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| Samantha Schmutz, Maria Homem e Mari Palma. Divulgação: CNN Brasil |
É possível fazer novas amizades depois dos 40 anos? E manter as antigas? Essa é a reflexão central do sétimo episódio de Na Palma da Mari: Entre Mulheres, que reúne a atriz Samantha Schmutz e a psicanalista Maria Homem em uma conversa sobre conexões, amadurecimento e o impacto do tempo nas relações afetivas. O episódio será exibido no YouTube do CNN Pop quinta-feira (01), às 20h, e na TV, excepcionalmente, na sexta (02), às 23h45.
Ao abordar a criação de laços na maturidade, Samantha Schmutz defende que a faixa etária traz vantagens. ''Eu acho que é mais fácil, sabia? Porque você se conhece mais. Você sabe melhor quem você quer, o que você gosta, o que te faz mais bem ou menos mal'', avalia. A atriz relata sua experiência pessoal ao mudar de país: ''Mantenho os meus amigos antigos, de longa data, mas tenho mais de dez amigos novos''. Por outro lado, admite a falta do afeto construído com o tempo: ''Outro dia eu estava pensando: 'Gente, não tem ninguém aqui (nos Estados Unidos, onde moro) que me ama real, você cria novos amigos, novas relações, mas existe um tipo de amor construído ao longo da vida que está em outro lugar''.
A psicanalista Maria Homem analisa a natureza das conexões de infância e juventude, pontuando que amizades antigas nem sempre acompanham quem a pessoa se tornou. ''Amigo de longa data normalmente tem a ver com escola, com faculdade. E qual é o corte? Temporal. Nasceu no ano que você nasceu. Se você for pensar em termos de alma, de coração, subjetivamente, é um pouco aleatório. Às vezes, você encontra alguém numa casa de show, numa festa, num trabalho, que gosta das mesmas coisas que você'', explica a especialista.
Ao lembrarem da relação com o ator Paulo Gustavo, Samantha relembra a cumplicidade e a dinâmica entre os dois. ''O próprio Paulo Gustavo, a gente era tão irmão, tão amigo, que tinha vezes em que a gente brigava mesmo, ficava sem se falar por períodos grandes. E eu acho que é importante brigar, se desentender, porque aí muda a fase do videogame ou acaba'', recorda. Ela destaca também o lado afetivo e profissional dessa parceria: ''O Paulo amigo era maravilhoso. Era a pessoa com quem eu mais me divertia no mundo. A gente se divertia muito, lapidava o humor um do outro. A gente era uma dupla, juntos, imbatível. Foi uma sorte na minha vida ter tido o Paulo Gustavo. Sorte de todos nós, né? Sou muito honrada de ter sido amiga dele''.
Sobre os términos de amizades, Maria Homem detalha diferentes formas de encerramento, como o afastamento gradual ou a ruptura explícita. ''Tem o término em que você deixa morrer. Ninguém traz o desfibrilador. Você deixa, vai se afastando, perdeu o contato, não chama mais para aquilo. Talvez seja o mais comum. Mas tem também aquele em que você vai fazer uma DR, ritualizar o final. E tem um terceiro tipo: você atua para terminar'', analisa a psicanalista. Samantha pondera que a amizade pode acabar, mas o afeto permanecer: ''Às vezes, o amor nem acaba, mas a amizade acaba. Acho que a amizade fica menor, mas o amor fica. Eu tenho isso de a amizade terminar, seguir outros caminhos, mas o amor continuar''.
O impacto do isolamento e da pandemia na percepção do tempo e das prioridades também foi debate no episódio. Maria Homem ressalta que ''o encontro com a morte colocou uma lupa sobre o que é o amor, sobre as amizades, a forma de trabalhar e, inclusive, sobre o tempo''. Concordando com a reflexão, Samantha revela ter ficado mais seletiva sobre seus compromissos: ''Talvez (depois da pandemia), eu tenha ficado mais seletiva e aprendido a dizer mais 'não', a ver que não preciso estar em todos os lugares. Acho que mudou mais nesse sentido: escolher para onde gastar o meu tempo''.
Por fim, Maria Homem reforça o papel da autodescoberta na construção de novos laços interpessoais. ''O autoconhecimento é muito importante para você estar melhor com você mesma e viver melhor. Depois dos 40, você já consegue olhar para trás e perceber quais fios quer resgatar, quais quer retraçar'', observa a psicanalista. Samantha complementa destacando sua postura em relação ao convívio atual: ''Eu sou uma amiga que rega as amizades, cultivo, mas não gosto de cobrança nem de ser cobrada. Eu entendo o tempo das pessoas, mas demonstro o meu carinho. E, quando você quiser me demonstrar o seu, eu aceito também. Estou nessa paz''.
