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| Foto: Reprodução |
Com os juros elevados e persistentes corroendo o orçamento das famílias, comprar roupas se tornou uma decisão rigorosamente calculada. "Hoje em dia, é quase um investimento comprar num contexto macroeconômico como esse", afirma o CEO da C&A, Paulo Correa Jr., em entrevista exclusiva ao Capital Insights, parceria do CNN Money com o Broadcast. Segundo o executivo, a loja de varejo busca atender a versatilidade do consumidor.
Para enfrentar a retração e o novo comportamento, a varejista também aposta na tecnologia. A empresa utiliza modelos matemáticos e inteligência artificial para identificar tendências em tempo real, em uma dinâmica de "testar e aprender" que minimiza o desperdício de estoques. O uso de algoritmos também é a base para a concessão responsável de crédito no C&A Pay, segurando a inadimplência. "O consumidor não compra crédito, compra moda", resume o CEO.
No campo da concorrência internacional e da chamada "taxa das blusinhas", Correa Jr. defende que o principal debate seja a igualdade de regras tributárias entre empresas que atuam no mesmo mercado.
O CEO alertou que a eventual revogação das taxas para plataformas de fora aumenta "ainda mais a discrepância" tributária em relação às empresas instaladas no Brasil.
Apesar do cenário desafiador e da guerra de preços, a C&A descarta nivelar seus produtos por baixo. A aposta continuará sendo na percepção de valor e na experiência oferecida ao cliente. "A gente não vai reduzir a qualidade do nosso produto para, de alguma maneira, competir com outros produtos de menor qualidade. Acreditamos muito nessa capacidade de o consumidor olhar para o produto e falar que, pela qualidade, material e experiência, vale o que a gente está cobrando", conclui.
