Caminhos da Reportagem revela impactos da desigualdade na vida financeira dos idosos

Foto: Divulgação TV Brasil

Nesta segunda-feira (10), será exibida a edição ''O relógio financeiro da longevidade'' do premiado programa Caminhos da Reportagem, que investiga como anda a saúde financeira dos aposentados brasileiros e como a desigualdade social ainda se reflete na velhice. A atração vai ao ar às 23h, na TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

''No mesmo país onde nós temos grupos sociais que estão chegando facilmente aos 80 anos com um acúmulo de poupanças – poupança de saúde, de segurança e financeira –, nós temos um grupo que não está chegando com nada disso'', diz o secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva.

Já a especialista em Finanças e CEO do Movimento Black Money, Nina Silva lembra, em entrevista ao programa, que ''trabalhadores pretos e pardos recebem cerca de 40% a 45% a menos que trabalhadores brancos. Como a aposentadoria é reflexo do histórico contributivo, essa massa chega à velhice com benefícios no piso mínimo''.

Diante desse cenário e com a maioria dos aposentados recebendo em média R$3.207,05, em média, quais alternativas essa população tem para quebrar o ciclo da pobreza? A própria Nina sugere: ''gerar capital dentro da comunidade tem impacto direto na base da pirâmide social. Nosso trabalho é quebrar o ciclo da pobreza intergeracional'', explica a especialista.

Mas há ainda outras questões a serem discutidas: a ampliação da educação financeira de idosos, diminuição do número de golpes e o controle da violência patrimonial, ou seja, a tomada ou destruição de bens, dinheiro e documentos de uma pessoa, cujos casos explodiram.

''Em 2025, nós tivemos mais de 59 mil denúncias de violações de direitos humanos em questão patrimonial envolvendo a pessoa idosa. Neste ano, nós já temos mais de 19 mil denúncias desse tipo'', conta a coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Almeida.

Como é o caso da mãe do servidor público Flávio Amorim. Professora aposentada, ela foi alvo da filha, irmã de Flávio, enquanto enfrentava um aneurisma e um glaucoma que a deixou cega de um olho.

''Ela começou a morar com a minha mãe e passou a ter acesso ao celular que tinha a conta do banco. Fez cinco empréstimos consignados. Ao todo, um rombo de 370 mil reais'', revela Flávio.

Casos como esses têm se espalhado pelo país. Para entender o perfil de vítimas e agressores e apontar como se prevenir de fraudes e solucionar o problema, a equipe do Caminhos da Reportagem conversou com outras vítimas, policiais, defensores públicos e educadores financeiros.

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