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| Foto: Ana Paula Santos/ Acervo TV Cultura |
Nesta terça-feira (21/4), Marcelo Tas recebe a escritora e advogada Mariana Salomão Carrara no Provoca. Entre o direito e a literatura, a convidada constrói uma trajetória guiada pela escuta e pela observação das relações humanas, temas que marcam sua participação no programa, exibido às 22h30, na TV Cultura.
Defensora pública há 15 anos, Mariana afirma que encontrou na profissão uma forma concreta de exercer o direito junto à população mais vulnerável. ''Foi tirar da abstração tudo aquilo que a gente aprende na faculdade e colocar na vida da população'', diz. Atuando na área de família, ela destaca que o trabalho envolve não apenas questões judiciais, mas também acolhimento e orientação. ''O que eu estou mais acostumada a ver é, na verdade, a lei não se moldando à realidade'', comenta.
Essa vivência também atravessa sua produção literária. Mariana conta que nunca teve dúvidas sobre sua principal identidade profissional: ''desde muito menina, minha definição foi escritora''. Ainda assim, conciliar a escrita com a rotina na defensoria é um desafio.
Sobre o processo criativo, a autora explica que os títulos de seus livros geralmente nascem da própria narrativa: ''de uma passagem do livro que traga uma frase que, para mim, faz sentido como título''. Em outros casos, o caminho se inverte, e o título surge primeiro, guiando a construção da história.
A conversa avança para reflexões sobre vínculos afetivos e novas formas de se relacionar. Mariana aborda a não monogamia como uma mudança de perspectiva: ''é a retirada da primazia do amor romântico'', explica. Para ela, essa visão amplia o olhar sobre relações como a amizade, que podem ter um papel tão estruturante quanto o das relações conjugais. ''A gente vai sentindo essa falta de espaço para os outros vínculos, que não sejam conjugais'', afirma, ao comentar também os limites do reconhecimento jurídico dessas configurações.
Ao longo da entrevista, Mariana Salomão Carrara conecta sua atuação na defensoria, seu processo de escrita e sua visão de mundo, propondo uma reflexão sobre justiça, afeto e as múltiplas formas de viver em sociedade.
