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Canal Brasil dedica um dia inteiro a obras dirigidas por cineastas negros com "Especial Pérolas Negras"

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Imagem/Divulgação Canal Brasil
Para celebrar o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, e lançar luz sobre as reflexões necessárias para a data, o Canal Brasil apresenta, pela primeira vez, uma grade formada exclusivamente por filmes dirigidos por cineastas negros. A programação fará um passeio pela produção de realizadores negros de diversas gerações – algumas obras ainda estão inéditas –, seja em ficções ou documentários, naturais de diferentes regiões do país.

A parte da manhã traz longas de Rodrigo Felha, André Novais, Luciano Vidigal e Camila Pitanga;  e a tarde oferece uma série de curtas-metragens assinado por mulheres negras. Nomes precursores das lentes, como Joel Zito Araújo e Adélia Sampaio – a primeira negra a dirigir um longa-metragem – dividem o dia com membros da nova geração, como Jeferson De, Gabriel Martins, Bruno Ribeiro, Larissa Fulana de Tal, Valter Rege, Sabrina Fidalgo, Mariana Campos, Glenda Nicácio e Michelle Mattiuzzi, propondo uma reflexão sobre o tema e abrindo espaço para novos pontos de vista, com o conhecido poder revolucionário das telonas.

Não menos importante e emblemático, Zózimo Bulbul tem sua vida e trajetória representadas através do registro Retratos Brasileiros, uma vez que suas obras estão impossibilitadas de exibição na TV por problemas burocráticos. Não se trata, portanto, de verificar como as questões raciais são tratadas no cinema brasileiro, mas sim de acompanhar de perto o olhar de uma minoria em busca de representatividade no âmbito da cultura nacional.

A programação ainda conta com um conteúdo inédito e produzido exclusivamente para a data: um episódio especial do programa “Espelho”, conduzido por Lázaro Ramos e gravado no Cine Odeon (RJ), que terá a participação de nomes como Jeferson De, Sabrina Fidalgo, Viviane Ferreira e Joel Zito Araújo.
ESPECIAL PÉROLAS NEGRAS
Horário: Terça-feira, dia 20/11, a partir das 7h
Favela Gay (2014) (72’)
Horário: Terça, dia 20, às 7h
Classificação: 14 anos
Direção: Rodrigo Felha

Sinopse: Homofobia, preconceito, violência e pouca aceitação familiar ainda fazem parte, infelizmente, de cotidiano de grande parte da vida de gays em todo o mundo. Nas comunidades cariocas essa realidade não é muito diferente, e o duro contexto social imposto a essas localidades muitas vezes intensifica ainda mais a intolerância. Premiada como melhor filme do júri popular do Festival do Rio de 2014, essa coprodução do Canal Brasil sob direção de Rodrigo Felha investiga o cotidiano de homossexuais de favelas do Rio de Janeiro, suas histórias, trajetórias de vida e as batalhas diárias travadas contra a marginalização.

Ela Volta na Quinta (2014) (108’)
Horário: Terça, dia 20, às 8h15
Classificação: 12 anos
Direção: André Novais

Sinopse: O longa faz uma delicada abordagem sobre os dramas de um casamento longevo e os problemas de um elo estagnado pela sobrevivência ao tempo. A trama central gira em torno da relação entre marido (Norberto Oliveira) e mulher (Maria José Novaes), casal de idosos cuja união enfrenta as dificuldades trazidas pela prolongada vida a dois. Seus filhos – interpretados pelo diretor e por Renato Novaes, seu irmão também fora das telas – preparam-se para sair de casa e começar suas próprias vidas, mas o imbróglio familiar os impede de dar sequência em seus planos. A história é fictícia, mas traz elementos inspirados na vida pessoal do cineasta.

Cidade de Deus – 10 Anos Depois (2014) (69’)
Horário: Terça, dia 20, às 10h05
Classificação: 14 anos
Direção: Cavi Borges e Luciano Vidigal

Sinopse: Cidade de Deus (2002) é um dos filmes mais bem-sucedidos da história do cinema brasileiro. A película de Fernando Meirelles e Katia Lund é estrelada majoritariamente por atores amadores, moradores de comunidades cariocas e conquistou mais de três milhões de espectadores nas salas de exibição nacionais. Cavi Borges e Luciano Vidigal relembram, neste documentário, a primeira década de aniversário da obra e conferem como o destino cuidou de um possível futuro brilhante para seus protagonistas, horizonte não concretizado para a maioria. Para a maior parte do elenco, no entanto, o encanto do tapete vermelho, a atenção da mídia e as luxuosas pré-estreias em badalados eventos internacionais de cinema duraram pouco. O documentário aborda, ainda, os preconceitos sofridos por negros na sétima arte.

Pitanga (2017) (114’)
Horário: Terça, dia 20, às 11h15
Classificação: 12 anos
Direção: Camila Pitanga e Beto Brant

Sinopse: Antonio Pitanga possui um lugar cativo no olimpo do cinema brasileiro, com uma voz de protagonismo para o negro. O pioneiro ator baiano emprestou sua genialidade a mais de 50 filmes – incluindo diversas pérolas da sétima arte nacional. Sua maestria perpassa diversos movimentos da cinematografia do país, desde o premiado O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte; passando pelo Cinema Novo de Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra; e Barravento (1962), de Glauber Rocha; até o período da Retomada com Villa-Lobos, uma Vida de Paixão (2000), de Zelito Viana, e Zuzu Angel (2006), de Sergio Rezende, entre tantos outros. O intérprete ganha merecida homenagem pelas lentes de Beto Brant e da filha Camila Pitanga, em sua primeira incursão como diretora.

Rainha (2016) (31’)
Horário: Terça, dia 20, às 13h40
Classificação: 14 anos
Direção: Sabrina Fidalgo

Sinopse: A cineasta Sabrina Fidalgo escolheu retratar o lado obscuro e nada atraente do carnaval neste curta-metragem estrelado por Ana Flávia Cavalcanti, Bianca Joy Porte, Marília Coelho e Jerry Gilli, entre outros. Rita (Ana Flávia Cavalcanti) é uma moça bela e simples que mora em uma comunidade com sua mãe. Seu grande sonho é vencer o concurso de rainha da bateria da escola de samba local. Após várias tentativas frustradas, ela finalmente alcança o seu objetivo, mas em seu caminho surgirão muitas armadilhas, tanto do mundo externo quanto de seus demônios interiores.

Tia Ciata (2016) (27’)
INÉDITO e EXCLUSIVO
Horário: Terça, dia 20, às 14h10
Classificação: 12 anos
Direção: Mariana Campos e Raquel Beatriz

Sinopse: A produção assinada por Mariana Campos e Raquel Beatriz conta detalhes da história de coragem da mulher que deu origem à chamada “Pequena África”, berço de resistência cultural. O filme traz os depoimentos de importantes nomes na luta contra o racismo, como as escritoras Conceição Evaristo e Helena Theodoro, a Ialorixá Mãe Beata de Iemanjá e a cantora Marina Íris. O documentário foi premiado nos festivais Curta Cinema (RJ), Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul e Festival de Cinema Feminista de Londres (Inglaterra). Além disso, participou da seleção oficial de eventos pelo Brasil e pelo mundo afora.

Mulheres Negras: Projetos de Mundo (2017) (20’)
Horário: Terça, dia 20, às 14h40
Classificação: 10 anos
Direção: Day Rodrigues e Lucas Ogasawara

Sinopse: O curta-metragem dos cineastas Day Rodrigues e Lucas Ogasawara debate racismo, misoginia e as múltiplas dificuldades de ser mulher e negra no Brasil. Entrevistas com a pesquisadora e escritora Djamila Ribeiro, a cantora Preta-Rara e a rapper Luana Hansen, entre outras, debatem questões como os preconceitos sofridos diariamente, os estereótipos facilmente lhes creditados, violências distintas vividas rotineiramente, os sonhos de igualdade social e a resistência da mulher negra ao longo dos anos.

Cinzas (2015) (16’)
Horário: Terça, dia 20, às 15h10
Classificação: 12 anos
Direção: Larissa Fulana de Tal

Sinopse: A jovem diretora baiana Larissa Fulana de Tal assina o curta, que encarna o drama de muitos jovens negros e pobres do país. Na trama, Toni (Guilherme Silva) é um estudante universitário que trabalha como operador de telemarketing em Salvador (BA). Ele já não aguenta mais o emprego, mas sabe que precisa sobreviver sem perder a dignidade e sem surtar.

Cores e Botas (2010) (16’)
Horário: Terça, dia 20, às 15h25
Classificação: Livre
Direção: Juliana Vicente

Sinopse: A cineasta Juliana Vicente, que também assina a direção da 13ª temporada do programa Espelho, discute o preconceito racial neste curta-metragem vencedor do prêmio do júri popular no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM). Joana (Jhenyfer Lauren) tem um sonho comum a muitas meninas dos anos 1980: ser paquita. Sua família é bem-sucedida e a apoia em seu sonho. Joana, porém, é negra, e nunca se viu uma paquita de sua cor no programa da Xuxa.

Experimentando o Vermelho em Dilúvio (2016) (08’)
Horário: Terça, dia 20, às 15h40
Classificação: 14 anos
Direção: Michelle Mattiuzzi, Matheus A, Luciano Carneiro e Elton Sara Panamby

Sinopse: Michelle Mattiuzzi é uma artista performática conhecida por espetáculos fortes sobre temas como feminismo e racismo. Ao lado de Matheus A, Luciano Carneiro e Elton Sara Panamby, a performer conquistou o Prêmio Canal Brasil no festival Janela Internacional de Cinema com uma caminhada de ares ritualísticos pelo centro do Rio de Janeiro até a estátua de Zumbi dos Palmares, discursando silenciosamente sobre o preconceito ainda latente na nossa sociedade.

Bróder (2010) (93’)
Horário: Terça, dia 20, às 15h50
Classificação: 14 anos
Direção: Jeferson De

Sinopse: Dezoito anos atrás, antes da questão da representatividade virar um debate de amplitude nacional, Jeferson De, então um diretor iniciante, lançou o manifesto Gênese do Cinema Negro Brasileiro, que trazia sete pontos para o desenvolvimento de uma filmografia produzida pela população negra. Ao longo desse tempo, seus trabalhos foram indicados e ganharam prêmios nas principais mostras dedicadas à sétima arte, e sua estreia no universo dos longas-metragens seguiu o mesmo caminho. Estrelada por Caio Blat, Jonathan Haagensen, Sílvio Guindane, Cássia Kis Magro e Ailton Graça, a película que narra uma história de amizade e violência na periferia de São Paulo conquistou os Kikitos de melhor filme, diretor, ator (Caio Blat), montagem e trilha musical no Festival de Gramado e os troféus Menina de Ouro de melhor som, diretor de arte e fotografia no Festival de Paulínia.

Retratos Brasileiros – Zózimo Bulbul (2006) (28’)
Horário: Terça, dia 20, às 17h30
Classificação: Livre
Direção: Lázaro Ramos

Sinopse: Dirigido por Lázaro Ramos, o registro é um retrospecto da obra do ator, cineasta e roteirista. Em mais de 40 anos de carreira, ele participou de alguns dos filmes mais importantes da história da nossa sétima arte. Na televisão, foi precursor como protagonista negro de uma novela no país. Zózimo foi também o primeiro manequim afrodescendente masculino de uma grife de alta costura e fundou, em 2007, o Centro Afro Carioca de Cinema, onde desenvolveu um trabalho de conscientização, memória e incentivo a novos caminhos para a cinematografia afro-brasileira. Em frente ou por trás das câmeras, o retratado é um nome de extremo valor para a exposição e consolidação do audiovisual negro. Constantemente preocupado com a afirmação de sua cultura como forma de entender o presente de desigualdade, criou uma obra reconhecida e premiada pelo mundo. No programa, o artista fala de sua filmografia e analisa a trajetória político-social em território nacional, não acreditando haver mudanças significativas para seu povo após a assinatura da Lei Áurea em 1888.

Filhas do Vento (2004) (84’)
Horário: Terça, dia 20, às 18h
Classificação: 14 anos
Direção: Joel Zito Araújo

Sinopse: Criadas por um pai severo numa cidade do interior de Minas Gerais, duas irmãs seguem rumos diferentes na vida. Cida (Taís Araújo / Ruth de Souza) sonha em ser atriz e foge de casa em busca desse ideal. Ju (Thalma de Freitas / Lea Garcia) permanece na cidade, casa-se e cuida do pai, Zé das Bicicletas (Milton Gonçalves). Apesar da distância, elas têm algo em comum: um relacionamento ruim com suas filhas. Passados 45 anos, Ju e Cida se reencontram para o enterro do pai. O tempo não diminuiu os ressentimentos que ambas guardaram da juventude e a morte do patriarca, naquele momento, aparenta ser o menor dos problemas.

Preto no Branco (2016) (16’)
INÉDITO e EXCLUSIVO
Horário: Terça, dia 20, às 19h25
Classificação: 12 anos
Direção: Valter Rege

Sinopse: O curta-metragem de ficção assinado por Valter Rege faz uma crítica ao preconceito na sociedade brasileira. O roteiro conta a história de Roberto Carlos (Marcos Oliveira), um jovem negro que sai do trabalho de forma apressada e esbarra em Isabella (Maria Bopp), uma mulher branca de classe média. Um assalto ocorre em meio à confusão e o rapaz é acusado pelo crime. O filme é um retrato de uma triste realidade do país e ilustra os efeitos psicossociais do racismo através da interiorização de um processo histórico de imposição ideológica. A produção foi contemplada pelo Edital Curta Afirmativo do Ministério da Cultura em 2014 e foi selecionado para a Mostra de Cinema Negro do Sergipe. Integrou, ainda, os festivais internacionais de Cinema Negro de Toronto e Montreal (ambos do Canadá) e Interfilm (Alemanha).

Café com Canela (2018) (102’)
INÉDITO e EXCLUSIVO
Horário: Terça, dia 20, às 19h40
Classificação: 12 anos
Direção: Glenda Nicácio e Ary Rosa

Sinopse: O drama é um retrato das relações no cotidiano de duas mulheres em busca da superação de suas dores. A trama é introduzida de forma misteriosa, intercalando filmagens antigas em VHS com imagens do presente. A desorientação inicial é transformada aos poucos em uma obra sobre a superação do luto. As protagonistas vivem rotinas opostas no interior da Bahia: Margarida (Valdinéia Soriano), uma ex-professora de meia-idade, vive isolada em sua casa, enquanto Violeta (Aline Brune), sua ex-aluna, encontra na rua uma forma de sobrevivência diária. O reencontro entre elas é marcado pela inversão de papeis. A jovem aprendiz oferece os ensinamentos recebidos na infância como forma de incentivo para a mestra superar seu sofrimento.

Espelho Especial – Cinema Negro (2018) (25’)
INÉDITO e EXCLUSIVO
Horário: Terça, dia 20, às 21h30
Classificação: Livre
Direção: Lázaro Ramos

Sinopse: O mercado cinematográfico brasileiro ainda é protagonizado por homens brancos. Em pesquisa realizada pela ANCINE, em 2016, dos 142 longas-metragens analisados, apenas 2,1% são dirigidos por homens negros e nenhum pelas mulheres. Corroborando esses dados, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), da UERJ, publicou análise sobre os filmes com mais de 500 mil espectadores entre 1970 e 2016. O resultado demonstrou que 98% das películas foram assinadas por caucasianos. Além disso, o boletim também expôs o baixo índice de 11% para os personagens principais afrodescendentes.

Consciente da importância de modificar este cenário, o Canal Brasil abre suas portas para esta discussão tão urgente no audiovisual do país. Lázaro Ramos apresenta e dirige o Espelho Especial – Cinema Negro (2018), no Cine Odeon (RJ). Para esta edição extraordinária, o ator convida cineastas consagrados da sétima arte nacional, como Jeferson De, Sabrina Fidalgo, Viviane Ferreira e Joel Zito Araújo. O intuito é manifestar o olhar do negro sobre sua própria narrativa. O debate será pautado pela mostra “Pérolas Negras”, projetando imagens das produções escolhidas para a programação.

O Nó do Diabo (2018) (128’)
INÉDITO e EXCLUSIVO
Horário: Terça, dia 20, às 22h
Classificação: 16 anos
Direção: Gabriel Martins, Ramon Porto Mota, Ian Abé e Jhésus Tribuzi

Sinopse: O roteiro apresenta 200 anos de submissão do negro, interligando os acontecimentos através de dois elos: a fazenda canavieira e o coronel da propriedade, Senhor Vieira (Fernando Teixeira), metáfora para o homem branco latifundiário presente no poder ao longo dos anos. O passado de opressão e a marginalização do negro conduzem a narrativa crítica à ideia do “homem cordial”, de Sérgio Buarque de Holanda, evidenciando a luta e a resistência da senzala contra a casa grande. O tema permanece atual, tendo em vista a disseminação de discursos extremistas e o racismo velado que ainda existe no país.

Amor Maldito (1984) (76’)
Horário: Terça, dia 20, à 0h15
Classificação: 14 anos
Direção: Adélia Sampaio

Sinopse: As diferenças sociais não são obstáculo para o envolvimento entre a executiva Fernanda (Monique Lafond) e a modelo Sueli (Wilma Dias). Logo após se conhecerem, a empresária acolhe a parceira em sua casa, já que a moça decidiu abandonar a família depois de uma briga com os pais. O romance, entretanto, passa por sucessivas crises, e Sueli acaba se envolvendo com um jornalista mulherengo. Grávida e sem apoio do rapaz, ela comete suicídio, jogando-se da janela do apartamento da ex-namorada.




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