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| Foto: Ana Paula Santos - Acervo TV Cultura |
Nesta terça-feira (22/9), Marcelo Tas conversa, no Provoca, com o empresário, autor e especialista em inovação Ricardo Geromel sobre a China. No bate-papo, ele explica a acelerada transformação do país, aborda aspectos de sua política e economia, fala sobre a importância da educação para os chineses, explica o que o Brasil representa para a China e muito mais. A edição inédita vai ao ar na TV Cultura, às 22h30.
Geromel explica que, até o começo da década de 1980, a China não era apenas pobre, mas extremamente miserável: mais de 88% da população vivia abaixo da linha da miséria. ''Essa história que chinês come cachorro é porque nessa época, na China, era proibido ter um animal doméstico. Como é que você vai alimentar um animal se teu vizinho está passando fome? Então, até 1978, não tinha uma empresa privada na China. Hoje são 60 milhões de empresas privadas, tem mais de 100 milhões de empreendedores (...) Quando a gente pensa em comunismo, pensa em União Soviética, Venezuela. Na China, o que acontece não é isso. É o Partido Comunista Chinês que está no poder, mas é um modelo de gerir o país que é único, não deveria ter esse nome'', diz.
Em outro momento da conversa, Ricardo afirma que não é possível entender o que acontece na China atualmente sem falar de educação e estudo. ''Acho que a principal diferença cultural da China com o Brasil é a relação com o estudo (...) Lá, quando você conhece alguém, uma das primeiras coisas que você pergunta não é que time de futebol você torce, é onde você estudou (...) Na China é plantar a semente, você vai colher o resto da vida (...) Você quer que o teu filho melhore de vida, a tua filha, a tua família, dá estudo para ele. Na China é tão simples quanto isso.''
Sobre os problemas na economia do país, o empresário cita a questão demográfica - a China tem 1 bilhão e 400 milhões de habitantes - e o fato de ser uma das sociedades que mais poupam dinheiro. ''Se o povo gasta, o PIB cresce, tem atividade econômica. E lá eles poupam muito por uma questão cultural (...) Na década de 80, o pessoal ainda passava fome. Então, eu sou de 87, minha geração é a primeira que não passou fome. Mas teu pai te conta a história de fome, teu avô, teu vizinho, teu tio, você fala: 'espera aí, pode ser que as coisas deem errado' '', explica.
O convidado também detalha como o Brasil se tornou peça estratégica para a segurança alimentar chinesa, ao atuar como uma espécie de ''fazenda offshore'' responsável por abastecer a população asiática. ''O Brasil foi o lugar que a China mais investiu em diferentes segmentos [...] Aí eu falo com os líderes em Pequim, eles falam: 'nós estamos dependentes, nós não somos'.''
