FILMICCA estreia ciclo dedicado a Jonas Mekas com o filme ''As Armas das Árvores''


Considerado o "padrinho do cinema de vanguarda americano", Jonas Mekas estreia na FILMICCA nesta sexta-feira com As Armas das Árvores (1961), filme que acompanha jovens em Nova York denunciando o envolvimento dos Estados Unidos em Cuba, o desenvolvimento da bomba atômica e outras contradições do imperialismo americano.

Apresentando um retrato da contracultura beatnik,  movimento dos anos 50 e 60, e da geração que cresceu sob a sombra da Guerra Fria, a produção acompanha Barbara, uma jovem consumida pelo desespero que contempla o suicídio enquanto um homem que ela conhece em uma igreja e um casal lutam para convencê-la de que a vida ainda vale a pena ser vivida. O filme de Mekas entrelaça esse drama intimista a uma reflexão mais ampla sobre alienação, política e a turbulência do início da década de 1960 nos Estados Unidos.

O elenco principal de As Armas das Árvores é formado por Frances Stillman, Adolfas Mekas, Ben Carruthers e Argus Spear Juillard. A trilha sonora original é de Lucia Dlugoszewski, com canções folk de Sara Wiley, Caither Wiley e Tom Sankey.

NOVE VEZES JONAS MEKAS EM MAIO

Mas As Armas das Árvores é só a porta de entrada para um ciclo que a FILMICCA dedicou ao cineasta ao longo de maio. No dia 15, chegam os curta-metragens Relatório de Millbrook (1966), Cassis (1966), Hare Krishna (1967) e Notas Sobre o Circo (1968). No dia 22 é a vez de Canções de Viagem (1981), Canção de Avignon (1988) e Williamsburg, Brooklyn (2003), Filmado em 1950, logo após a chegada de Jonas Mekas a Nova York.

Por fim, no dia 29, o mês se encerra com Walden: Diários, Notas, Esboços (1981), o primeiro filme-diário de Mekas que apresenta uma crônica em seis rolos de sua vida na Nova York dos anos 1960, entrelaçando momentos com família, amigos, amantes e ídolos artísticos. Combinando encontros cotidianos com retratos da cena artística de vanguarda, forma uma meditação épica e pessoal sobre comunidade, criatividade e a passagem do tempo.

Refugiado lituano que chegou a Nova York em 1949 após passar pela brutalidade de um campo de trabalho nazista, Jonas Mekas construiu no exílio uma das presenças mais decisivas do cinema independente americano. Fundou instituições, escreveu crítica combativa e foi mentor de nomes como Martin Scorsese, Chantal Akerman e John Waters, mas foi sua câmera que falou mais alto: ao transformar fragmentos do cotidiano em poesia visual, Mekas inventou praticamente do zero a linguagem do cinema-diário e deixou uma obra que o consagrou, não por acaso, como o padrinho do cinema de vanguarda americano.

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