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| Foto: Tati Ferro |
Neste domingo (26/4), Tainá Müller recebe o antropólogo Raphael Bispo dos Santos no Café Filosófico, parceria da TV Cultura com o Instituto CPFL. No encontro, o convidado mobiliza a antropologia das emoções para analisar um afeto decisivo na organização da vida social brasileira: a inveja. Com curadoria de Michel Alcoforado, a edição inédita vai ao ar às 20h, com reapresentação na madrugada de terça para quarta-feira, à 1h.
Longe de ser entendida como sentimento individual ou desvio moral, a inveja é apresentada como uma emoção socialmente produzida, aprendida e acionada em contextos específicos. No Brasil, ocupa lugar central por estar diretamente ligada à forma como construímos distinções, exibimos conquistas e avaliamos uns aos outros no cotidiano.
Em uma sociedade marcada pela desigualdade e pela comparação permanente, ostentar não é apenas mostrar o que se tem, mas correr o risco de despertar reações emocionais nos outros. Justamente aqui, a inveja entra em cena. O episódio explora como práticas amplamente difundidas - o medo do mau-olhado, o uso de amuletos como fitinhas do Bonfim e olhos gregos, os banhos de ervas, o cuidado em não anunciar projetos antes de concretizá-los - revelam um profundo reconhecimento social do poder destrutivo atribuído à inveja.
Desse modo, a inveja funciona como o efeito colateral inevitável da eficácia da ostentação: quando a exibição de bens, sucessos ou modos de vida cumpre seu papel de produzir distinção, ela também ativa inseguranças, vigilâncias e estratégias de proteção emocional. Ostentação e inveja aparecem, assim, como causa e consequência de um mesmo regime social, no qual a comparação constante organiza hierarquias, vínculos e medos.
O episódio propõe também compreender como emoções, longe de serem apenas experiências íntimas, estruturam a vida coletiva e ajudam a sustentar o funcionamento da sociedade brasileira contemporânea.
Novo visual e formato
O Café Filosófico apresenta nova identidade visual e artística, com cenário renovado, vinheta de abertura e artes gráficas atualizadas. A reformulação também alcança o formato, que passa a destacar a interação de Tainá Müller com convidados e plateia, em uma proposta mais dinâmica e envolvente, sem abrir mão da relevância que marca a trajetória do programa.
Reconhecida por sua atuação no audiovisual, Tainá assume o comando com um olhar sensível e contemporâneo, aproximando o público das reflexões propostas em cada encontro.
À frente da atração, ela articula diferentes pontos de vista e estimula o pensamento crítico, fortalecendo a proposta de renovação do Café Filosófico. Nesta temporada, o programa investe em novas formas de diálogo para tornar os temas ainda mais acessíveis e conectados às questões do presente.
