'As Benzedeiras' chega aos cinemas em novembro com histórias de mulheres que preservam saberes ancestrais


Os saberes que atravessam gerações pela palavra, pelas mãos e pela memória chegam às telas com ''As Benzedeiras'', longa-metragem documental dirigido e roteirizado por Labibe Araújo, com estreia prevista para 12 de novembro nos cinemas.

O filme nasce do interesse da realizadora pelas práticas tradicionais de cura e pelos conhecimentos transmitidos entre gerações, acompanhando mulheres que mantêm vivo um modo de compreender o cuidado que resiste ao apagamento e à desvalorização dos saberes populares.

Em vez de tratar a benzeção apenas como uma prática do passado, ''As Benzedeiras'' olha para essas mulheres como guardiãs de conhecimentos que continuam presentes no cotidiano e que estabelecem relações profundas entre corpo, território, comunidade, espiritualidade e ancestralidade. 

Realizado em diferentes regiões do Brasil, o longa reúne as histórias de Camila Gomes, de Florianópolis (SC); Josy Andrade, de Salvador (BA); A-yá Kukamiriam, de Manaus (AM); Rosa Maria, de Nossa Senhora do Livramento (MT); e Mametu Muiandê (Mãe Efigênia), de Belo Horizonte (MG). Cada uma possui sua própria maneira de benzer, e o filme acompanha parte de suas trajetórias, revelando como receberam a vocação para o benzimento, a relação das comunidades com essa prática, suas conexões com a religiosidade e a espiritualidade e, ainda, questões como a cobrança por esse trabalho. 

A trajetória de Labibe Araújo no audiovisual atravessa diferentes funções cinematográficas. Integrante do Coletivo Coisa de Preto desde 2017 e associada à APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro, a realizadora já trabalhou com direção de arte, direção de fotografia, assistência de direção, produção e realização de mostras e cineclubes. ''As Benzedeiras'' marca sua atuação como roteirista e diretora de um longa-metragem.

O projeto também se conecta à atuação da Sarasvati Cultural, produtora dedicada a projetos que valorizam a diversidade cultural brasileira e as relações entre saberes ancestrais e contemporâneos. Parte da pesquisa e das filmagens passou pelo Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, em Belo Horizonte, espaço de resistência e preservação da memória afro-brasileira, fundado por Mãe Efigênia na década de 1970.

O filme embarca em seu primeiro festival e integra a Seleção Oficial do VII Festival Cinema Negro em Ação de 2026.

Contemplado pelo edital Realizadores/2022, com recursos do BRDE/FSA – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, Fundo Setorial do Audiovisual e ANCINE, o longa dá continuidade a um processo de pesquisa que aproxima cinema, memória e cultura popular. A distribuição será realizada por meio do Edital de Comercialização em Cinema do MinC 2025.

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