![]() |
| Foto: Globo/Divulgação |
Dos bailes que reuniam milhares de jovens nos subúrbios cariocas na década de 1970 aos artistas que hoje dão continuidade à música negra produzida no Rio de Janeiro. É essa trajetória que conduz a nova edição do 'Vim de Lá', produção do Jornalismo da TV Globo que revisita, em três episódios, a história da black music carioca e sua influência na música, na estética e no comportamento de diferentes gerações. Apresentado por Lilian Ribeiro e Chico Regueira, 'Vim de Lá: Bailes do Rio' estreia neste sábado, dia 7 de novembro, para o Rio de Janeiro, e ficará disponível também no Globoplay.
O programa parte do movimento Black Rio, que ganhou força nos anos 1970 em diálogo com referências da cultura e do movimento negro norte-americano e transformou os bailes em espaços não apenas de música e diversão, mas também de afirmação de identidade. Para contar essa história, a edição reúne personagens que participaram de diferentes momentos desse percurso, entre eles Tony Tornado, Dom Filó, Rômulo Costa, Macau, Carlos Dafé, Michael Sullivan, Hyldon, Gabriel Moura, Banda do Síndico, Thalma de Freitas, Zé Ricardo e MC Martina.
Um dos pioneiros do soul e do funk no Brasil, Tony Tornado relembra sua passagem pelos Estados Unidos, onde teve contato com a cultura negra americana, e a influência de James Brown em sua formação artística. Aos 96 anos, o cantor e ator também fala sobre a amizade com Tim Maia e revisita um dos momentos marcantes de sua trajetória: sua participação no Festival Internacional da Canção de 1971. Na ocasião, durante a apresentação de ''Black is Beautiful'', interpretada por Elis Regina, Tornado subiu ao palco e ergueu o braço com o punho cerrado, gesto associado ao movimento negro norte-americano. Ao olhar para a própria trajetória, Tony relaciona a luta daquele período às mudanças que enxerga hoje na sociedade e na televisão. ''Hoje eu me emociono quando ligo a televisão e, em um elenco de 100 pessoas, tem 50 negros. Essa sempre foi a minha luta. A diferença de nós para os outros é a falta de oportunidades. Quando nos dão a oportunidade, a gente apresenta. E a prova aí está'', afirma.
Outro personagem central dessa história é Asfilófio de Oliveira Filho, o Dom Filó. Mentor e um dos fundadores da equipe de som Soul Grand Prix, ele teve papel importante na articulação do movimento Black Rio, usando também o microfone dos bailes para promover a conscientização social e racial. Hoje à frente da Cultne, acervo dedicado à cultura negra brasileira, Filó relembra no programa a dimensão que aqueles encontros assumiram para a juventude. ''Você entrava no portal, ali era a felicidade pura. Não era só música. E influenciou não só essa juventude, mas também outros segmentos, como a galera do futebol. Se você olhar a seleção de 70, 74, você vai ver uma galera de cabelo black, como Jairzinho, Júnior, Caju. E como isso chega pra eles? De alguma forma, pela música, pela estética. Talvez a consciência racial não tão aflorada, mas chegou pra eles'', conta.
Com o crescimento dos bailes e a circulação de milhões de jovens pela noite carioca ao longo dos anos, novas equipes de som e outros gêneros passaram a escrever novos capítulos dessa história. Entre eles está a Furacão 2000. Rômulo Costa, fundador da equipe, relembra no 'Vim de Lá: bailes do Rio' as referências que ajudaram a formar a Furacão e o caminho que levou o funk carioca a ganhar projeção na década de 1990 e alcançar diferentes regiões do país.
Autor de ''Olhos Coloridos'', Macau recorda a origem da canção que se tornaria um símbolo de orgulho e afirmação negra, especialmente a partir da interpretação de Sandra de Sá. No programa, ele conta como a música ganhou um novo significado ao chegar à voz da cantora. ''Essa música é uma reflexão sobre o que você quer ser, da sua realidade, consciência, naturalidade. Que parte de uma denúncia, da dor, e vem uma cantora que parte da carne, de dentro, e explode'', diz.
Nos episódios seguintes, 'Vim de Lá: Bailes do Rio' avança pelas décadas para mostrar como aquela história se desdobrou em novas sonoridades e gerações. Michael Sullivan, Hyldon, Carlos Dafé, Gabriel Moura, Banda do Síndico, Thalma de Freitas, Zé Ricardo e MC Martina estão entre os artistas que participam dos encontros e interpretam músicas que marcaram diferentes momentos da black music brasileira.
'Vim de Lá: Bailes do Rio' vai ao ar para o Rio de Janeiro em três episódios, nos sábados, dias 7, 14 e 21 de novembro. O programa também ficará disponível no Globoplay.
