Presidente da Motorola Brasil critica carga tributária e aponta entraves para exportação de celulares em entrevista ao 'É Negócio'

Foto: Reprodução

A indústria brasileira de smartphones reúne capacidade produtiva e tecnologia, mas enfrenta entraves que limitam sua competitividade internacional. Em entrevista ao programa ''É Negócio'', o presidente da Motorola Brasil, Rodrigo Vidigal, afirmou que os impostos representam cerca de 40% do preço dos aparelhos no país, dificultando as exportações.
 
A Motorola possui fábricas em Jaguariúna (SP) e Manaus (AM), operando com padrões rigorosos de fabricação. ''Nós temos duas fábricas espetaculares: uma em Jaguariúna e outra em Manaus. Moderníssimas, de primeiro mundo. São fábricas impressionantes do ponto de vista de produtividade e de qualidade''. Ele pontua com orgulho que ''o nosso nível de produtividade é tão alto quanto o de qualquer outra fábrica da Motorola no mundo'', afirma Vidigal.
 
No entanto, o peso dos impostos locais barra a expansão no continente. ''Hoje, eu consigo atender o Brasil, mas não consigo exportar, porque o produto brasileiro é muito pouco competitivo para exportação pela carga tributária. A carga tributária inviabiliza a exportação'', lamenta Vidigal.
 
Ele ilustra a distorção tributária na prática: ''É mais barato para o consumidor do Chile receber um produto da Motorola que vem da China do que o meu, que estou aqui do lado''. Caso o Custo Brasil fosse equacionado e permitisse à companhia exercer sua capacidade plena, a produção nacional daria um salto expressivo: ''Se a gente produz hoje mais ou menos 11, 12 milhões, a gente poderia ir para 20 milhões [de unidades]'', ampliando o atendimento ao mercado latino-americano.
 
O executivo também apontou o mercado informal como um dos principais gargalos para o setor. O contrabando, que hoje representa quase 20% das vendas no país, migrou de ambientes físicos para o ecossistema digital. ''Com os marketplaces, esse camelódromo subiu para a internet, para o e-commerce. Você pode comprar um produto na sua casa, muitas vezes sem saber que é um produto oriundo de contrabando, porque está comprando em uma plataforma que você confia'', detalha. Vidigal defende a responsabilização das plataformas e estima o impacto positivo de um mercado formalizado para a companhia: ''A gente venderia mais uns 10%, 15% a mais'', o que, segundo ele, resultaria diretamente em ''mais emprego, mais geração de impostos, mais P&D para o país''.
 
Outro diferencial analisado pelo executivo é o perfil de consumo local. Para Vidigal, o brasileiro prioriza a estética e o design em relação aos aspectos estritamente técnicos: Para atender a essa demanda focada em design e inovação local, a companhia mantém cerca de 1.200 engenheiros em território nacional focados em pesquisa e desenvolvimento. A operação brasileira é peça-chave na estratégia global da marca. ''O mercado brasileiro tem mais ou menos uma venda de 35 milhões de smartphones por ano, em média. A gente tem um terço disso'', explica Vidigal, o que assegura à marca o ''segundo lugar'' isolado no ranking de vendas do país.
 
O programa ''É Negócio'' é uma parceria do NeoFeed com a CNN Brasil e vai ao ar aos domingos, às 20h45, com reprise às quartas-feiras, às 19h15, no CNN Money.

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