Com Maurício Manfrini, Marido de Aluguel aposta no humor físico e na comédia popular e estreia nos cinemas nesta quinta-feira

Maurício Manfrini como ''Vadeco''

Do terror ao documentário, passando pelo drama, pela animação e pela comédia romântica, a trajetória do diretor e roteirista Paulo Fontenelle é marcada pela versatilidade e pelo trânsito por diferentes gêneros e linguagens. Agora com Marido de Aluguel, que chega aos cinemas de todo o brasil nesta quinta-feira, 24 de setembro, com distribuição da Imagem Filmes, o cineasta se aventura novamente pela comédia, desta vez apostando no humor físico e em uma linguagem inspirada na tradição da comédia popular.

''Minha trajetória no cinema é bastante eclética. Comecei como documentarista com filmes com temas densos como a Guerra de Canudos, depois me enveredei pelo terror psicológico, pela comédia romântica, pelo drama e pelo gore'', conta Fontenelle. ''Com Marido de Aluguel, eu busco homenagear Os Trapalhões, Os Três Patetas e O Gordo e o Magro, grupos com personalidades muito diferentes que transformam conflitos simples e fracassos cotidianos em comédia física e espontânea''.

A escolha representa mais uma mudança de registro na carreira do diretor, que acumula trabalhos em diferentes linguagens. Entre seus filmes estão as comédias 'O Porteiro' (2023), 'Se Puder… Dirija' (2013) e 'Divã a 2' (2015), os longas de terror 'Inverno' (2022) e 'Intruso' (2009), além dos documentários premiados 'Sobreviventes - Os Filhos da Guerra de Canudos' (2010) e 'Evandro Teixeira - Instantâneos da Realidade' (2003). Em 2025, lançou ainda o terror gore 'Sala Escura' e o podcast 'Tudo é Roteiro'.

"No caso de Marido de Aluguel, a inspiração vem de uma forma de fazer comédia em que os personagens nunca tentam ser engraçados. Eles estão sempre tentando resolver um problema ou solucionar uma situação surreal. É justamente a maneira como tentam resolvê-lo que provoca o riso. Isso é muito importante para construir uma boa comédia'', explica o diretor.


Essa lógica está presente principalmente na relação entre Vadeco, Agenor e Jorge, interpretados por Maurício Manfrini, Alexandre Lino e Danilo Moura, respectivamente. O trio reúne personalidades opostas e recupera uma dinâmica clássica da comédia física: o esperto e o ingênuo, o covarde e o corajoso, o mandão e o atrapalhado. Alice, vivida por Mariana Xavier, também entra nesse jogo como uma protagonista que foge do arquétipo da donzela em perigo determinada a resolver seus próprios problemas, ela acaba tão envolvida nas confusões quanto os demais.

Para Fontenelle, a inspiração nesses grupos vai além dos tombos, perseguições, caretas e situações absurdas. Existe também uma dimensão afetiva na relação entre os personagens. ''A segunda qualidade, que talvez seja a que o mundo mais precisa hoje em dia, é que, mesmo brigando, discutindo e discordando, existe uma sensação de grupo. Amizade, companheirismo e afeto. Mesmo com personagens tão diversos entre si, existe um grande carinho entre eles, uma espécie de lealdade silenciosa'', afirma.

É esse sentimento de pertencimento que, segundo o diretor, está no centro da experiência que pretende construir com o filme. ''O público não se apaixona apenas pelos personagens porque eles são engraçados, apaixone-se porque gostaria de fazer parte daquela turma''.

Com Marido de Aluguel, Fontenelle busca, assim, resgatar uma forma de humor baseada no absurdo das situações, na química entre personagens diferentes e, principalmente, no afeto entre eles. Uma comédia em que ninguém precisa ser perfeito para enfrentar o caos, e em que os problemas parecem ficar um pouco menores quando enfrentados em grupo.

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