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| Foto: Divulgação/TV Brasil |
O episódio desta segunda-feira (17), às 23h, do premiado programa da TV Brasil, Caminhos da Reportagem, mostra o que está por trás do impressionante crescimento de 37 vezes no número de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores em circulação no Brasil, que saltou de 7,6 mil em 2016 para 284 mil em 2024, segundo os números do setor. A atração explora ainda como as cidades estão lidando com esse fenômeno.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamenta o uso destes veículos e os diferencia, por sua resolução 966 de 2023, em três categorias principais: bicicleta elétrica, que precisa de propulsão humana, com pedal, e cujo motor apenas ajuda o ciclista a acelerar; autopropelido, com ou sem pedal, cuja velocidade não pode ultrapassar os 32km/h e ciclomotor, sem propulsão humana, que pode chegar até os 50km/h.
O ciclomotor é a única das três categorias que exige do condutor habilitação categoria A ou uma Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) e demanda licenciamento do veículo.
''A população, de forma espontânea, foi comprando e utilizando cada vez mais e aí a gente entra nas discussões de como é que tá sendo esse uso, né, de que tem um crescimento muito grande, acaba tendo conflitos em relação ao uso. A população já entendeu que é um veículo que soluciona os problemas dessas pessoas no dia a dia. Falta a gente entender como conseguir encaixar esses veículos e conseguir ordenar esses veículos no dia a dia'', explica Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, que representa organizações do setor, como lojistas e fabricantes.
Apesar de já fazer parte do dia a dia das grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, e ser encarado como uma solução para pequenos deslocamentos, esse novo meio de transporte também representa riscos.
A convivência entre esses veículos leves com os tradicionais mais pesados já gerou tragédias, como a morte do menino Chico, de 9 anos, e sua mãe, que estavam em um autopropelido quando foram atropelados por um ônibus em uma rua da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.
''Muitas vezes a gente pensa: 'ah, mas isso acontece muito pouco, quantos casos você conhece?' Mas basta ser o seu que vai ser doloroso, né? Então, acho que a gente perde isso de perspectiva, que um dia pode ser a gente'', conta o pai de Chico, o roteirista Vinicius Cacofonias.
Raphael Pazos, da Comissão de Segurança do Ciclismo do Rio de Janeiro, uma organização não governamental carioca que advoga por um trânsito mais seguro para ciclistas, acredita ser um erro não exigir habilitação para conduzir um autopropelido.
''A resolução do Contran 966 de 2023 alterou a nomenclatura de certos dispositivos de mobilidade autorizando o que antigamente era proibido. O que antes era tudo um ciclomotor, da noite para o dia, virou um autopropelido e foi autorizado a ser utilizado em calçadas e em infraestruturas cicloviárias'', afirma. ''Agora qualquer um, principalmente crianças 13, 14, 15 anos, pode adquirir esse equipamento e, pior, conduzi-los numa pista''.
Já Marcus Quintella, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que as cidades precisam se adaptar a esses veículos. ''As cidades não estão prontas. Elas não foram planejadas para essas modernidades. Então, o que está acontecendo hoje são adaptações'', ressalta. ''A bicicleta, desde a convencional até o ciclomotor, já representa uma fatia muito importante da matriz de transporte urbano. Portanto, não se pode ser rigoroso de uma forma que impeça micromobilidade, mas também não se pode deixar que isso caia em uma situação descontrolada''.
