''Fora do Mapa'' explora as raízes de Guimarães, berço de Portugal, nesta terça

Foto: Divulgação

Arquitetura, arqueologia e gastronomia se entrelaçam no quinto e penúltimo episódio da série ''Fora do Mapa'', que vai ao ar nesta terça-feira, 1 de setembro, às 20h30, no canal Travel Plus. Graduada em História da Arte e Comunicação Social e mestra em Política e Cultura, a apresentadora carioca Lígia Vargas viaja até a cidade de Guimarães para descobrir uma história que começa muito antes do nascimento de Portugal. Partindo de vestígios arqueológicos, ruas, praças e hábitos locais, Lígia convida o espectador a entender como diferentes momentos da história continuam presentes na vida da cidade considerada o berço da nacionalidade portuguesa.

A forma de observar os lugares é parte importante da proposta de Lígia no programa. Mais do que mostrar um patrimônio, a comunicadora procura entender o que ele revela sobre a sociedade que o construiu, seus costumes e a vida de quem passou por ali. No sítio arqueológico conhecido como Citânia de Briteiros, a apresentadora encontra vestígios de uma cidade construída há mais de dois mil anos. O episódio mostra que os povos que habitavam o noroeste da Península Ibérica já contavam com ruas, áreas residenciais, muralhas, sistemas de circulação de água e formas organizadas de ocupação do território.

''Fora do Mapa'' também explora a arqueologia para ilustrar uma sociedade que estava longe de ser primitiva. A organização da Citânia, seus sistemas de defesa e a forma como a água era conduzida pelo território revelam conhecimentos e práticas que já existiam antes da chegada dos romanos. A própria experiência de caminhar pelo sítio leva Lígia a relacionar esses vestígios com hábitos que continuam presentes milhares de anos depois: ''Estando aqui, a gente percebe que já existia convivência e organização social e até uma preocupação com bem-estar. E olha que curioso, mais de 2000 anos depois, a gente continua buscando exatamente as mesmas coisas''.
 
A viagem então chega a Guimarães, onde o passado deixa de aparecer apenas nos sítios arqueológicos e passa a fazer parte das ruas e da rotina. No século XI, a cidade se transforma no centro político do novo reino português, e o Castelo de Guimarães passa a ser um dos símbolos dessa história. Mas ao descer pelas ruas do centro histórico, Lígia procura entender não apenas o que foi preservado, mas como esse passado continua vivo.

Na Rua de Santa Maria, uma das mais antigas de Portugal, a arquitetura medieval revela soluções para questões práticas da vida urbana, como o escoamento de água e resíduos. Já na Praça de Santiago, um espaço que há séculos recebe pessoas, a história continua acontecendo entre moradores, estudantes, peregrinos e visitantes. A experiência reforça uma das ideias que orientam o trabalho de Lígia: conhecer um lugar também é aprender a enxergar aquilo que parece comum. Em vez de uma cidade parada no tempo, a apresentadora encontra um centro histórico que continua sendo usado e ocupado. ''Aqui a história não é um capítulo encerrado. Ela continua acontecendo no ritmo da cidade, misturada ao cotidiano de quem vive nela.''

A gastronomia amplia esse olhar. Em Guimarães, futebol, conversa, café e doces tradicionais se encontram à mesa, mostrando como a cultura também é preservada por meio dos hábitos cotidianos. Ao lado do ex-jogador da Seleção Portuguesa e do clube de futebol local Vitória Sport Clube, João Costeado, Lígia conhece doces conventuais como a torta de Guimarães, o jesuíta e o toucinho do céu, enquanto a paixão pelo clube aparece como parte da própria identidade da cidade. A experiência faz a apresentadora perceber como diferentes elementos da cultura local se misturam em situações simples do dia a dia.
 
Na Adega do Ermitão, a comida também vira ponto de partida para falar sobre memória e costumes. O guia local Leandro Fernandes apresenta a Lígia o vinho verde e receitas tradicionais da região, enquanto a conversa aproxima portugueses e brasileiros a partir de hábitos, linguagem e formas de convivência. Ao falar sobre a experiência de conhecer lugares para além dos pontos turísticos de Guimarães, Leandro destaca as semelhanças que encontra entre os dois países: ''A simpatia, as brincadeiras. Fora da máscara turística, encontro muitas semelhanças entre os portugueses e os brasileiros, e eu acho que é uma coisa incrível.''

A relação entre Portugal e Brasil também aparece em outro momento do percurso, no Alto da Penha. O monumento aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral lembra a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada em 1922 entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Para Lígia, o episódio acrescenta outra camada à viagem: Guimarães não é apenas um ponto de partida para entender a formação de Portugal, mas também um lugar onde permanecem marcas da relação histórica entre os dois países.

Ao percorrer Guimarães, ''Fora do Mapa'' constrói uma viagem por diferentes tempos: dos povos que ocuparam a região há mais de dois mil anos à cidade medieval, das tradições gastronômicas às relações que continuam sendo construídas no presente. É também o tipo de percurso que traduz a maneira como Lígia entende suas viagens: olhar para uma arquitetura, uma receita, uma ruína ou um hábito e perguntar o que existe por trás daquilo que todo mundo já está acostumado a ver. ''Porque quando uma viagem amplia o nosso entendimento sobre o outro, ela inevitavelmente também transforma a forma como enxergamos nós mesmos''.

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