Ex-mulher de Anderson Leonardo cobra transparência sobre herança do cantor e revela bloqueio pelo Molejo

Foto: Record/Divulgação

A morte de Anderson Leonardo, vocalista do grupo Molejo e um dos maiores nomes do pagode nacional, abriu uma disputa envolvendo a administração de seu legado. Exibida na noite de ontem (12), no Domingo Espetacular, uma reportagem revelou questionamentos de parte da família sobre a transparência na gestão financeira do patrimônio do cantor. Ex-mulher do artista e mãe da filha caçula, Paula Cardoso concedeu uma entrevista exclusiva em que revela problemas sobre a divisão dos rendimentos.  

Depois de lutar contra o câncer, Anderson Leonardo morreu em 2024 e deixou quatro filhos: Alessa, Rafael Phelipe, Leozinho Bradock e Alice. No centro da discussão está a caçula, Alice, de seis anos, filha de Anderson com Paula Cardoso. Embora não seja herdeira do cantor, de quem estava separada quando ele morreu, Paula atua como representante legal da menina e afirma que vem encontrando dificuldades para ter acesso a informações detalhadas sobre os valores repassados aos herdeiros. ''Eu só recebo o que eles acham que é de direito mandar para a gente. Eu só quero esclarecimento do que é de direito da minha filha", declarou.

Segundo ela, a prestação de contas é feita por intermédio de empresas e assessorias das quais não participa diretamente. ''Eu só quero transparência. Olha, Paula, o show foi 10 mil reais. Foi gasto mil de passagem, van, alimentação. Aqui os comprovantes. Está tudo preto no branco. Eu não quero nada mais do que isso. Eu quero os contratos'', disse.

Paula questiona ainda a forma como a participação financeira de Anderson passou a ser calculada após sua morte, já que antes ele detinha uma fatia maior. "Quando o Anderson faleceu, nós tivemos uma reunião e ficou acordado que tudo iria ser tocado normalmente. Isso não foi feito", alega. ''O Anderson hoje é um mero integrante do grupo. Sendo que todos eles ali sabem que a cara era o Anderson, a voz era o Anderson, a imagem era do Anderson. E hoje nós recebemos como se o Anderson fosse um funcionário normal, uma divisão igual'', declarou. Ela acrescentou: ''O Molejo é do Anderson. O Anderson era detentor da marca. O Anderson era detentor de uma empresa''. 

Outra reclamação de Paula diz respeito à falta de acesso às atividades do grupo. Ela diz que não consegue acompanhar a agenda de shows e chegou a ser bloqueada nas redes sociais da banda. ''Eu tenho que perguntar a terceiros se está tendo show ou não. Amigos próximos me mandam informações e é assim que a gente fica sabendo'', afirmou.

Grupo nega conflito e defende modelo adotado

Em entrevista exclusiva ao Domingo Espetacular,  Andrezinho, um dos integrantes do Molejo, rebate a existência de desentendimentos com a família do cantor.

''Não tem confusão, não tem briga. A gente não brigou com ninguém. O que a gente precisa realmente é trabalhar'', disse Andrezinho. Sobre as críticas relacionadas à prestação de contas, o músico afirmou que os integrantes também não participam diretamente das negociações contratuais. 

Andrezinho também confirmou que Anderson recebia uma participação maior nos cachês por exercer a função de vocalista principal do grupo. Após sua morte, isso mudou. “Não era exatamente porque era dono da empresa não, não era isso. Como ele era o cantor, como ele estava mais à frente, foi designado a condição de ele receber um pouco mais. Como já é dividido agora no contexto normal entre todos nós, resolvemos levar essa condição de todo mundo receber igual”, afirmou.

Ele também se defendeu da acusação sobre a falta de informações da agenda do grupo. ''A página do Molejo está lá para todo mundo ver". Em relação aos contratos, explicou: "isso também se refere aos advogados. Se você for perguntar para a gente, eu também não tenho acesso a contrato”.  

Andrezinho sustenta que a continuidade do trabalho sempre foi vista como um caminho benéfico para todas as partes. ''A gente tentou fazer de uma forma com que todo mundo ficasse bem, com o entendimento de que o trabalho, dando continuidade, favorece a todos. Todo mundo continua usufruindo do trabalho que o Molejo faz desde a época do Anderson. Todas as coisas que nós construímos foram construídas desse jeito''. 

Em nota, os advogados do grupo Molejo informaram que não houve omissão de informações sobre a agenda ou faturamento do grupo, e que a prestação de contas segue um rito padrão e transparente.

Para a advogada Yasmin, ouvida pela reportagem, a preservação da marca é importante para todos os envolvidos. ''O fim da marca não é bom para ninguém, para nenhum dos lados, porque de fato é uma marca muito forte'', explicou. Ela ponderou que, embora Anderson fosse juridicamente o único proprietário, ''todos os outros fizeram a construção dessa marca acontecer''.

Apesar das divergências, família e integrantes do Molejo demonstram compartilhar um objetivo: preservar a história construída por Anderson Leonardo. ''Eu não estou aqui pedindo que acabe. Eu só estou pedindo um direito que é da minha filha'', afirmou Paula.

Do outro lado, Andrezinho reforçou a intenção de manter o grupo em atividade. ''O Molejo vai continuar. A gente vai trabalhar. E vai dar tudo certo no final. Mais lá na frente, se Deus permitir, a gente vai dar boas risadas dessas histórias'', concluiu.

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