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| Foto: Luciana Melo |
O desaparecimento de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da UNE e aluno da UnB, é um emblemático caso da violência de Estado durante a ditadura militar brasileira. Preso em 1973, aos 26 anos, Honestino nunca mais foi visto. Sua história é o ponto de partida de HONESTINO, novo filme dirigido por Aurélio Michiles, produzido por Nilson Rodrigues, com participação de Bruno Gagliasso, que chega aos cinemas no dia 13 de agosto, com distribuição da PANDORA FILMES.
Fusão entre documentário e ficção, a trajetória de Honestino Guimarães é reconstituída no filme a partir de cartas, poemas, imagens de arquivo, depoimentos de familiares, amigos, políticos e militantes, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil. Essa pluralidade de vozes ajuda a revelar a dimensão humana e política de um jovem que construiu uma rede que segue inspirando gerações.
Relembrar a trajetória de Honestino também é uma maneira de não esquecer o período marcado por prisões arbitrárias, torturas, assassinatos e desaparecimentos. Entre o início dos anos 1970 e meados da década, outros nomes se tornaram símbolos da violência cometida pelo regime militar, como Rubens Paiva, Vladimir Herzog e José Carlos da Mata Machado.
Ex-deputado federal cassado após o golpe de 1964, Rubens Paiva foi preso em sua casa, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1971, e levado por agentes do Estado. Nunca mais voltou para a família. Seu caso se tornou um dos mais conhecidos exemplos de ocultação de cadáver e negação da verdade durante a ditadura. Dois anos depois, em 1973, o país também perderia Honestino Guimarães e José Carlos da Mata Machado, ambos ligados ao movimento estudantil. Zé Carlos, como era conhecido, foi estudante de Direito da UFMG, vice-presidente da UNE e militante da Ação Popular Marxista-Leninista. Preso em outubro de 1973, foi levado a órgãos de repressão e morto sob tortura no DOI-CODI do Recife. E, em 1975, o Brasil perderia também o jornalista Vladimir Herzog. A versão oficial da época tentou sustentar que ele teria cometido suicídio, mas testemunhos, decisões judiciais e documentos posteriores reconheceram a responsabilidade do Estado por sua prisão, tortura e morte.
Essas histórias não são iguais, mas se encontram em um ponto essencial: todas revelam mecanismos de apagamento usados pela ditadura militar para silenciar opositores e confundir a memória pública. Em alguns casos, os corpos nunca foram encontrados. Em outros, a verdade foi escondida por laudos falsos, notas oficiais e investigações interrompidas. O resultado foi um país obrigado a reconstruir, décadas depois, parte da própria história e é nesse contexto que HONESTINO chega aos cinemas em 13 de agosto.
O longa recebeu o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio, foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e para o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos, além de ter sido premiado no Fest Aruanda.
