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| Foto: Ana Paula Santos |
Nesta terça-feira (28/4), às 22h30, o programa Provoca, apresentado por Marcelo Tas, recebe o médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, uma das 50 personalidades mais influentes do mundo segundo o jornal Washington Post e criador do termo alimentos ultraprocessados. No bate-papo, o especialista compara o vício em nicotina ao consumo de ultraprocessados, afirma que a alimentação no Brasil é melhor do que nos Estados Unidos e na Inglaterra e ressalta a importância de cozinhar e valorizar a comida de verdade.
O epidemiologista abre a conversa comparando o vício em nicotina com o vício em ultraprocessados. ''Muita gente imagina que está só aspirando o tabaco, queimando o tabaco. Não, ele foi criado de uma tal maneira para viciar mais as pessoas, com muitos aditivos que fazem, por exemplo, que a nicotina chegue mais rápido no seu cérebro (...) quanto mais você sente prazer e liga a um comportamento em questão de segundos, o cérebro aprende mais rapidamente que aquilo é bom e pede mais. E o alimento ultraprocessado é a mesma coisa''.
Em outro momento, o médico explica por que a alimentação no Brasil é melhor que na Inglaterra e nos Estados Unidos. ''Na Inglaterra e nos Estados Unidos, o comer é uma coisa equivalente a abastecer um automóvel num posto de gasolina. É um transtorno, tem que fazer rápido e tem que custar pouco (...) Isso é terrível, porque é muito difícil perder isso. É cultural''.
Carlos Augusto Monteiro também destaca a importância de cozinhar e consumir alimentos in natura. ''A cozinha talvez seja uma das possibilidades mais democráticas, porque qualquer pessoa pode tentar fazer alguma coisa (...) A indústria de ultraprocessados criou a ideia de que cozinhar é um negócio muito complicado, que leva horas. O macarrão instantâneo, qual é a propaganda dele? Você faz em três minutos. Está bom, um macarrão com molho, eu faço em dez''.
Sobre Carlos Augusto Monteiro
É médico epidemiologista, pesquisador e professor da Universidade de São Paulo, reconhecido internacionalmente por suas contribuições à nutrição e à saúde pública. Referência global no estudo da relação entre alimentação e doenças crônicas, é um dos principais nomes por trás da formulação do conceito de alimentos ultraprocessados e da classificação NOVA, hoje amplamente utilizada em pesquisas e políticas alimentares ao redor do mundo.
Com grande projeção internacional, figura entre os cientistas mais influentes e citados do mundo em sua área. Sua produção combina rigor científico e impacto social, contribuindo para redefinir a forma como se pensa a alimentação, a saúde e as políticas públicas no Brasil e no mundo.
