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| Foto: CNN Brasil |
Em entrevista ao programa Capital Insights, que vai ao ar nesta quinta-feira (23), às 19h, no CNN Money, o CEO da Suzano, Beto Abreu, analisou os principais impactos geopolíticos e macroeconômicos na operação da gigante de papel e celulose. Entre os destaques, o executivo comemorou a permanência da celulose na lista de exceções das novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos.
Com o Brasil sendo responsável por 80% da celulose importada pelos EUA, Abreu enfatizou a dependência do mercado norte-americano do produto nacional. A Suzano, que responde por 20% do mercado global do insumo, independente do tipo de fibra, e por dois terços da oferta de fibras curtas, destina cerca de 20% de suas exportações para os Estados Unidos. Apesar do alívio comercial, o executivo ponderou que a logística e a volatilidade do câmbio e do petróleo seguem como desafios em um ambiente de instabilidade global.
No cenário doméstico, Abreu destacou que a taxa de juros elevada e o alto endividamento das famílias têm afetado o consumo no mercado brasileiro, impactando os segmentos de papel e bens de consumo. Embora a estrutura financeira da Suzano esteja protegida pelas dívidas dolarizadas e pelo perfil fortemente exportador, o executivo fez um alerta sobre a conjuntura do país: "Permanecer por muito tempo com juros reais no patamar atual é um problema. O impacto sobre os investimentos e sobre a geração de competitividade e valor no longo prazo é muito negativo".
Ao abordar a pauta socioambiental, o executivo rebateu a percepção de recuo do setor privado na agenda de sustentabilidade, avaliando que as empresas estão apenas "fazendo menos barulho". Ele reforçou o compromisso da Suzano ao lembrar que metade da dívida da companhia está atrelada a metas sustentáveis, além da operação gerar 100% da energia própria que consome e promover o plantio de 1,2 milhão de árvores por dia, permitindo que seus produtos cheguem diariamente às casas de 2 bilhões de pessoas.
