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| Moral (1982), de Marilou Diaz-Abaya |
Nesta sexta-feira (18), chegam à FILMICCA três longas-metragens de diretores que estão entre os nomes mais relevantes da história do cinema em seus países.
Entre as estreias, a FILMICCA recebe Moral (1982), da diretora filipina Marilou Diaz-Abaya, segunda mulher a vencer o FAMAS de Melhor Diretora (a primeira foi Lupita Aquino-Kashiwahara) e, até hoje, a diretora mais premiada na história do FAMAS, com quatro estatuetas na categoria. Diaz-Abaya também foi vencedora do Fukuoka Prize, na categoria Artes e Cultura, em 2001, no Japão, reconhecimento concedido a cineastas asiáticos de relevância internacional.
Reconhecido como um dos maiores e mais influentes cineastas de todos os tempos, o diretor italiano Federico Fellini também chega à plataforma com Cidade das Mulheres (1980). Completa a lista Ceddo (1977), do cineasta senegalês Ousmane Sembène, terceiro título da sequência de estreias do diretor na FILMICCA em setembro, que finaliza com a chegada de Moolaadé (2004) na próxima sexta-feira (25).
Conheça mais sobre cada produção:
MORAL (1982)
Marilou Diaz-Abaya
Filipinas
Da cineasta Filipina Marilou Diaz-Abaya, Moral (1982) se passa entre os anos de 1979 e 1982, durante os anos da lei marcial nas Filipinas, quatro amigas de faculdade tentam encontrar seu lugar em um mundo que lhes oferece expectativas muito diferentes.
O filme acompanha quatro amigas, Joey (Lorna Tolentino), Kathy (Gina Alajar), Sylvia (Sandy Andolong) e Maritess (Anna Marin), ex colegas de faculdade, ao longo de vários anos de suas vidas entre 1979 e 1982, período da Lei Marcial no regime de Marcos nas Filipinas. Joey é usuária de drogas e tem vida sexual livre, Kathy é uma cantora mediana disposta a qualquer coisa para estourar na carreira, Sylvia é uma mulher liberada que ainda mantém vínculo afetivo com o ex marido, agora vivendo com outro homem, e Maritess vive o papel de dona de casa convencional, reduzida a máquina de ter filhos.
Segundo filme de uma trilogia feminista de Diaz-Abaya com o roteirista Ricky Lee, ao lado de Brutal (1980) e Karnal (1983), Moral foi indicado ao Gawad Urian (o principal prêmio da crítica filipina) nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, Melhor Atriz (Alajar e Tolentino) e Melhor Atriz Coadjuvante (Doria e Guillen), e recebeu o prêmio de Melhor Roteiro no Metro Manila Film Festival de 1982, onde também foi eleito o segundo melhor filme do festival.
CIDADE DAS MULHERES (1980)
Federico Fellini
Itália/França
Com roteiro de Fellini, Bernardino Zapponi e Brunello Rondi, Cidade das Mulheres (1980) acompanha o sonhador e carismático Snàporaz durante uma viagem de trem, onde conhece uma mulher sedutora e decide segui-la por uma floresta até um misterioso hotel. No local, descobre que está acontecendo uma conferência internacional de feministas. Cercado por mulheres que o confrontam, perseguem e interrogam, Snàporaz atravessa um universo cada vez mais delirante, onde suas fantasias e medos sobre as mulheres assumem formas concretas.
Uma das incursões mais extravagantes de Fellini pelo território do sonho, Cidade das Mulheres transforma o inconsciente masculino em uma paisagem fantástica, povoada por desejos, lembranças e fantasias. O filme mistura sátira, erotismo e surrealismo para construir um retrato deliberadamente exagerado das relações entre homens e mulheres e das ansiedades de seu protagonista.
CEDDO (1977)
Ousmane Sembene
Senegal
Considerada uma das obras fundamentais do diretor, Ceddo (1977) acompanha a luta de um povo para preservar suas tradições em uma sociedade ameaçada pelo avanço do islamismo, do cristianismo e do comércio de pessoas escravizadas. Quando o Rei Demba War se alia aos muçulmanos e aceita a conversão de seu povo, os Ceddo sequestram sua filha, a Princesa Dior Yacine, em protesto contra a imposição da nova religião. O gesto desencadeia uma disputa pelo poder que coloca em jogo a própria identidade da comunidade.
Premiado no Festival de Berlim e selecionado para a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes de 1977, o filme revisita a história da África Ocidental e traz uma narrativa política e alegórica, transformando aquela comunidade em um espaço onde diferentes forças disputam não apenas o poder, mas o direito de definir o futuro de um povo.
Neste mês, a FILMICCA reúne em sua lista de novidades uma vaga especial Sembène. Quatro longas metragens do diretor chegam ao catálogo em cada uma das sextas feiras de setembro. Além de Ceddo, já estão disponíveis Emitaï (1971) e Xala (1975). Na próxima sexta-feira (25), o calendário de estreias do diretor se encerra com a chegada de Moolaadé (2004), seu último trabalho, em 25 de setembro.



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