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| Foto: Divulgação |
No terceiro episódio da série ''Fora do Mapa'', que vai ao ar nesta terça-feira, 18, no Canal Travel Plus, Lígia Vargas percorre o Vale do Douro, região vinícola mais famosa de Portugal, para entender como a produção de vinhos e a natureza transformaram a paisagem cercada por encostas, rios e séculos de trabalho. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o Alto Douro Vinhateiro é mostrado para além dos cartões-postais, revelando uma paisagem cultural moldada ao longo de gerações pela relação entre o ser humano e a natureza.
''Tem lugares que você visita e tem lugares que mudam o seu ritmo. Douro é um deles. Muita gente conhece essa região pela fama do vinho, mas o que faz o Douro ser tão especial não é só o que ele produz, é o jeito como ele foi sendo construído ao longo dos anos'', conta Lígia.
A viagem começa em Tabuaço, uma região ligada à agricultura e à vinha, onde Lígia visita o Museu do Imaginário Duriense, dedicado à memória, aos símbolos e aos hábitos que ajudam a entender a identidade local. O percurso segue até a Estação Ferroviária do Pinhão, inaugurada no século XIX, que ganhou importância com a chegada do trem em 1880 e ajudou a conectar a produção do Douro a outras regiões de Portugal.
Hoje conhecida pelos painéis de azulejos que atraem visitantes, a estação também funciona como um registro visual da história duriense. Mais de 20 painéis retratam cenas das vindimas, da produção e do transporte do vinho. “É como se o passado estivesse bem aqui desenhado nessas paredes. E aí você entende uma coisa importante sobre o Douro: aqui nada é só bonito, tudo tem história”, destaca a apresentadora.
Os socalcos, marca registrada da paisagem duriense, também ajudam a contar essa história. As encostas foram transformadas ao longo de gerações para permitir o cultivo das vinhas em um território íngreme e de difícil acesso. O episódio mostra ainda como a produção local se desenvolveu a partir da combinação de diferentes castas, uma tradição que contribui para a complexidade dos vinhos da região.
Na Quinta da Côrte, propriedade com registros de vinhas desde o início do século XIX, Lígia conhece práticas tradicionais de cultivo e a história da produção de vinhos do Douro e do Porto. A visita também inclui uma experiência pelas vinhas e a degustação de diferentes rótulos, mostrando que características como solo, altitude, exposição solar e clima influenciam o resultado de cada vinho.
A história da bebida também passa pelo próprio rio Douro. Antes das estradas e das ferrovias, ele era uma das principais vias de circulação da região. Os barcos rabelos transportavam as pipas de vinho das quintas até Vila Nova de Gaia, onde a bebida era armazenada, envelhecida e depois exportada. Mais do que um cenário bonito, o Douro aparece como resultado de séculos de trabalho e adaptação. “A natureza criou o vale. Mas o que vemos hoje foi construído por pessoas”, resume Lígia.
