Diretor da ANEEL diz que modelo elétrico é ''insustentável'' e cobra reforma

Foto: Atacama

O segundo painel do CNN Talks Infra | Energia para o Futuro, realizado nesta quarta-feira (1º), trouxe um diagnóstico técnico contundente sobre o esgotamento do modelo regulatório brasileiro. Sandoval Feitosa, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), revelou que o peso dos subsídios e encargos na conta de luz atingiu a marca de R$ 53 bilhões apenas no último ano, representando cerca de 20% do valor total das tarifas.
 
"Precisamos de uma ampla reforma estruturante. O modelo atual é insustentável. Em uma conta de R$ 100, o brasileiro já paga R$ 20 apenas em subsídios, que vão desde incentivos ao carvão mineral até descontos para painéis solares e irrigação. O único que considero realmente justo por seu papel de inclusão é a tarifa social para baixa renda", afirmou.

O executivo acredita que o Brasil vive uma sobreoferta estrutural de energia que não é refletida nas tarifas. Isso, de acordo com Feitosa, se dá pela alta quantidade de subsídios que incidem sobre os preços. "Incentivos políticos carregam em 20% as tarifas de energia no Brasil. Assim, no nosso setor elétrico, a lei da oferta e procura não se aplica. Hoje, nós temos uma sobreoferta estrutural de energia. Isso significa que nós temos mais energia do que consumimos", explicou.

Reynaldo Passanezi Filho, CEO da Cemig, falou sobre a reorientação estratégica da companhia para se tornar um polo de atração para indústrias de tecnologia intensiva e energia limpa. O executivo explicou que a companhia saneou sua estrutura financeira ao vender suas participações minoritárias em ativos como Light e Santo Antônio Energia.
 
Mesmo com o atual foco voltado para Minas Gerais, o executivo ressaltou que o Brasil tem uma oportunidade histórica com a expansão da economia digital e da inteligência artificial. "Em 2040, estima-se que 8% da carga mundial de energia virá de data centers. O Brasil tem o potencial de atrair esses grandes consumidores de energia renovável, desde que tenhamos políticas públicas e um ambiente regulatório adequado para esses investimentos", destacou.

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