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| Foto: Globo/Beatriz Damy |
Ela entrou de cabeça no jogo e não escondia de ninguém: ''estou aqui pelo prêmio''. Na noite de ontem, dia 21, Ana Paula Renault se consagrou como a grande campeã do 'BBB 26', conquistando 75,94% dos votos em uma trajetória marcada pela autenticidade e determinação. Dez anos após sua participação no 'BBB 16', a veterana retornou ao reality com intensidade, sem máscaras e sem medo de se expor. Transformou sua sinceridade em estratégia, revelou o jogo dos adversários e conquistou a confiança do público. Entre embates memoráveis, ironias afiadas e uma postura firme diante das divergências, Ana Paula mostrou que não apenas participou do programa, mas mergulhou de corpo e alma na disputa e saiu vitoriosa.
"Entrei sem estratégia definida, porque achava que precisava sentir o elenco e o jogo. [...] Minha estratégia acabou sendo expor a estratégia dos outros, porque desde o primeiro dia eu dizia que estava jogando. Muitos floreavam objetivos diferentes, pareciam ter vergonha de admitir que estavam lá pelo dinheiro, mesmo estando numa casa cheia de diamantes, ouro e dinheiro na decoração. Alguns forjavam personagens: um era o bom moço, a outra a gatinha... Eu observava isso e sentia a obrigação de expor para o público, para que nos julgassem de forma transparente. Então, meu jogo era expor o jogo dos outros e irritar quem me irritava", conta.
Na entrevista a seguir, Ana Paula analisa os principais acontecimentos e estratégias de jogo que a levaram ao primeiro lugar.
Depois de 10 anos da sua primeira participação no reality, você aceitou o desafio de retornar ao Big Brother Brasil. Quais foram as maiores diferenças entre essas duas experiências?
Eu acho que a principal diferença foi o meu foco. No BBB 16 eu entrei para viver uma experiência dentro dos Estúdios Globo, queria entender como era a casa do BBB. Achei que ficaria apenas uma semana, para depois contar às minhas amigas como tinha sido. Minha irmã mais nova sempre foi muito fã do programa, ela assinava o pay-per-view porque naquela época era na TV a cabo. Então, ela me incentivou a ir, nem que fosse só para conhecer e contar para ela como era. Entrei nesse novo mundo mais na brincadeira, pela diversão, pelo oba-oba de estar na Globo. Já agora, 10 anos depois, entrei focadíssima na missão que meu pai me deu. Alcancei meu objetivo graças a todas as pessoas que me apoiaram do início ao fim, porque nada teria valido a pena sem elas. Tenho plena convicção de que cumpri minha missão porque o público esteve comigo.
Durante a competição, você foi vista como uma jogadora estratégica e sagaz. Quais eram suas estratégias de jogo para conquistar o grande prêmio?
Entrei sem estratégia definida, porque achava que precisava sentir o elenco e o jogo. Falei isso mais de uma vez. As coisas foram se desenhando naturalmente, eu fui percebendo situações que caíam no meu colo. A partir desse desenho, fui juntando pontos, cada participante dava uma nota e eu fui dançando conforme a música. Minha estratégia acabou sendo expor a estratégia dos outros, porque desde o primeiro dia eu dizia que estava jogando. Muitos floreavam objetivos diferentes, pareciam ter vergonha de admitir que estavam lá pelo dinheiro, mesmo estando numa casa cheia de diamantes, ouro e dinheiro na decoração. Alguns forjavam personagens: um era o bom moço, a outra a gatinha... Eu observava isso e sentia a obrigação de expor para o público, para que nos julgassem de forma transparente. Então, meu jogo era expor o jogo dos outros e irritar quem me irritava.
Junto com Juliano, Milena e Samira você formou o grupo dos ‘Eternos’, que em determinado momento se juntou ao grupo do quarto ''Sonho do grande Amor''. Depois de algum tempo, esse grande grupo rachou. Na sua opinião, qual foi o motivo desse rompimento?
Com o grupo do "rendez vous" — vamos dar nome aos bois — já me disseram que eu estava ofendendo pais e mães de família, mas eu sou bruxona e desumana, ofendo gratuitamente. Então pode colocar que será "rendez vous" pra sempre, só de ódio, pra irritar quem me irrita. Meu objetivo era nos salvar do quarto voar, mas em determinado momento eles chegavam com três opções de voto e não nos escutavam. Os homens achavam que sabiam de tudo, teorizavam como Mestres dos Magos. Depois compraram as caixas do poder, sabiam que havia algo dentro e não nos contaram. Mentiram para a Tia Milena dizendo que não tinha nada, quando na verdade havia coisas, ainda que bobagens. Um dia, na academia, durante manutenção interna, o Juliano comentou sobre o conteúdo das caixas e o Babu e o Boneco começaram a cortar a fala dele. Olhei para Milena e Samira e entendemos que estavam nos privando de informações. Percebemos que só nos usavam e que aquilo acabaria. Então decidimos fazer nosso próprio jogo, juntos ou separados, mas sem mais fazer parte de um grupo que não nos escutava nem trocava de forma digna.
Os ''Eternos'' permaneceram juntos apesar das divergências internas. Como você ajudava a equilibrar essas diferenças entre os integrantes do quarto?
Tentando manter a lucidez de todos. Eu sou uma pessoa que tem antipatias fortes e fico cega por elas, e falava muito isso com Juliano, Milena e Samira. Gostava de ouvir as opiniões deles sobre nossos adversários e até sobre mim mesma. Essa troca genuína nos mantinha lúcidos. Respeitávamos muito uns aos outros e aprendi que devemos aprender com todo mundo, porque não existem verdades absolutas. Acho que foi isso que nos manteve unidos ao longo do trajeto.
Um dos seus destaques no BBB 26 foram os apelidos que você criou para seus adversários, e a forma bem-humorada e irônica com que conduzia as conversas. De que forma isso te ajudou no jogo?
Me ajudava a não sucumbir. As pessoas tinham julgamentos muito fortes e distantes da realidade sobre mim, muitas vezes perversos, que me diminuíam. Se o público comprasse essas ideias, eu estaria ferrada para o resto da vida, e isso sempre martelava na minha cabeça. Então, quando vi que não entendiam meu sarcasmo e ficavam perdidos, percebi que era uma forma de irritar todo mundo e seguir firme.
Enquanto esteve na casa, Alberto Cowboy e Jonas foram seus alvos no BBB. O que te incomodava no jogo deles e qual era sua estratégia para eliminá-los?
Os dois se faziam de bons moços, defensores da moral e dos bons costumes, mas nós entendíamos que não era bem assim. Eles escorregavam quando esse personagem não estava presente. Tadeu sempre dizia: "a estratégia é de vocês", e eu sempre respeitei o jogo de todos. Mas achava justo que o público visse também o que eles faziam quando a máscara estremecia. Minha estratégia era mostrar quem eles realmente eram.
Quais foram os momentos mais especiais da temporada para você?
O dia em que entrei na casa e o dia em que saí. Marcam o início e o fim.
Quais são seus próximos planos depois de participar do BBB 26? O que deseja fazer daqui para frente?
Tomar banho. Comer. Esperar a lua cheia para cortar o cabelo. Ir à minha dermatologista e continuar irritando quem me irrita. Porque o mundo não pode parar.
Produzido pelos Estúdios Globo, o 'BBB 26' tem apresentação de Tadeu Schmidt, produção de Mariana Mónaco, direção-geral de Mario Marcondes, direção artística de Angélica Campos e produção executiva de Rodrigo Tapias e direção de gênero de Rodrigo Dourado. O programa vai ao ar de segunda a sábado depois de 'Três Graças' e após o 'Fantástico' aos domingos. Pode ser visto ainda 24h por dia, ao vivo, no Globoplay. O Multishow exibe diariamente 60 minutos, ao vivo, logo após o fim da exibição da TV Globo. A votação do programa acontece exclusivamente no gshow. Conta ainda com o Cartola BBB, fantasy game que desafia os usuários a montarem, toda semana, times com os participantes reais do reality show.
