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| Foto: CNN Brasil |
Quanto tempo o trabalho invisível e a sobrecarga mental tomam do dia a dia feminino? Esse é o ponto de partida do próximo episódio do Na Palma da Mari: Entre Mulheres, que reúne a apresentadora Didi Wagner e a psicanalista Carol Romano para discutir os desafios das mulheres ao tentar equilibrar carreira, maternidade e vida pessoal. O episódio será exibido no YouTube do CNN Pop nesta quinta-feira (15), às 20h, e na TV no sábado (17), às 22h45.
Durante a conversa, Didi Wagner reflete sobre as cobranças por uma rotina perfeita e desconstrói a ideia de uma jornada totalmente equilibrada. ''Existe uma demanda muito grande para a mulher conciliar a carreira profissional com a vida pessoal. E é uma demanda que vai fazendo com que você se ajuste de acordo com a sua prioridade naquele momento. Tem momentos em que você vai focar mais na sua família ou no seu bem-estar mental e tem momentos em que vai se dedicar com tudo à sua trajetória profissional. Essa ideia de conciliar tudo com tanto equilíbrio é bastante utópica'', avalia a apresentadora.
Ao abordar os dilemas da maternidade, Didi relembra a sensação de culpa que costuma acompanhar as mães e o impacto disso ao longo dos anos. ''É aquela frase que já virou clichê: nasce um filho, nasce uma culpa. Virou clichê porque é repetida diversas vezes, mas existe um pensamento por trás disso. A partir do momento em que você coloca uma criança no mundo, tem uma responsabilidade tremenda com aquele ser humano e, ao mesmo tempo, também tem uma responsabilidade consigo própria, com a sua história, a sua trajetória e a sua vida'', pontua. ''A gravidez, como tantas coisas na vida, tem um lado lindo, inspirador e muito especial, e tem também um lado de angústia, preocupação e renúncia'', destacando também a preocupação ao engravidar em 2002 na MTV.
Com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a psicanalista Carol Romano traz números para dimensionar o impacto do trabalho invisível na trajetória profissional feminina. ''São 700 milhões de mulheres que não trabalham porque não conseguem. Gostaria, mas precisam cuidar dos filhos e de todo esse trabalho, contra 40 milhões de homens. Então ainda é uma questão muito grande. Existem mulheres que nem conseguem ter a possibilidade de se desenvolver profissionalmente por causa dessa carga'', alerta a especialista.
Carol Romano aponta ainda um levantamento sobre a estagnação na carreira em busca de equilíbrio pessoal. ''43% das mulheres que estão hoje em cargos de média gestão nas empresas, coordenadoras e gestoras, não têm intenção de subir na carreira porque preferem privilegiar a vida pessoal. Acho que isso vem muito desse lugar de não sentir essa culpa. Eu sempre digo que, para um profissional performar bem e estar bem no trabalho, ele precisa dar conta das demandas pessoais. Quando a gente não dá conta dessas demandas, começa a não performar bem no trabalho, porque essa conta bate'', ressalta.
A psicanalista também detalha o conceito de carga mental nas relações, ressaltando que o planejamento constante recai historicamente sobre as mulheres. ''Os homens parecem mais ligados às tarefas: 'O que tem que fazer? Me diz e eu faço'. Mas o trabalho invisível está nesse 'me diz'. É quem está enxergando antes da coisa acontecer, quem está pensando sobre tudo, planejando, prevendo. Eles fazem isso no trabalho. Por que não podem fazer isso na vida?'', provoca Carol.
Na busca por aliviar essa pressão, Didi compartilha os desafios práticos de gerenciar o cotidiano, delegar tarefas e encontrar momentos para descansar. ''É muito difícil ficar totalmente tranquila, com a mente esvaziada. A gente está sempre contemplando o que tem que ser feito, como organizar, como providenciar as necessidades. Eu tento criar alguns recursos para escapar um pouco dessa preocupação sempre presente, como o exercício físico'', diz. Sobre a convivência e a autonomia, ela reforça que ''delegar também é aceitar o jeito do outro'' e acrescenta a importância de incentivar a independência das filhas: ''Gosto de pensar que existem coisas da vida delas que elas decidem por conta própria.''
Por fim, ao abordar as transformações pessoais e o aprendizado diante de mudanças de rotina, Didi Wagner conclui com uma mensagem de autoconfiança. ''Eu fui casada por 24 anos e existia uma divisão de tarefas. Quando me separei, várias tarefas que eram atribuídas ao meu marido eu tive que assumir. Num primeiro momento, fiquei apavorada. Pensei: 'Como é que eu vou fazer agora?'. E fui aprendendo. Levou um tempo, não foi da noite para o dia, mas eu consegui. A gente consegue. Tudo se aprende, tanto para os homens quanto para as mulheres'', sintetiza.
