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| Foto: CNN Brasil |
A expectativa do mercado financeiro de mais um corte na Selic mantém o debate aquecido sobre até quando o Banco Central conseguirá sustentar o ciclo de redução da taxa básica de juros. ''Provavelmente, o Banco Central deve seguir com o corte, com ajuste gradual que vem fazendo desde o mês de março. No entanto, a gente sabe que o desafio é manter esse ajuste ao longo dos próximos meses'', afirma a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, em entrevista exclusiva ao Capital Insights, parceria do CNN Money com o Broadcast, que vai ao ar nesta quinta-feira, 19h. Segundo a especialista, o comportamento favorável do câmbio auxiliou o combate à inflação, mas fatores como o ambiente fiscal, as eleições e os juros elevados nos Estados Unidos seguem como importantes pontos de atenção.
O cenário internacional mostra-se repleto de incertezas, com a volatilidade geopolítica figurando como o maior risco no radar dos analistas, superando dúvidas sobre inteligência artificial ou mercados de capitais. No contexto doméstico, a pressão dos juros altos sobre o orçamento das famílias e empresas continua forte, mantendo a inadimplência em patamares recordes, principalmente entre a população de baixa renda.
''O que mais preocupa é justamente aquilo que foge da nossa capacidade de análise, como os riscos geopolíticos. É muito difícil prever esse tipo de situação'', completou a economista-chefe.
Embora iniciativas como o programa Desenrola tenham proporcionado alívio a uma parcela da população, o endividamento do brasileiro permanece em níveis elevados. Diante desse quadro, a economista destaca a importância da educação financeira e da consolidação de uma política econômica que viabilize juros estruturalmente menores no país.
Apesar dos desafios na curva de juros e no mercado de trabalho, a busca por responsabilidade fiscal e a melhora no ambiente de crédito continuam sendo os pilares fundamentais para alavancar o consumo, fortalecer o investimento produtivo e sustentar a geração de empregos no longo prazo.
"Muito provavelmente, a gente deve assistir a um novo ajuste na taxa de juros, mas sem o Banco Central se comprometer com uma sequência de cortes. Eu acredito, sinceramente, que estamos próximos do fim desse ciclo de redução dos juros", conclui Camila Abdelmalack.
