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"Febre do Rato": Terceiro longa de Cláudio Assis estreia no Canal Brasil

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"Febre do Rato": Terceiro longa de Cláudio Assis. (Imagem: Divulgação)
Terceiro longa do pernambucano Cláudio Assis, Febre do Rato estreia no Canal Brasil na próxima terça, dia 26, às 22h. A expressão que dá nome à produção é utilizada no nordeste para indicar algo fora de controle. Nos subúrbios pobres do Recife, o cineasta insere personagens aparentemente descontrolados para analisar e investigar os costumes mais primitivos do ser humano em um lugar onde arte, anarquia e sexualidade são explorados livremente. Estrelado por Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré, Ângela Leal, Mariana Nunes e Maria Gladys, o filme conquistou três troféus Grande Otelo no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – melhor filme pelo júri popular, roteiro original e atriz coadjuvante – e oito prêmios no Festival de Cinema de Paulínia.

Febre do Rato é o nome do pequeno jornal produzido artesanalmente por Zizo (Irandhir Santos), um poeta marginal morador de uma região pobre do Recife. Dedicado e com grande apreço pelo seu trabalho, ele publica seus escritos com orgulho e declama seus versos em mesas de bar e largos com grande louvor, chamando a atenção de quem está ao redor realizando verdadeiras performances em praça pública. As ideias do protagonista são tão anárquicas quanto seu modo de encarar a vida. Ele preza por uma grande liberdade na rotina e sexual, fugindo de rótulos e valorizando o livre arbítrio de todos. Seu cotidiano sem amarras começa a ruir, no entanto, quando ele conhece Eneida (Nanda Costa), por quem rapidamente se interessa apesar das constantes negativas da moça.

Cláudio Assis opta por uma fotografia em preto e branco – assinada por Walter Carvalho – para apagar o brilho da colorida Recife e oferecer uma tonalidade ríspida à capital pernambucana. O diretor foca grande parte de sua atenção no comportamento humano a partir das relações sexuais – traço marcante também em Amarelo Manga (2002) e Baixio das Bestas (2006), seus dois primeiros longas-metragens. Para um olhar desatento, o protagonista poderia ser uma vítima simbólica da febre do rato, como alguém completamente despido da realidade e do convívio em sociedade, mas a direção opta pelo caminho oposto, trazendo lucidez ao comportamento liberal do papel. Entre versos, lascívia, pobreza e anarquia, um retrato cru da batalha de um homem solitário contra a opressão do sistema.




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