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| Foto: Reprodução |
Sabe aquele tempinho gasto na espera entre um compromisso e outro ou aquela pausa rápida para o café? É exatamente nesses pequenos intervalos do dia a dia que uma nova forma de contar histórias vem conquistando espaço definitivo nas telas dos celulares. As novelinhas são narrativas verticais vibrantes, com episódios curtíssimos de um a dois minutos, que não economizam na intensidade, nos ganchos dramáticos e nas reviravoltas. Ideal para quem adora maratonar conteúdo dinâmico.
Nesta terça-feira (16), o Globoplay estreia a sua nova novelinha Original, ''Então é Amor?'', produzida pela Formata, criada pelo autor Gustavo Reiz e com direção de Marcelo Zambelli. Na entrevista a seguir, eles detalham os bastidores dessa produção mais acelerada e revelam como adaptaram a paixão do melodrama para o formato vertical.
A história de "Então é Amor" trabalha elementos tradicionais da dramaturgia, como romances impossíveis e vilões marcantes, mas em capítulos de apenas 2 minutos. Qual foi o maior desafio para manter a emoção e a densidade dramática em uma narrativa tão curta?
Gustavo Reiz: "Então é Amor?" é minha quarta experiência no formato microdrama. Ela mergulha na base que é o melodrama, então os personagens apresentam mais camadas, os conflitos familiares são um pouco mais aprofundados. A narrativa da novelinha é acelerada, como o formato pede, mas traz uma densidade dramática com mais elementos. Eu tenho experimentado muitas histórias nesse formato, algumas muito ágeis, muito focadas nessa narrativa tão acelerada, e aos poucos a gente vai experimentando um pouco mais para trazer a nossa identidade brasileira. Essa novelinha é mais um passo nessa construção, tem mais a nossa cara, sem perder os elementos tão potentes que o gênero permite.
Do ponto de vista da direção, como funciona a dinâmica de adaptar a linguagem tradicional da televisão para episódios tão enxutos?
Marcelo Zambelli: Acredito que o maior desafio é realmente do autor. Esse formato demanda uma produção muito mais enxuta. Condensar a história em 50 capítulos de um minuto e meio a dois minutos que tenha todos esses ingredientes do folhetim, realmente é desafiador. Ela vem com seus capítulos já definidos, então tem que caber naquele tempo. O ritmo já é dado pelo próprio texto. E depois a gente tem a pós-produção, que na edição já conseguimos dar uma dinâmica maior. Eu não vi tanta dificuldade, eu vejo mais no acerto das emoções dentro desse processo novo, tem que ser muito assertivo, não tem lugar para barriga, não tem lugar para histórias paralelas. É uma trama só e a partir dela você desenvolve o projeto inteiro.
Como autores, diretores, equipe técnica e elenco precisa se reestruturar nos bastidores para entregar um produto de qualidade com essa rapidez exigida pelo formato?
Gustavo Reiz: O desafio é a gente trazer a densidade emocional e os elementos dramáticos também, que não fiquem só na forma. Começa no texto e vai para a equipe inteira. É um formato que se torna mais colaborativo do que nunca. Durante as gravações, a criação coletiva flui de uma forma muito talentosa. Quando eu fui ao set, fiquei encantado porque estava todo mundo muito inteiro nos personagens, as piadas e ideias surgiram ali. Todo mundo se entregou muito. Eu estou muito empolgado para essa novelinha chegar logo ao público.
Como vocês enxergam o posicionamento dessas "novelinhas" verticais frente aos hábitos de consumo atuais e às novas gerações?
Marcelo Zambelli: O microdrama é o suco da novela tradicional, porque espreme tudo o que tem dela. O Gustavo foi muito feliz quando escreveu essa novelinha, porque conseguiu concentrar na história todos os elementos que já têm um código com o telespectador. O público já vai identificar de cara quem é o vilão, quem é a mocinha, já tem todos os elementos ali. Então, não precisa de cena de passagem, não precisa de uma cena que vai levar para outra. É tudo muito bem encadeado.
Gustavo Reiz: Estamos experimentando muitas histórias nesse formato de microdrama. Acho que a novelinha vem provando que é um acerto fazer esse combo, da velocidade com a emoção.
