FILMICCA estreia ''O Estranho'', ''Bluish'' e mais novidades dirigidas por mulheres nesta semana

Bluish (2024), de Milena Czernovsky e Lilith Kraxner

Sexta-feira é dia de estreias na FILMICCA!

Na última semana de março, mês em que apenas produções dirigidas por mulheres estrearam na plataforma, quatro novas obras, de cinco diferentes países, chegam ao catálogo.

Confira o que estreia na próxima sexta-feira (27): 

O Estranho (2023)
| Flora Dias e Juruna Mallon
| Brasil, França


Em um território indígena funciona o maior aeroporto do Brasil. Além das centenas de milhares de passageiros que transitam por ele diariamente, 35 mil trabalhadores permanecem naquele espaço, entre eles a funcionária de pista Alê. Através de sua vida cotidiana, memórias e histórias de Guarulhos vêm à tona e revelam vestígios de um passado perdido em um território em constante transformação.

'O Estranho' transita entre ficção e realidade, combinando trabalhadores reais do aeroporto com atores experientes, numa estrutura de mosaico que articula questões de ancestralidade indígena, natureza e capitalismo. Segundo projeto conjunto de Flora Dias e Juruna Mallon, o longa teve estreia mundial na Mostra Fórum da Berlinale 2023, dedicada a filmes de caráter radical ou experimental, e foi eleito Melhor Filme no 27º Queer Lisboa, além de vencer nas categorias de Melhor Som e Fotografia no Olhar de Cinema, em Curitiba.

Bluish (2024)
| Milena Czernovsky e Lilith Kraxner
| Áustria


Por vezes, ter vinte anos é não ter uma orientação muito definida nas nossas vidas e é isso que acontece a Errol e a Sasha. ‘Bluish’ acompanha o desenrolar do dia a dia das jovens em fragmentos, mostrando quem estão, o que fazem e as conexões em suas vidas.

Errol e Sasha, duas jovens na casa dos vinte anos, vagam por suas vidas e pela cidade. Aparentemente distintas, Errol contempla o mundo em solitude meditativa, enquanto Sasha, uma imigrante russa, busca conexão dentro de seus círculos artísticos. Um estudo a partir de fragmentos de existências à espera de acontecer.

Segundo longa da dupla austríaca Lilith Kraxner e Milena Czernovsky, que estreou na competição internacional do FIDMarseille 2024 vencendo o Grand Prix, o filme incorpora também sequências experimentais, como trechos do filme de realidade virtual Glitchbodies, de Rebecca Merlic, e momentos apenas em áudio sobre tela preta. Formalmente, evoca referências como Chantal Akerman e Angela Schanelec, colocando os corpos femininos no centro do espaço e do tempo.

A Criança Amada ou Eu Brinco de Ser uma Mulher Casada (1971)
| The Beloved Child, or I Play at Being a Married Woman / L'Enfant aimé ou Je joue à être une femme mariée
| Chantal Akerman
| Bélgica


Chantal Akerman amplia sua presença na FILMICCA nesta semana!

Neste curta-metragem, uma jovem mãe, sozinha com a filha, confidencia a uma amiga que por acaso é a própria diretora. Chantal Akerman, embora simpatize com a mãe, não diz uma palavra. O filme acompanha as rotinas cotidianas da jovem, intercaladas com suas divagações sobre família, vida sexual, relacionamentos e corpo, antecipando a tensão entre domesticidade e vida interior feminina que marcará toda a obra da cineasta.

Em 2023, foi restaurado pela Cinemateca Real da Bélgica e pela Fundação Chantal Akerman, com a cópia original digitalizada em 2K. 

Geração da Guerra – Beirute (1986)
| War Generation - Beirut
| Mai Masri e Jean Khalil Chamoun
| Líbano


"Geração da Guerra – Beirute" explora as vidas, os sonhos e os medos de três gerações de jovens que vivem no coração da guerra civil no Líbano. Filmado nas ruas de Beirute, o documentário acompanha jovens como Nidal, de 13 anos, que nunca conheceu a paz: nascido em 1975, quando a guerra civil teve início, cresceu em meio a brincadeiras que imitavam os combates dos adultos pelas ruas destruídas. O filme inclui também entrevistas com jovens palestinos criados nos campos de refugiados no Líbano, abordando as raízes coloniais do conflito e os desdobramentos que culminaram na invasão israelense de 1982.

A obra é fruto da parceria entre Jean Khalil Chamoun e Mai Masri, que fundaram juntos a produtora Nour Productions e ao longo de sua trajetória realizaram 15 filmes dedicados a povos vivendo sob os efeitos da guerra. Esta obra seminal permanece um dos documentos antiguerra mais impactantes do período.

Anderson Ramos

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