Nesta sexta-feira, 31 de julho, a FILMICCA recebe quatro novas adições ao seu catálogo. A partir do último dia do mês, o público poderá conferir desde uma história de amor na França do século XIX, até produções como ''Gatos Empoleirados'' e ''Restos da Vida de um Homem Feliz'', que brincam com a realidade e exploram temas como memória e política.
Entre os títulos, três experimentam com a abordagem documental: ''Gatos Empoleirados'', em que Chris Marker investiga o aparecimento de um grafite nas ruas de Paris após o atentado de 11 de setembro; ''Restos da Vida de um Homem Feliz'', um filme-diário que une registros inéditos filmados ao longo de quatro décadas pelo cineasta Jonas Mekas; e ''O Canto do Estireno'', filme encomendado por uma empresa de plástico ao renomado documentarista Alain Resnais, que imprime sua identidade na obra a transformando em um documentário experimental. Já em ''Um Dia no Campo'', clássico do diretor Jean Renoir, a trama acompanha o passeio de uma família burguesa ao interior, até que novas emoções tomam conta da filha Henriette.
GATOS EMPOLEIRADOS (2004)
Chris Marker
França
Conhecido por longas como ''Sem Sol" e "Carta da Sibéria", que misturam ensaio e documentário, Chris Marker integrou ao lado de nomes como Alain Resnais a vertente mais política da Nouvelle Vague, com obras de forte direcionamento social e filosófico. Em meio ao instável clima político no início dos anos 2000, o cineasta direcionou seu olhar a um fenômeno que acontecia nas ruas de Paris: o surgimento de grafites de um gato amarelo sorridente, o M. Chat, famoso no mundo da arte urbana. O diretor utiliza o personagem como uma lente para refletir sobre arte, protesto e política na era pós-11 de Setembro.
RESTOS DA VIDA DE UM HOMEM FELIZ (2012)
Jonas Mekas
EUA
Em ''Restos da Vida de um Homem Feliz'' o renomado cineasta lituano Jonas Mekas reúne registros inéditos feitos por ele durante um período de quarenta anos, de 1960 a 2000. O diretor entrelaça reflexões, música, vida urbana, viagens e vislumbres da família e amigos, contando com aparições dos escritores William S. Burroughs e Allen Ginsberg, dois dos principais nomes da Geração Beat. Com esses fragmentos, Mekas faz de seu filme-diário uma celebração poética da memória, da felicidade e da passagem do tempo.
UM DIA NO CAMPO (1946)
Jean Renoir
França
Em pouco mais de 40 minutos, um média-metragem, o diretor Jean Renoir adapta o conto homônimo do escritor Guy de Maupassant que acompanha a visita de uma família da burguesia parisiense ao campo. Durante o desenrolar do domingo de verão em meio à natureza, a filha Henriette apaixona-se por Henri, um trabalhador local.
O CANTO DO ESTIRENO (1958)
Alain Resnais
França
Consagrado por seu trabalho documental, com a conquista do Oscar por "Van Gogh" (1948), o diretor Alain Resnais é conhecido por experimentar com abordagens e gêneros cinematográficos. Em 1959 ele assinou “Hiroshima Meu amor", sua obra de maior sucesso, que combina seu histórico nos documentários com a ficção descontraída da Nouvelle Vague, sendo considerado hoje um dos expoentes do movimento. No ano anterior, 1958, o cineasta foi contratado pelo grupo industrial francês Pechiney para fazer um filme comercial. Encomendado para destacar as qualidades dos plásticos produzidos, o curta-metragem acabou se tornando um documentário experimental e reflexivo ao contar com toques da identidade artística de Resnais e um texto de narração escrito e recitado pelo poeta Raymond Queneau.
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