Conheça Josy Andrade, Camila Gomes, Dona Rosa, A-Yá e Mãe Efigênia, as cinco mulheres de ''As Benzedeiras''


Elas aprenderam com mães, avós, sogras, entidades espirituais e com a própria relação com a natureza. Algumas herdaram rezas que atravessaram gerações; outras descobriram, já adultas, que faziam parte de uma linhagem de mulheres dedicadas à cura. Em comum, carregam conhecimentos que resistiram ao tempo e continuam encontrando espaço na vida de suas comunidades. São Josy Andrade, Camila Gomes, Dona Rosa, A-Yá e Mãe Efigênia, cinco personagens reais que estão no centro de AS BENZEDEIRAS, documentário dirigido por Labibe Araújo com estreia no dia 12 de novembro.

Em Salvador, Josy Andrade aprendeu a benzer acompanhando a avó, Dona Brasília. Enfermeira aposentada, mulher de terreiro e Ekedi no Candomblé, ela reconheceu na própria espiritualidade elementos de um conhecimento que já fazia parte de sua história familiar. Hoje, mantém em casa um altar cercado de plantas e ervas e começa a transmitir suas rezas à sobrinha Natália, de 19 anos. Para Josy, o conhecimento não termina nela: precisa continuar circulando entre as gerações.

Em Florianópolis, Camila Gomes encontrou na própria história familiar as raízes de seu ofício. Psicóloga de formação, começou a benzer aos 27 anos, depois de uma trajetória marcada pela mediunidade e pela Umbanda. Mais tarde, descobriu que sua bisavó e sua avó também eram benzedeiras. Parte desse conhecimento chegou até ela por meio dos sonhos, como se uma memória ancestral estivesse reencontrando seu caminho. Hoje, Camila reúne a benzeção a outras práticas terapêuticas, construindo uma maneira própria de cuidar.

No quilombo Mata-Cavalo, em Cuiabá, Dona Rosa aprendeu a benzer com a mãe, a sogra e o irmão. Começou aos 16 anos e conhece rezas para diferentes males, do quebranto à dor de cabeça. Trabalhadora da comunidade, cantora de siriri e mulher profundamente ligada ao território, ela representa uma tradição que também nasceu da necessidade: em lugares onde o acesso aos serviços de saúde era difícil, as benzedeiras constituíam uma importante referência de cuidado. Até hoje, Dona Rosa atende quem a procura, mantendo viva uma prática que ultrapassa os limites de sua família e alcança todo o quilombo.

Em Manaus, A-Yá é curandeira e pajé, herdeira de uma linhagem ancestral de mulheres e homens ligados aos conhecimentos de cura. Sua compreensão sobre o cuidado envolve corpo, mente, emoções, espiritualidade e natureza. Psicóloga de formação, também encontrou na dança e na arte caminhos para acessar suas raízes culturais e espirituais. Entre Manaus e diferentes aldeias, A-Yá atua junto a comunidades e defende a continuidade das linhagens de pajés e curandeiras, historicamente ameaçadas pela violência da colonização. Para ela, ensinar é também ajudar outras mulheres a reconhecerem sua própria força e ancestralidade.

Já em Belo Horizonte, Mãe Efigênia é quilombola do Manzo, liderança religiosa e guardiã de conhecimentos que recebeu da mãe ainda criança. Começou a benzer aos 11 anos e, desde então, fez das ervas, das rezas e da espiritualidade uma missão de vida. Na Serra do Curral, território que considera sagrado, busca parte das plantas utilizadas em suas práticas. Sua luta pela preservação da serra também é uma luta pela continuidade de seus saberes. No quilombo, compartilha conhecimentos com a comunidade e com as crianças, ensinando que cada erva carrega uma história, uma força e uma memória.

O longa AS BENZEDEIRAS aproxima o público de mulheres que fazem da preservação de seus conhecimentos uma forma de resistência.

Em um país de dimensões continentais e múltiplas tradições culturais, essas cinco mulheres mostram que os saberes ancestrais não pertencem apenas ao passado. Eles continuam vivos nas mãos, nas palavras, nas ervas e nas histórias de quem escolhe não deixar essa memória desaparecer.

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