguel (Eduardo Mossri) e mãe de Salma (Rayssa Bratillieri), é muito devotada à família e se empenha no casamento da filha com Fuad (João Fernandes). 
 
SALMA CURI (Rayssa Bratillieri) – Filha mais velha de Miguel (Eduardo Mossri) e Fátima (Kika Kalache), nutre uma paixão por Tonho (Ronald Sotto). Apesar do sentimento pelo rapaz, construirá uma amizade com Lúcia/Alika (Duda Santos).
 
FUAD (João Fernandes) – Filho de família de comerciantes libaneses, pretendente de Salma (Rayssa Bratillieri).

*Por Phillippe Sendas e Daniel Schulze

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